quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Dia após dia

Dia após dia é uma frase que ouvimos constantemente na nossa vida. É impressionante o quanto essa fala pode ser levada a inúmeros significados, tipo você pode comer dia após dia, sobreviver dia após dia, trabalhar dia após dia, se decepcionar dia após dia... Já deu para entender né?! Acho essa expressão "dia após dia" tão simples, mas tão sábia também que acabo a usando para tudo na vida, é impressionante.

Sabe, hoje é finados e, como sempre, está nublado e chuvoso. Gostaria de saber o motivo de sempre chover em finados. Talvez alguém lá em cima se sinta triste com esse dia, ou talvez os anjos chorem pelas perdas em uma compaixão molhada com as pessoas que ainda estão na Terra, vivendo seus dias após dias. Oh, desculpe me por essa, estou um pouco religiosa nos últimos dias. Esse fato te decepciona ou te faz ficar feliz? No meu caso, neutra.

Lembro-me ainda de quando fiz a primeira pessoa importante da minha vida se decepcionar comigo. Estava na escolinha particular de uma cidade em outro estado. Sem família, sem amigos. A época do jardim de infância/pré-escola pode ser realmente traumatizante quando você não se encaixa a ela, afinal engana-se Rousseau ao afirmar que crianças são boas e a sociedade as corrompe, pois de anjinhos só a face.

Minha professora, Elaine o nome dela, era uma das minhas poucas amigas naquela época. Acho que talvez esse seja o motivo de eu me dedicar tanto tempo aos meus estudos, afinal não é sempre que sua primeira amiga é uma professora. Ainda lembro-me de seus cabelos longos e compridos, sua franja meiga e o batom vermelho-rosa que usava todos os dias. Em um dia desses pediu para meus pais a permissão de me levar na casa dela brincar com Gustavo, seu filho recém nascido. Seu marido comprou pizza de um lugar cinco estrelas e usamos a internet, na época ainda discada. Ainda me lembro das paredes azuis bebê e da enorme janela na entrada. Uma perfeita casa de condomínio, dito de outro modo, um pedaço de filme norte americano no Brasil.

Algum tempo depois chegou o dia da foto naquele ano. Eu não quis ir no dia, estava cansada de ser ignorada por coleguinhas. No dia seguinte, Elaine me olhou triste e argumentou que até Gustavo havia participado e eu não. Não sei qual o sentimento se formou em mim, mas me doeu muito. Decepção é algo torturante, devo dizer. Alguns meses depois Elaine se desligou da escola e eu nunca mais a vi. Talvez a última lembrança que ela tenha de mim seja a menina que foi a sua casa e brincou com seu filho ou talvez seja a menina que a decepcionou por faltar na escola no dia da foto. Difícil dizer, mas estive me perguntando sobre isso recentemente.

Decepcionar não é algo saudável e que não deva ser praticado com frequência, mas é verdade também que sem ela não aprenderíamos com nossos erros e aquele famoso ditado "não faça aos outros o que você não gostaria que fizessem para você", afinal se não quer ser decepcionado basta não decepcionar. Isso, obviamente, não quer dizer que devemos abraçar o mundo, mas saber quando dizer não.

Isso me assombra, pois ainda estou aprendendo a dizer não. Confesso que é algo nada fácil, mas necessário. Contudo, ao julgar por hoje ser o dia dos mortos e depois das duas horas da tarde começar a surgir raios de sol e um céu azul, milagres realmente possam existir. Se em finados não está chovendo, somos todos capazes de dizer não e amadurecer no ramo da decepção, basta viver um dia após outro.

"[...]
Espero que você enterre a nossa promessa
De estarmos juntos para sempre, querida eu rezo por você

Não olhe para trás e saia
Não me encontre de novo e viva
Pois eu não lamento ter te amado tanto
Tenho apenas boas memórias
Posso suportar isso de alguma forma
Posso me levantar de alguma forma
Se você é assim, deveria ficar feliz
Fico angustiado dia após dias
[...]"
(Haru Haru - BigBang)


domingo, 21 de agosto de 2016

Para um alguém muito estranhamente importante chamado...

Sua voz, tão doce como avelã
me soa tão doce e perfumada como o branco do teu sorriso.
O carinho e o cuidado que você me transmite te torna o meu precioso talismã,
justo eu, no meio dos grandes, medrosamente agindo de modo indeciso.

