sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Pipa vermelha

Quando saio na minha varanda, deparo-me com uma bela vista. Alguns telhados, árvores e muitos postes. Do ponto onde me encontrava dava uma vista perfeita de um poste e uma árvore específicos da rua de baixo, onde dali a molecada brincou dia após dia nesse mês de janeiro, aproveitando as férias.
Às dezesseis em ponto vejo a pipa vermelha subir aos céus. Nem tão alta, nem tão baixa. Um contraste perfeito com o verde da região. Voa de um lado, depois do outro, porém sempre daquele pedaço. Jamais errou a hora nem o local.
Não há nada demais naquela pipa vermelha, toda desbotada e feita de gravetos e papel. Não há nada de essencial, por assim dizer, mas desde que a vi subir pela primeira vez venho a acompanhar com certa ansiedade de ver a pipa perante as nuvens do céu neutro. Nem mesmo nos dias chuvosos a pipa deixou de estar lá.
Sem saber quem a empina ou que eu a observo, viramos colegas intimas. Ela me vê e eu a vejo, tão divertido tal modo lembrar-me da infância. Dos momentos bons que tive, melhor dizendo. Pipa vermelha, minha bajulada pipa escarlate, com o início das aulas será que ainda irei te ver nas sombras?!

Céu sem vida

O céu noturno é geralmente acolhedor, cheio de estrelas brilhantes que enchem nossos olhos de alegria e esperança. Hoje, porém, elas não estavam lá. Milhares de nuvens tampando a bela visão, soltando gotinhas geladas em uma doce garoa acolhedora.
O vento gélido era de cortar a face, mas também um abraço da realidade. Não havia sons, nem mesmo um grilo para me fazer companhia. A desculpa para estar ali fora a mais tola possível, mas pareceu funcionar.
Observando a escuridão, notando o quão isolado ela era pude descobrir que até mesmo o céu sem vida é também acolhedor. Ouviu meus soluços, esperou meus tremores passarem e ainda assim continuou a me acomodar no vazio.
Tudo que gostaria de saber naquele momento era quando ia chegar a minha vez de estar junto as estrelas e se tornar parte de uma galáxia. Mas como disse, obtive como resposta apenas o silêncio, e deste silêncio eu preciso me recordar de como interpretá-lo.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

"Não há tristeza maior do que a de uma perda que ainda acontecerá"

É engraçado como a gente varia nosso humor em poucos segundos. Há segundo atrás tudo estava bem, no outro toda sua vida se desmancha aos pouquinhos. Tem momentos que erramos sabendo que estamos errando, disposto a tudo. Já há outros que erramos achando que estamos fazendo o certo, e imagine a surpresa ao descobrir que foi um erro extremamente imperdoável, pois é assim que estou me sentindo agora.
Como sempre nesses dezoito anos de vida, eu pisei na bola com mais uma pessoa que eu gosto. Sempre do mesmo jeito, age sem pensar e pronto, a merda está feita estampada na minha frente. E o que adianta dizer que foi sem querer? O que está feito está feito, me resta apenas aceitar por mais que doa.
Minhas desculpas não são vazias, mas temo que elas aparentam ser. Queria só poder mudar isso, estou realmente cansada de estragar as coisas, sempre causando problemas. Que voto eu mereço por ser tão hipócrita? Eu compreendo seu silêncio, como eu disse, é justo e eu mereço tudo isso. Mas eu sinto muito, muito mesmo. Eu queria ser a uma das últimas a ter feito isso, e mesmo assim daria um jeito de não fazer, a te magoar... Mas no fim fui uma das primeiras... Perdão, realmente perdão...

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Relatos gélidos

Pois é, esse vai ser mais um texto deprimente sobre a chuva, mas espero que entenda, ando me sentindo vazia e com extrema saudade de minha navalha (lamento por isso), então é, este vai ser mais um texto deprimente sobre a chuva em sua vida.
Se eu sou mesmo uma flor, eu diria que me encontro alagada em minha própria água. Totalmente murcha e sem vida, estou viva não por algum motivo em si, mas apenas por infelizmente acordar e descobrir que ainda não chegou a minha hora.
Meus olhos estão pequenos tamanho o inchaço do choro da noite passada. Contudo isso não estancou o vazamento, pelo contrário, aumentou ainda mais hoje. Sem vontade comer e beber, e bem, ando fazendo o que eu faço de melhor: fingir. Fingir estar bem, fingir sorrir, fingir motivos, fingir e fingir. Não me julgue, eu estou no meu direito.
A água quente tem esse poder, me relaxa os músculo momentaneamente, porém também me trás para o fundo do poço. Tudo que faço é pensar e nada mais, em busca de algum motivo forte o bastante para me fazer sair da cama ou do quarto, mas nada, nem mesmo sessenta cores a minha disposição ajudou, tornando-as sem brilho para mim.
Ninguém pode me tirar daqui. Ninguém realmente é capaz de tal ato ou leal o suficiente, nem mesmo eu que o criei. Talvez esta chuva encha essa fossa de água e então eu terei duas opções: me afogar por completo, terminando enfim o que já devia ter tido um fim ou simplesmente chego a superfície e me reconstruo em uma nova moita sobe uma barreira mais resistente. Não sou uma garota suicida, mas as vezes gostaria de ser.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Trocar o perfume

