sábado, 30 de julho de 2016

É uma escolha, sempre foi

As noites em julho são gélidas, sempre mostrando o quão somos vazios e sentimos saudades de memórias, memórias estas que não passam de memórias, de algo que se passou e nunca mais voltará ou viverá. Mas é verdade que naquela quarta-feira não havia tanto frio assim, na verdade sinto que a primavera está bem próxima e isso aqueceu minhas esperanças de um jeito triste.

No reflexo do carro pude observar a noite e as estrelas. Havia algumas nuvens, bem poucas, além de uma lua que pouco iluminava. As montanhas, ou melhor, as inúmeras ruas das montanhas gerais que se encontra na paisagem de Minas estava coberta por casas e prédios nesse ano. O relógio já marcava pouco mais que vinte e duas horas, o radio tocava um especial dos anos noventa. Foi legal, um momento realmente agradável com algumas televisões ligadas em inúmeras janelas que pude observar. Cortinas brancas balançavam por uma brisa e em outro momento havia um casal rindo em um das varandas, pareciam tomar uma espécie de vinho. A verdade da vida, pensei comigo mesma, é que tudo segue certo de um jeito bem incerto. Observar tantas janelas abertas e suas luzes acesas me fez pensar sobre isso. Não vale a pena viver do passado, ele não voltará, então não adianta procurar ou remoer, não é mesmo?! É uma escolha livre.

Naquela noite pude me deixar dormir tranquila com minha consciência, sem pesadelos ou medo. Mesmo com a brisa anunciando uma nova frente fria permaneci minha janela aberta e minha televisão ligada, servindo de companhia a tantas outras que pudessem sentir a mesma liberdade que minha alma agora possuía. Era um fardo que aos poucos não existiria mais. Por isso não me permiti chorar, apenas sorrir. Eu enfim te superei.

Já é tarde da noite e a ainda não consegui dormir
Lutando contra essas dores de cabeça que só pioram
Fico me revirando até estar imerso em meus pensamentos
Então volto a pegar a caneta
As letras que vou escrevendo sem qualquer nexo
Contém a minha filosofia
Mesmo tomada pela fumaça branca
Meu quarto é tão aconchegante quanto um lar, doce lar
(...)
Minha solidão só cresceu com o passar do tempo
A liberdade para viver do meu jeito
Era também meu maior fardo
Onde há uma subida
Há sempre uma descida
É muito tarde para voltar atrás
EU QUERO IR
Lembre-se daqueles dias...
Nós somos os woo woo

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Yoo...