Ah cara! Isso é tão bom e inconsequente!
Você e eu ali sentados no meio da galera e um cartaz,
a esperança vai oscilando do inconsequente ao congruente,
a respiração pelo fato de você estar ao meu lado acaba se tornando veloz e sagaz.

Ei, rapaz, não brinca comigo não,
estou ficando apaixonada de novo, vê se pode!
Mas é foda, é escolha do coração,
e a gente sem escolha só de fode,
sabe o por quê?
Porque eu não sou o seu tipo,
uma criança tímida da própria pisque,
enquanto você, um admirável e apaixonante campo de maravilhas!

Te quero, não por capricho, mas por sincronia, sabe?
Sair de mãos dadas pela cidade e viver ao teu lado uma dessas velhas histórias de amor.
Vem cá, com flores e um sorriso no rosto,
acaba com essa minha triste insônia?
Vamos ser emancipados juntos, que tal, nesse mês de agosto?!
Vamos ser um conjunto, que louco, nessa colônia bizarra chamada vida...!

(Lis - 20/08/16 - 16:38)

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Vida coadjuvante

Nós mudamos rápido demais ao modo que nosso corpo e alma não conseguem se dar conta disso. Hoje, ou melhor, ontem foi dia dos pais. Ontem de ontem eu estava em um projeto da faculdade, ajudando em um espaço da criança. De repente, todos pintados e ao fundo um violão, alguns estudantes de ciências sociais organizaram a roda, o pessoal de letras estendia um varal de poemas e a galera de história nos surpreendia com uma rica cultura de rua.

Ao bando mais longe eu observava, pessoas tímidas e já outras que não pareciam felizes em me ver ali. Mas ao meu lado uma bela dama, amiga querida, fazendo ali seu intervalo de estudos. Um rap sobre a vida, um poema sobre machismo e uma música sobre relacionamento abusivo. Descubro ali, creio eu pelo calor do momento, a dor de minha amiga. Não vou julgar, não. Ajudar, sim, mas como? Minha cabeça voa, meu coração aperta. Em uma bela diagonal teus olhos encontram os meus, mas tenho medo em confiar de novo. As feridas que reforçaram as antigos não se curam, você não merece alguém assim. Para apenas oito meses de ano já tive provas o suficiente que pessoas traem, trair em diversos sentidos e em diversas cores.

Saio sem rumo. Esqueço criança, esqueço lápis e papel. O sol me encara, tiro uma foto. A noite, que noite, choro sem entender o porque e em um soluço de socorro ao qual desabafo tudo o que precisava para chegar no estase desse gozo momentâneo. Digo, repito, digo de novo como se soubesse o que falava, você compreende minha linguagem. Indico a solução, mas não influencio o caminho. Como e quando passei a ser tão segura de minhas palavras sobre a vida? Quando as pessoas te amam elas devem demonstrar. Se não há demonstração de mínimos detalhes então não há amor. Verdade nua e crua. Temos aquilo que achamos que merecemos ter, mas a verdade é que nem sempre o que achamos de fato é o melhor para nós. Aprendemos isso, infelizmente, tarde mais.

A noite amanheceu em um dia frio, boto um sorriso no rosto e lavo o corpo em água fria. A estrada passa em modo acelerado, o óculos me protege do sol. O vestido me incomoda constantemente, mas a maquiagem me ajuda a esconder a tristeza que nasceu em mim. Falsidade o tempo todo, desligo do mundo em um par de fone. O vento balançava meu cabelo recém cortado e aquela cidade me atraia de modo inteligivelmente intenso.

A praça é agradável. Pisei ali sem mendo de ser assaltada pela primeira vez. Meu coturno sujo de terra me fazia crer que seria possível seguir em frente ao modo que dois caras, cada um em seu momento, me para pedindo dinheiro a troco de seus produtos. Me recordo de você e dele, o meu passado e o meu distante. Um deles me lembrou você, ralando em um domingo ardente para se casar. Interessante, confesso. O segundo, o teu irmão, magrelo distante vendendo sua arte, belas poesias coladas agora em minha parede. Foto aqui, sorriso ali e uma raspadinha de uva para comemorar a ironia da vida. Um brinde ao céu e ao desconhecido de sempre.