Um ponto final. Para matemática serve para multiplicar números, já para alguns filósofos são apenas um ponto com n motivos por trás daquele ponto. Na arte uma obra plena de solidão ou a representação de tudo. Na ciência a figura clara do que veio antes da famosa explosão Big Bang. No português o fim de um período.
Quando vi que não passei na faculdade que eu queria, fiquei muito emputecida como se nada fizesse mais sentindo. Chorei tudo o que não chorei uma vida toda e fiquei muito sentimental também, ocasionando outros choros, obviamente de outros mil motivos além faculdade (santo Deus!). Entretanto acho que depois que você descobre um motivo para se reerguer, fica mais fácil colocar um ponto final em uma história e começar outra.
Então é, bebi um pouco. Conheci gente nova e redescobri pessoas antigas. Um momento tão delicado, não envolvendo apenas problemas de notas, algo realmente capaz de fincar mil katanas em um coração já ferido e, novamente, chorar por mais várias e várias tardes até perder a voz em cruéis soluços.
Colocar um ponto final onde mais se queria uma vírgula nunca fora tão complicado. Nunca mesmo. Meus olhos ardem tentando assimilar tudo, compreender e ser madura e adulta para tudo isso que venho tendo que lindar. Ou simplesmente em busca de um ferreiro para fortalecer esta armadura enferrujada.
Mas já sou crescidinha, momento de enfim encerrar essa etapa e cravar uma espada. Mudar a aparência, a decoração do mural e o perfume tal como este verão que trocou com o inverno. Para uma nova história, um novo recomeço, então é, oficialmente encerrada esse capítulo todo com o ponto final de linguagens a partir de agora.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

É só a devastação adolescente

As pessoas claramente sabem que não é o fim do mundo. Eu sei. Todos sabem. Entretanto eu me reprimo a não enxergar. Talvez eu seja uma pessoa que gosta de sofrer e complicar as coisas, como alertou minha mãe há algum tempo. Preciso parar com isso, de agir novamente como uma criança mimada, e passar a seguir em frente... Mas dói tanto, tanto, tanto...
Por que iluminam seus feitos com luz fosforescente? Por que fazem questão de se lembrarem tão pouco de que isso magoa as pessoas, as vezes as perturba? Não ocorre troca de boa convivência como se imagina na fútil ilusão que criei. É deprimente e novamente dói mil vezes a palavra tanto.
Acho que para esse conflito interno a música Baba O'Riley (The Who) nunca fez tanto sentindo em todos os versos dela de forma tão contraditória para mim.
Sim, eu luto pelas minhas refeições aqui fora do campo, com minhas responsabilidades no meu modo de viver pelo qual eu não preciso lutar para provar que estou certa, que não preciso ser perdoada. Entretanto eu quero lutar, quero mudar minhas responsabilidades em uma necessidade absurda pelo perdão de todos dentro e fora do campo, pois afinal estou errada...
Aqueles felizes estão próximos, tornando o êxodo tão doloroso em um momento de união. Apagarei este fogo, mas preciso olhar por cima de seu ombro para me deliciar mais um pouco com o que eu já não creio. Posso pegar sua mão até meu medo passar? Podemos ficar juntos até ficarmos muito velhos?
No calar do dia, todo azul e roxo, frio e cheio de ruídos luminosos eu choro sem levantar meu olhar em uma devastação adolescente. Apenas mais uma devastação adolescente, onde todos estão ou deveriam estar bêbados. Eu queria estar, mas ainda me encontro prematura demais para sair deste útero. É só uma devastação...

Don't cry
Don't raise your eye
It's only teenage wasteland
...
Oh, yeah
Teenage wasteland
They're all wasted!

