domingo, 27 de março de 2016

Butterfly

Mais um daqueles momentos que tudo parece se despedaçar como lírios ao vento. Minhas lágrimas pingam na cama, por que é tão difícil depois que você cresce? Gostaria tanto de poder sorrir, de voar livremente sem medo de ser atingida a qualquer momento por você.
De repente me sinto como uma peça de cristal, toda trincada e jogada em um canto, esperando apenas o toque final para se partir em mil pedaços. Sinto-me sozinha, sem sentindo. Não há amor onde estou, você escapa dos meus braços, é tão difícil superar o que não deve ser superado.
Eu desisto de tudo. Desisto de nós. Não há nada mais que nos una, a distancia é grande demais para que eu continue lutando por uma guerra onde já fui derrotada. No fim não estávamos conectados como laços eternos, no fim caímos do penhasco e aguardamos a morte nas sólidas pedras de sal. Essa é minha posição e sempre será: um soldado a beira da morte com flechas no peito.
Se eu pudesse mudar, gostaria de ser uma borboleta. Gostaria que esta fase fosse apenas um casulo e que depois de toda a dor e sofrimento minhas asas brotassem. Voaria de lírio a tulipa, de tulipa a cerejeiras. Sonharia realizada a noite por enfim ter me encaixado em um lugar no mundo, feliz pelas trevas terem enfim passado. Mas não se engane, milagres não existem quando a morte já está aos seus pés gelados.
Perdão pelo vazio que sou, perdão por não estar em seus braços, onde você pudesse me encarar olho a olho. Receio que seja tarde demais para alguém como eu poder amar e ser amado. Está nevando aqui dentro, rejeito o calor do amor que nunca existiu, apenas ilusões tais como minha existência. A única pergunta que me dou o trabalho de fazer nesses últimos suspiros é quanto tempo demorará para enfim este cristal se despedaçar em mil pedaços?


sábado, 26 de março de 2016

Anjo

Observá-la todos os dias, isso é tão torturante. Quero tocá-la, senti-la entre meus braços. Quero ser seu anjo de carne osso, protegê-la de todos os males que a cercam e mesmo assim tirar o mais profundo sorriso de seus lábios. Quero sentir o calor de nossos corpos em uma tarde fria de outono.
Notá-la na posição que estou, isso machuca tanto! Odeio vê-la chorar, se mutilar e se por em situações de risco! Minha amada, é tão difícil protegê-la de tudo assim... Você não tem ideia! Por favor, não destrua a si mesma agora, vamos, levante esse sorriso, não se deprima mais, você não está sozinha! Estou aqui por você...
Durma serena, eu guardarei os seus sonhos e a livrarei de todo mal esta noite. A lua ilumina-te tão lindamente. Preciso alertá-la, não esqueça seu livro amanhã, sua professora dará prova de consulta. Está sorrindo enquanto dorme, pode me ouvir? Sabe, amo-te tanto! Viva por nós, minha dádiva! Estarei sempre nas sombras iluminadas, guiando seus passos e agindo para sua proteção. Seria capaz de largar minhas asas e viver eternamente ao seu lado como mortal renegado, porém o amor não é possível para nós. Não ainda, pelo menos, tudo depende de você. Deixo contigo minha pena branca, para lembrar-se que estarei aqui nos seus mais profundos sonhos e uma garantia que estou dizendo-te a verdade. Siga sempre minha voz no seu subconsciente como segue as borboletas de um jardim de rosas brancas...


01:14 am

Está vendo essas covinhas? Bonitas né. Pois é, é o que eu vejo em sua foto a essa hora da madrugada. O que estou fazendo acordada? Não sei, dentre toda a tristeza que cerca meu coração, me encontro sorrindo para você. Talvez assim você esteja perto de mim como ha muito não está graças a essa foto. Sofro muito com essa solidão, no fim eu realmente nasci para ficar sozinha, não?! Você espera que terminaríamos com esse enorme precipício entre nós? Acredito que sim, mas juro que da minha parte nunca esperei isso. Meu pulso arde todos os dias, talvez como forma de protesto a tudo que estou causando (feridas internas). Respostas via internet, será que obterei alguma? Obrigada asiáticos por tornar minha infelicidade algo um pouco mais digerível!