Sou como plástico, sempre tentando imitar o vidro, sempre sem valor, porém mais resistente também. A vida é confusa, na verdade minha mente é que é confusa. Meu nariz não sangra mais, apesar de eu dar motivo dia após dia para que o mesmo exploda. O sagramento mudou de rota e de estado. Meu olho arde, dilata, a claridade sufoca e a irritação do shampoo me força o uso do colírio. Faço uso de algumas aspirinas para então poder dormir. Dormir para enfrentar mais uma semana qualquer de uma vida coadjuvante. Dormir para entrar no mundo dos sonhos, onde as coisas são descomplicadas e intensas, onde posso sorrir com o paraíso de um mundo onde tenha liberdade na tv e um amor para se equalizar....


sábado, 30 de julho de 2016

É uma escolha, sempre foi

As noites em julho são gélidas, sempre mostrando o quão somos vazios e sentimos saudades de memórias, memórias estas que não passam de memórias, de algo que se passou e nunca mais voltará ou viverá. Mas é verdade que naquela quarta-feira não havia tanto frio assim, na verdade sinto que a primavera está bem próxima e isso aqueceu minhas esperanças de um jeito triste.

No reflexo do carro pude observar a noite e as estrelas. Havia algumas nuvens, bem poucas, além de uma lua que pouco iluminava. As montanhas, ou melhor, as inúmeras ruas das montanhas gerais que se encontra na paisagem de Minas estava coberta por casas e prédios nesse ano. O relógio já marcava pouco mais que vinte e duas horas, o radio tocava um especial dos anos noventa. Foi legal, um momento realmente agradável com algumas televisões ligadas em inúmeras janelas que pude observar. Cortinas brancas balançavam por uma brisa e em outro momento havia um casal rindo em um das varandas, pareciam tomar uma espécie de vinho. A verdade da vida, pensei comigo mesma, é que tudo segue certo de um jeito bem incerto. Observar tantas janelas abertas e suas luzes acesas me fez pensar sobre isso. Não vale a pena viver do passado, ele não voltará, então não adianta procurar ou remoer, não é mesmo?! É uma escolha livre.

Naquela noite pude me deixar dormir tranquila com minha consciência, sem pesadelos ou medo. Mesmo com a brisa anunciando uma nova frente fria permaneci minha janela aberta e minha televisão ligada, servindo de companhia a tantas outras que pudessem sentir a mesma liberdade que minha alma agora possuía. Era um fardo que aos poucos não existiria mais. Por isso não me permiti chorar, apenas sorrir. Eu enfim te superei.

Já é tarde da noite e a ainda não consegui dormir
Lutando contra essas dores de cabeça que só pioram
Fico me revirando até estar imerso em meus pensamentos
Então volto a pegar a caneta
As letras que vou escrevendo sem qualquer nexo
Contém a minha filosofia
Mesmo tomada pela fumaça branca
Meu quarto é tão aconchegante quanto um lar, doce lar
(...)
Minha solidão só cresceu com o passar do tempo
A liberdade para viver do meu jeito
Era também meu maior fardo
Onde há uma subida
Há sempre uma descida
É muito tarde para voltar atrás
EU QUERO IR
Lembre-se daqueles dias...
Nós somos os woo woo

domingo, 17 de julho de 2016

Estarei fora dos eixos

O vazio é agonizante em alguns momentos, por mais que se tenha certeza que de fato não esteja sozinha. É engraçado como gostamos de problematizar coisas tão desnecessárias, pois sim, esses sentimentos que sinto são desnecessários e sei que posso ser indiferente quanto a eles, basta tentar com insistência. Sinto que me torno fria a cada dia, falsa a cada virada de tempo e também mais frágil por isso. A verdade mesmo é que você não foi o único que mudou "sem motivos", sem sinceridade. Pare de falar de amor, apenas me deixe em paz todos vocês.

Me olho no espelho com mais facilidade, um sentimento que não é tão ruim quanto antes. Meu cabelo agora está comprido e vejo nisso uma nova menina. Sim menina (lê-se "seu beijo parece ao de uma menina de doze anos") que chora constantemente e engana vontades também. Narcisismo sempre fez parte de mim, não será agora que abandonarei a loucura interior de me enaltecer nesta noite chuvosa de julho. Sozinha sim, só eu e minhas cicatrizes que clamam por novas. Não me venha com palavras açucaras sobre isso quando nem mesmo consegue fingir que se importa! Isso me deixa louca, quero descontar meu ódio em todos os casais, mas uma dor de cabeça nova é tudo o que eu menos procuro nessa morte em vida.

