domingo, 21 de agosto de 2016

Para um alguém muito estranhamente importante chamado...

Sua voz, tão doce como avelã
me soa tão doce e perfumada como o branco do teu sorriso.
O carinho e o cuidado que você me transmite te torna o meu precioso talismã,
justo eu, no meio dos grandes, medrosamente agindo de modo indeciso.

Ah cara! Isso é tão bom e inconsequente!
Você e eu ali sentados no meio da galera e um cartaz,
a esperança vai oscilando do inconsequente ao congruente,
a respiração pelo fato de você estar ao meu lado acaba se tornando veloz e sagaz.

Ei, rapaz, não brinca comigo não,
estou ficando apaixonada de novo, vê se pode!
Mas é foda, é escolha do coração,
e a gente sem escolha só de fode,
sabe o por quê?
Porque eu não sou o seu tipo,
uma criança tímida da própria pisque,
enquanto você, um admirável e apaixonante campo de maravilhas!

Te quero, não por capricho, mas por sincronia, sabe?
Sair de mãos dadas pela cidade e viver ao teu lado uma dessas velhas histórias de amor.
Vem cá, com flores e um sorriso no rosto,
acaba com essa minha triste insônia?
Vamos ser emancipados juntos, que tal, nesse mês de agosto?!
Vamos ser um conjunto, que louco, nessa colônia bizarra chamada vida...!

(Lis - 20/08/16 - 16:38)

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Vida coadjuvante

Nós mudamos rápido demais ao modo que nosso corpo e alma não conseguem se dar conta disso. Hoje, ou melhor, ontem foi dia dos pais. Ontem de ontem eu estava em um projeto da faculdade, ajudando em um espaço da criança. De repente, todos pintados e ao fundo um violão, alguns estudantes de ciências sociais organizaram a roda, o pessoal de letras estendia um varal de poemas e a galera de história nos surpreendia com uma rica cultura de rua.

Ao bando mais longe eu observava, pessoas tímidas e já outras que não pareciam felizes em me ver ali. Mas ao meu lado uma bela dama, amiga querida, fazendo ali seu intervalo de estudos. Um rap sobre a vida, um poema sobre machismo e uma música sobre relacionamento abusivo. Descubro ali, creio eu pelo calor do momento, a dor de minha amiga. Não vou julgar, não. Ajudar, sim, mas como? Minha cabeça voa, meu coração aperta. Em uma bela diagonal teus olhos encontram os meus, mas tenho medo em confiar de novo. As feridas que reforçaram as antigos não se curam, você não merece alguém assim. Para apenas oito meses de ano já tive provas o suficiente que pessoas traem, trair em diversos sentidos e em diversas cores.

Saio sem rumo. Esqueço criança, esqueço lápis e papel. O sol me encara, tiro uma foto. A noite, que noite, choro sem entender o porque e em um soluço de socorro ao qual desabafo tudo o que precisava para chegar no estase desse gozo momentâneo. Digo, repito, digo de novo como se soubesse o que falava, você compreende minha linguagem. Indico a solução, mas não influencio o caminho. Como e quando passei a ser tão segura de minhas palavras sobre a vida? Quando as pessoas te amam elas devem demonstrar. Se não há demonstração de mínimos detalhes então não há amor. Verdade nua e crua. Temos aquilo que achamos que merecemos ter, mas a verdade é que nem sempre o que achamos de fato é o melhor para nós. Aprendemos isso, infelizmente, tarde mais.

A noite amanheceu em um dia frio, boto um sorriso no rosto e lavo o corpo em água fria. A estrada passa em modo acelerado, o óculos me protege do sol. O vestido me incomoda constantemente, mas a maquiagem me ajuda a esconder a tristeza que nasceu em mim. Falsidade o tempo todo, desligo do mundo em um par de fone. O vento balançava meu cabelo recém cortado e aquela cidade me atraia de modo inteligivelmente intenso.

A praça é agradável. Pisei ali sem mendo de ser assaltada pela primeira vez. Meu coturno sujo de terra me fazia crer que seria possível seguir em frente ao modo que dois caras, cada um em seu momento, me para pedindo dinheiro a troco de seus produtos. Me recordo de você e dele, o meu passado e o meu distante. Um deles me lembrou você, ralando em um domingo ardente para se casar. Interessante, confesso. O segundo, o teu irmão, magrelo distante vendendo sua arte, belas poesias coladas agora em minha parede. Foto aqui, sorriso ali e uma raspadinha de uva para comemorar a ironia da vida. Um brinde ao céu e ao desconhecido de sempre.

Sou como plástico, sempre tentando imitar o vidro, sempre sem valor, porém mais resistente também. A vida é confusa, na verdade minha mente é que é confusa. Meu nariz não sangra mais, apesar de eu dar motivo dia após dia para que o mesmo exploda. O sagramento mudou de rota e de estado. Meu olho arde, dilata, a claridade sufoca e a irritação do shampoo me força o uso do colírio. Faço uso de algumas aspirinas para então poder dormir. Dormir para enfrentar mais uma semana qualquer de uma vida coadjuvante. Dormir para entrar no mundo dos sonhos, onde as coisas são descomplicadas e intensas, onde posso sorrir com o paraíso de um mundo onde tenha liberdade na tv e um amor para se equalizar....