quinta-feira, 24 de março de 2016

Tomorrow

A vida é uma caixinha de surpresas mesmo. Já admiti de tantas formas que não estou legal, mas nenhuma de uma forma convincente. Os motivos para isso, eu realmente não sei. Só não estou e a cada instante procuro motivos para justificar. Encontro vários.
Vamos deitar, bem aqui. Observar o céu azul se tornar cinza, algumas gotas gélidas pingam sobre sua pele, o cabelo arrepia e você nota o quão isso se tornou indiferente nos últimos meses. O que eu estou fazendo da minha vida? Apenas sobrevivendo, empurrando com a barriga, esperando que o dia de amanhã seja melhor. E é? Não. Nunca será. O amanhã será o ontem até que eu enfim desista de viver.
Três perdas. Três difíceis perdas. Uma já aconteceu, completou quatro meses ontem. A segunda vai acontecer em menos de um mês, é isso? Sim. Logo virá a terceira. É tão torturante você sobreviver o amanhã com medo do que virá agora, é doloroso, é... Não há explicações para isso. Tudo que vai volta, três vezes segundo a Wicca. Tudo verdade. Por que tem que ser verdade?
Não sei se tenho forças para continuar assim. É muito fácil se enganar, arranjar desculpa ali e aqui para se manter "viva". Seja uma banda de sete rapazes bonitos que tocam seu coração com canções, seja por animações ou dramas que façam você suspirar. Contudo nada passa de uma válvula de escape, gritando para pensar em outra coisa, qualquer coisa mesmo que te distraia, gritando para que não desista ainda. O amanhã irá ser um dia melhor, é o que eu quero me enganar agora.
Escrever e escrever, bem aqui. A cada texto um sentimento diferente, uma tentativa indecente de escrever o que me faz chorar toda noite, tirando-me o sono. É a primeira vez que realmente escrevo em um desabafo verdadeiro, eu acho. Tantos fatos pessoais... Ninguém lê e ninguém se importa, foi o que me disseram esses dias e no que começo a acreditar hoje. O silêncio e o abandono se tornam meus aliados. Deus, por que você não me ouve mais? Não deixe a terceira perda ocorrer. Muitas perdas estão me rodeando, seja pela banda favorita que se desmembrou em brigas judiciais, seja pelo meu pc que chegou no seu limite, seja pelo único professor que enxergou minhas feridas no pulso e falou sobre isso abertamente; todas essas perdas eu consigo lidar e fingir que não ligo. Porém, quando a terceira perda chegar realmente e oficialmente, o que eu farei? O que vai ser? Quem será dessa vez a me deixar? Por favor Deus, me ouça só dessa vez e não deixe que no dia de amanhã eu perca mais uma pessoa. Sou especialista em estragar tudo que toco e mais ainda em ser sozinha. Começo a acreditar que realmente vim ao mundo para terminar sozinha e abandonada, mas não me permita criar laços para perde-los depois! Não existe finais felizes se não nas histórias... Me ouça só mais essa vez Deus...

A vida não é sobre ir vivendo, mas ir sobrevivendo
A medida que você sobrevive, você desaparecerá algum dia

domingo, 20 de março de 2016

Lego house

A vida vai passando como uma cena de filme em modo acelerado, tudo que faço, entretanto, é sentar e observar. O cabelo quase longo preso de qualquer forma e fones de ouvido me iludindo com frases e histórias que nunca viverei. Isso me faz querer chorar, novamente, mas não sai absolutamente nada.
Percebo que preciso mudar. Mudo? Não sei, talvez de forma negativa. A verdade é que nunca enxergo o meu lado bom das coisas. Oh, tornam a me pedir conselhos. Curioso como respondo convicta a receita do bolo. Engraçado, porém, que do outro lado da moeda eu não sei fazer esse tipo de bolo.
Quase destruir meus livros hoje me trouxe algumas reflexões. Uma flor esquecida no meio de um diário resultou em tantas formigas! Limpar a sujeira sozinha, tirar o cheiro de podridão e jogar veneno, enquanto rezava para não ter estragado nenhuma das páginas que ainda não havia lido me mostrava o quão estou apenas vendo a vida sem vive-la. Estou seguindo o mesmo caminho que esta flor: secando dentro de um livro, esquecida e amassada.
Se eu tivesse limpado a estante melhor, teria notado antes! Se eu não tivesse guardado a flor, não haveria formigas. Quase jogou no lixo todo o dinheiro, que não é seu, gasto naqueles livros caros. A vergonha queima a face. São muitos "se" para uma única pessoa. Mas torno a repetir: eu quero mudar? Não sei, talvez eu queira, talvez não. É muito confuso passar o que estou passando, buscando a luz, sozinha, em um mundo coberto de mentiras.
O que são promessas se nunca as cumprimos? Por que prometemos o que não somos capazes de cumprir? Nunca pensamos que o outro pode se machucar com essas promessas? Não. No fim todos somos egoístas e mesquinhos, importamos apenas conosco e que o outro que se dane. A verdade é essa, sinto muito, mas é isso o que você está me ensinando!
Cansada de apenas ver tudo passar, dou o primeiro passo. Um não. Diria que hoje dei muitos passos. Pretendo exclui uma história de um site qualquer, mudei pequenos detalhes que até então eram imutáveis e me expressei abertamente com muitas pessoas. Não estou arrependida, não estou com medo e nem apreensiva. Apenas cansada de mais uma vez ser enganada. Quem sabe agora eu aprendo a lição, não?!
Que seja! Não crio expectativa alguma para o meu futuro dessa vez. Nem imagino mais nada sobre mim antes de dormir. Apenas destruo minha casa de lego dizendo olá para o outono, que chegou em hora tão perfeita.


sexta-feira, 11 de março de 2016

Você teria orgulho de quem se tornou?