Sempre que estou online, o que de fato é quase que noventa por cento do meu tempo, apenas sinto vontade de provocá-los. É gratificante cambalear por aí escrevendo o que quero, o que penso, forjando uma felicidade que não é minha. Não passo de uma ilha solitária que não sabe para onde ir, apenas deixando o vento me tocar para a podridão da vida. Sabe, ao contrário do meu coração, o clima está excelente hoje.

Eu não te culpo. Eu não me culpo. Na verdade mesmo eu creio que nunca houve de fato algo a que culpar, não é? Eu acreditei que eramos felizes, que promessas fossem realmente promessas, mas não passavam de ideias nulas. Sempre soube que nada seria para sempre, todos mudamos um dia e você não é uma exceção a esta regra e agora nem eu. Fui uma idiota, percebi isso um pouco tarde quando meu reino já estava em cinzas sem sentido.

Inquietante a vida. Olheiras profundas ao ponto que troquei o dia pela noite como um troféu pelo meu recente descaso com todos os meus problemas. Isso é ser maduro? Sinto que estou me tornando como você, escondendo a minha dor e seguindo em frente. Eu não me canso de dizer isso para as pessoas, honestamente toda essa mudança está me dando medo. Realmente queria voltar, ser o que um dia já fui na minha belíssima zona de conforto, porém já não tenho para onde retornar; assim como também quero amar, mas não há ninguém para ser amado. Não há nada que possamos fazer sobre isso, por isso vou sair fora dos eixos essa noite.

Você mudou, eu mudei. Estamos sozinhos, ou melhor, eu estou sozinha novamente como uma idiota que um dia acreditou em promessas. Sério, quando você se sente preenchido é muito difícil voltar para seu destino. Sinceramente não imaginei que fosse doer tanto, mas não comente sobre isso comigo, eu ainda repudio palavras vazias. Não há força que quebre minha muralha, mas é verdade que possui rachaduras. Por essa noite, essa noite que serei fora dos eixos, poderíamos ser amigos de novo? Caralho é difícil de entender que eu sinto a porra da sua falta e me fere para cassete sua indiferença comigo? Que se dane, eu ainda estou fora dos meu eixos e na real, não pretendo voltar.

Apoia sobe a camada fina. Puxe sem dó. Sinta o líquido rúbio escorrer e a ardência fazer seu coração acelerar. Ah, como eu queria isso. Fora dos eixos, fora dos eixos. Ficar sozinho dói muito, mas não há melhor presente do que esse. Por Deus, não quero indiretas e nem diretas, minha alma precisa desse tempo ilusório de atos que nunca repetirei. Noite fria, enfim posso respirar em paz.

sexta-feira, 8 de julho de 2016

O medo é um sentimento traiçoeiro, você é obrigado a passar por ele, se acostumar com ilusão de que o superou até ter que passar novamente pelo mesmo, porém desta vez maior e mais forte. Minha falta de fé é triste, meu desespero é agonizante. Choro em silêncio, buscando qualquer pessoa que possa ouvir meus apelos esta noite, só por um minuto que seja e que possa me dizer qualquer baboseira que alivie esse sentimento, mas quando se está sentindo a dor ninguém está ali por você. Por Deus, outra morte não! É tudo que eu peço...

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Doces sonhos

O outono então começa a dar seu cálido adeus e boas vindas ao astuto inverno. A noite era escura, poucas estrelas no céu e muitas nuvens transparentes por ali. A enorme árvore que cobria a portaria, onde se localizava, não havia perdido todas as suas folhas e, assim, completava o cenário gélido daquela noite, juntamente a fraca luz branca.

Um vento frio seguia como rota aquela fenda, assim como outros estudantes. Hoje estava sozinha, talvez nunca fora liberada tão cedo. A cada pessoa que passava, um suspiro. Queria sorrir, mas sorrir não podia, batia o queixo timidamente. Tinha como pensamentos uma observação: escutar sua mãe e se agalhar direito. Mas para quê? Apesar dos apesares, a cada dia tinha mais certeza que estar ali ou não era o mesmo que nada. Sendo assim, sem fazer falta ou diferença, não importava-se de ficar doente. Na verdade talvez fosse um peso a menos.