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Tentar com mais insistência

Minha ex-professora de português do primeiro ano do ensino médio, e atual amiga/confidente, sempre me alertou que eu entro exageradamente em um livro quando estou lendo. Talvez seja esse o motivo de 70% dos livros que eu leio ganharem nota quatro ou cinco e, segundo uma rede social de livros, eu ter cerca de 28 livros como favoritos. A cada livro para mim é como se tornasse parte de mim, seja por me lembrar algo que vivi ou por ocorrer fatos na minha vida real que seja, coincidentemente, extremamente idênticos a narrativa da história em si.
É impressionante como sempre ocorre algo parecido, me fazendo envolver ainda mais nessas páginas amareladas e passar horas e horas pensando sobre tais momentos. O da vez é "Os 13 porquês" que conta, resumidamente, sobre Hannah Baker, uma garota que se suicido e deixa diversas fitas cassetes contando os motivos que a levaram a isso... Ou melhor, as pessoas que a levaram a isso. Pequenos fatos que fazem tremenda diferença na vida de qualquer pessoa.
Enfim, não estou aqui para resenhar ele para vocês, até porque não terminei de ler ainda. Mas o fato é que a cada motivo que eu leio me identifico cada vez mais e mais com Hannah, me fazendo estar no estado que me encontro: chorando compulsivamente por ela.
Sabe o porquê? Porque a cada situação que ela passou se encaixa, de alguma forma, na vida de qualquer pessoa, creio eu. Inclusive, eu não estou fora dessa lista. Odeio me identificar com personagens as vezes, pois afinal não posso mudar nada (como sempre), não posso entrar lá dentro e a impedir de fazer o que fez, até porque eu mesma teria feito o serviço se fosse eu no lugar dela (como já tentei tantas vezes).
Daí você pensa (ou talvez não, mas eu pensei) tem tanta gente por aí na mesma situação que ela, ajude essas pessoas! Sim, tem toda razão, mas daí vem a melhor frase que li até o momento nesse livro "Eu queria. Eu poderia ter ajudado.(...)Então, por que você não tentou com mais insistência?". Pois é, por que não tentamos? Por que eu não tento? Por quê? Como disse um amigo uma vez, de boas intenções o inferno está cheio. E está mesmo, sou a próxima candidata sem dúvidas.
Já nem sei mais o que pensar ou o que fazer. Parar de chorar seria um bom começo. Não adiantaria terminar esse texto dizendo "vou ajudar todos que eu conhecer a partir de hoje de alguma forma" (como eu teria feito se fosse há muitos anos atrás, onde seria a Melissa agindo e não a Lis), mas sabe, seria uma promessa falsa e vazia, talvez até arrogante, pois eu não cumpriria justamente por querer cumprir.
As coisas só acontecem quando não esperamos e desejamos tais coisas. Sempre aconselho isso, deixar as coisas apenas acontecerem e ver no que elas darão, sem pressa e desejo. É como esperar por um ônibus no ponto, a partir do momento que você se distrair, seu ônibus chegará. Talvez ajudar pessoas e ser ajudada a tempo se encaixe nisso...
Então, para concluir, continuarei sendo hipócrita por estar ignorando milhões de Hannahs na vida real e por ser uma própria Hannah bem no fundinho de minha existência, porque essa sou eu e não há como mudar isso no momento em que eu me encontro, onde fazendo alusão a meu signo nada se encontra em equilíbrio. Espero que você, leitor(a), não siga meu exemplo, mas caso siga estamos no mesmo barco, então vamos brindar nossa podridão humana com Vodka.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Vazamento idiota

Meu corpo é minha própria casa nas quais os olhos são as janelas, que no momento estão vazando água de mar desde a "madrugada troca de anos". O motivo desse vazamento? Não sei, talvez tivesse um motivo antes, porém no momento é só um vazio no peito querendo não explodir uma panela de pressão.
É curioso sabe, você ver as pessoas se divertindo nessa virada, fico contente por elas, contudo também as invejo. Estar feliz é uma coisa que eu gostaria de estar. Talvez eu devesse trocar meu pijama, mas já são 23h27 então acho que não faz diferença continuar com eles tal como minha existência.
Quero parar de chorar, apenas quero. Meus olhos estão ardendo, todo vermelho assim como meu nariz. Meus lábios tremem num soluço vazio, de algo insignificante que é esse choro eterno, mas não sei como para-lo.
Me imagino no mar, afundando lentamente com um vestido negro ajudando a enforcar mais depressa. De olhos fechados e peito vazio. Mas ainda estou de pijama, na frente de um computador, chorando feito uma tola enquanto começo a fazer parte da mobília do meu quarto, no interior de um estado sem litoral.
Gostaria de saber a onde encontrar algum encanador capaz de concertar esse vazamento idiota...