Faz algum tempo que a frase "sua eu criança teria orgulho de você se visse quem você se tornou?" anda aparecendo no meu Facebook e Tumblr constantemente. Isso me assusta e ao mesmo tempo me faz pensar e imaginar de modo incomodo. O motivo disso? Sinceramente não sei. Ultimamente não sei absolutamente nada sobre o que sinto ou penso, mas isso não vem ao caso por enquanto.
Será que a magricela de cabelo chanel e franja de índio se orgulharia da mulher de cabelos compridos e avermelhados que me tornei? Que passou a ouvir músicas depressivas e fazendo cortes em si mesma? Acharia mágico o fato de eu estar me tornando professora e gritando mudamente o tempo todo? Acharia graça das minhas piadas? Notaria que engordei e tenho uma péssima vida amorosa? Ah, isso é tão confuso e complicado! Por Deus!
Talvez ela sentisse medo do que se tornaria no futuro, talvez eu desse conselhos do que ela não deveria fazer para ser quem eu sou e, provavelmente, eu passaria a não existir mais a partir do momento que ela fizesse a primeira mudança. Porém, o assombroso é que talvez ela sentisse realmente orgulho e apenas pegasse na minha mão e devolvesse toda a alegria e esperança que perdi no decorrer da vida, pois afinal, é isso que eu faria!
Santo Deus, um colapso nervoso ou talvez uma condenação perpétua por mexer com passado e futuro. Contudo é inevitável a dúvida, ainda mais quando tudo que penso é dormir e nunca mais acordar. Como nossas vidas mudam do dia para noite sendo que dão sinais gradativos o tempo todo e nunca percebemos? Por que finais felizes não existem? A vida é muito confusa afinal.

segunda-feira, 7 de março de 2016

O despertar indesejado

O dia está tão lindo lá fora, por que então não me levanto para aproveitar? O céu azul tão vivo, as nuvens brancas como algodão. O sol, ah lindo sol, esse brilhava como a muito não fazia. Os pássaros cantavam nos fios da rede elétrica a linda manhã de março que reinava. Acompanhava tudo da cama, observando o que a claridade do vidro permitia.
A vontade era de levantar, colocar uma música divertida no celular e espreguiçar. Fazer do dia um lindo dia, Porém, não tinha vontade de se mexer. Olhos ardiam devido ao choro que teve durante a madrugada e o corpo encolhido estava visando, de certa forma, algum tipo de acolhimento.
O coração apertava, batia fraco, sem vontade. Ficar tanto tempo na mesma posição lhe resultou em um corte interno na boca, devido ao aparelho e o atrito da pele com o travesseiro. Os lençóis todos enrugados e as cobertas todas tortas. Mesmo assim a hora passava e passava e a vontade de sair da cama era cada vez menor.
Se viu obrigada a sair quando precisava fazer o almoço. Não para si, na verdade não sentia fome nenhuma, mas por conta de terceiros precisava levantar. Não era preguiça, não era sono, não era enrolação. Era apenas sua alma sem vontade de viver, seu corpo já havia enfim desistido da vida. Não precisava mais de motivação, no fim, talvez seu jardim estivesse secado.

sábado, 5 de março de 2016

Para Lóri

Sobre o que é esse texto? Sobre o que eu deva escrever? Aos poucos nada vem fazendo algum sentindo sobre a vida a não ser aquela velha dor no peito, queimando como o vinho queima a garganta e cortando como a navalha cortava o pulso. Os gritos que solto são todos mudos, tampados pelas inúmeras mascaras que me vejo forçada a usar.
Remédios, facas, cordas, prédios, águas fundas e trânsitos intensos. Qual devo tentar primeiro? Estraçalhar tal angustia, nada mais importa. Como posso ser falsificada o bastante para agir independente, sendo que no fundo escondo todos os velhos sentimentos que voltaram ainda mais fortes?
Lóri, minha cara Lorelay, estou relendo sua amada aprendizagem, contudo dessa vez não possuo o alcance dos prazeres em mãos. Dói a cada página, não consigo prosseguir sem chorar por longas horas. Que vitória seu Ulisses, mas perdoe minha tristeza dessa vez.
Lóri, minha mentora Lóri (ou deva dizer meu eu Lóri?). Da primeira vez me trouxe o prazer do toque, a valorização do gosto e o viver nas veias. Talvez antes eu não fosse capaz de sentir a dor que você cita no começo do livro. Agora compreendo, se não talvez não sinta ela mil vezes pior. O que eu deva fazer Lóri? Me enganei tão profundamente, marcas eternas de tal erro. Me diga Lóri, como prosseguir, mesmo eu sabendo as respostas para isso? É errado implorar por uma ajuda que você não precise me dar, mas Lóri, esse é o meu pedido de socorro para você!
Não lágrimas, não desçam novamente. Não agora. Preciso de força, ou melhor, novas mascaras para encarar o que está por vim. Aqui encontra-se abaixo de sete palmos da terra do meu subconsciente o que houve de mais belo no meu coração. Morto e sepultado, sem direito a ressurreição desta vez. Cansei do céu e das estrelas, por hora quero apenas meu copo de sobrevivência de volta e bem cheio.

quarta-feira, 2 de março de 2016

Desculpa, mas

Desculpa, mas não consegui engolir o choro hoje.
Desculpa, mas não sei como me comportar mais.
Desculpa, mas estou perdida e sozinha.
Desculpa, mas está doendo muito.
Desculpa, mas... Mas acho que agora nunca mais será o mesmo.

A filosofia leiga sobre Cometas

Cometas, em termos grosseiros e rudes a ciência astrológica, tratam-se de um pedaço de rocha que vaga pelo espaço em um ciclo vicioso, pois de tempos em tempos volta a repetir seu trajeto. Particularmente eu sempre tento associar os fatos da vida em poesia e os cometas não ficaram de fora, sendo para mim comparados a vida e as pessoas.
Os cometas são belos, atraem olhares a todos os instantes, maravilhando qualquer um que tenha a oportunidade de vê-lo e ao mesmo tempo são tão misteriosos, reclusos em seu caminho constante e indesviável. É engraçado pois eles são o que são e mesmo assim, por trás de toda a luz que os glorificam como deuses, nunca perdem a linha.
Tentando ser breve, torno a repetir: pessoas são cometas. Não todas, mas uma grande maioria. Pessoas vem e vão todos os dias em nossas vidas, chegam e nos dão a honra de podermos admirá-los tornando-os parte de nós, porém logo se vão afinal, a vida é isso, o ir e vir constante. Pessoas também se abrem, afloram suas chamas de planetas em planetas por todo seu caminho a flor da pele, contudo se fecham novamente na partida.
Creio eu que esse fechamento deve-se ao fato de que por trás de uma grande revolução interna, continuamos nós mesmos bem lá no fundo de forma imutável. Então sim, nós amadureceremos nossas ideias, gostos, pensamentos, mas mudar quem somos? Isso é impossível. Sempre vamos voltar ao que eramos antes da revolução. Obviamente que com o passar do tempo você se recusa a voltar as suas origens, ou simplesmente decepciona as pessoas que te viram revolucionar e agora presenciam suas famosas colisões e explosões internas...
Uma vez um cometa, sempre um comenta. Irreversível e mutável, capaz de ser destruído ou ser o próprio destruidor. Perspicaz e admirável (ou não). Sempre em seu ciclo constante de voltar ao seu início, condenado a tal condição como castigo eterno a seus repetitivos pescados. Isolado, sempre isolado.
O que te faz ou o que torna um cometa? Aliás, você é um? Eu sou um? Todos somos cometas ou também podemos ser estrelas e planetas? No fundo todos nós sabemos a reposta e sabemos exatamente no que toda nossa vida vai resultar, mas ignoramos as conclusões por uma fina esperança que tudo mude no último segundo como nos filmes. Mas a vida real, ou melhor, no nosso universo nada termina bem assim, a morte está aí para isso.
Bom, acho que chegou o momento de concluir esse texto e finalizar aqui minhas filosofias e metáforas fajutas pois, enfim, a cafeína terminou seu efeito. Não importa o que nós somos nessa galáxia, a questão é que não podemos mudar o que somos mesmo que tenhamos a esperança de que vamos conseguir. No fim, meu caro, sempre voltamos ao nosso ponto de partida e quase tudo que conquistamos nesse trajeto, infelizmente, não passa de meras lembranças. Apesar de todo esse pessimismo que jogo sobre você, que leu o que eu aqui relato, digo-lhe para ficar feliz por tais feitos porque, apesar de não fazer diferença, ao menos por um breve momento você se sentiu vivo como se de fato houvesse conseguido mudar seu posto de cometa para qualquer outro astro que julgar melhor.
A ciência que me perdoe por ser leiga no assunto literal, porém se as estrelas se apagam ha anos luz e ainda estão sendo vistas por aqui, que mágico seria se os cometas pudessem ser assim também, não? Vivos em tese, porém mortos na realidade. Isso realmente me parece atrativo.