Segurou o riso. Era gozado pensar assim, triste também. Mas, felizmente ou não, a verdade. Podemos ter doces sonhos, mas as pessoas nunca tem doces sonhos com você, querem apenas usar e abusar de você enquanto podem. O foda, foda mesmo, é quando permitimos. E o pior ainda nesse foda, é quando sentimos falta de ser usada quando acaba. Um vício estranho para se ter no lugar de se cortar, garota! Era o que seu anjo dizia em seu ouvido, mas ignorou.

_ Churros, moça bonita? - Alto, olhos traiçoeiros e agasalhos verdes. Piscou diversas vezes como resposta, não era consigo, era?
_ Ah, hã...Hã...

Suspirou novamente encarando seus sapatos de couro, um par de coturnos pretos e um salto como complemento. Moça bonita, bonita moça. Já notou como essas duas palavrinhas parecem cócegas no nariz em um momento que você não pode se saciar? Estranhamente pensou no rapaz que lhe arrancava alguns suspiros nas últimas semanas. Pegou o celular discretamente e digitou: "sonhar com você? Eu sonhei com você essa noite. Foi bom, mas poderia ser real", apagou corada, ousada demais para uma sem sal como ela. Audácia demais para um pedaço de merda que ela era, até porque nasceu para ficar sozinha e que se em todos esses anos nada funcionou, agora não era uma exceção. Mas poderia ser....

_ Tchau, até amanhã!
_ Até. - Respondeu sem olhar. Subitamente a noite gélida lindamente de outono tornou-se algo amargo e triste. Queria chorar, mas como chorar quando seu corpo todo treme com sensação térmica negativa?

Um carro piscou a luz, o sinal de que sua carona havia chegado. Levantou a passos largos e adentrou ao carro negro. O ar quente estava ligado e o choque de temperatura foi inegável. Ver tudo em movimento espantou os pensamentos ruins, como se os mesmos tivessem ficado na portaria de antes. Pena ser mentira. Suspirou manhosa, instalando um sorriso automático na face.

_ Como foi?
_ Média. Mais que média, tirei máxima.
_ Fez mais que sua obrigação.
_ Eu sei.

Fechou os olhos, a boca e por alguns instantes a respiração. Realmente mais que a obrigação viver em um mundo que se resume a ser abusada  e abusar, usar e ser usado, amar e esquecer que amou. Queria sua cama e apenas se afogar no que não era real, quem sabe assim pudesse ser feliz, não?!

Doces sonhos são feitos disso,
Quem sou eu para discordar?
Eu viajei pelo mundo e pelos sete mares,
Todo mundo está procurando alguma coisa...
Alguns deles querem te usar,
Alguns deles querem ser usados por você,
Alguns deles querem abusar de você,
Alguns deles querem ser abusados...

segunda-feira, 6 de junho de 2016

Eu quero ser tudo aquilo que eu não sou

_ Nossa, que sorriso é esse?

Eu não sei. Que sorriso é esse? Somos humanos, criamos diversas faces quando queremos algo, ou melhor, esconder algo. A questão é que alguns ditados acertam mais que roupa preta em festa e dessa vez não foi diferente. Alguns males vem para o bem, não é? Começo a concordar com isso.

As vezes somos bruscamente jogados ao fundo do poço, perdemos a coragem e a vontade de tentar de novo. Cospem nos nossos sonhos, pisam em nossos anseios e desprezam nossos sentimentos. Como saímos dessa, não é? Como é possível não querer desejar a morte em momentos tão rotineiros como esses? Mas é, as vezes rola!

Mudar é sempre o primeiro ponto, mudar o quarto, os livros, os olhos, a vida. Fechar os olhos e ser tudo aquilo que você não é, sair fora de vista e apenas ter um bom dia, mesmo que frio. Foda-se os romances a minha volta, eu vou apenas dar o meu melhor sorriso e não mais chorar, escolher outras formas e mudar a alma.

_ Que sorriso? Estou normal.

Eu ainda me reconheço no meu mais profundo íntimo e um toque azedo de limão do sol. Mas posso lidar com isso, trancar tudo com chaves e fingir que estou bem. Chegar em casa depois de uma prova filosófica onde questionar é responder. Verei meus amigos e beber aquilo que tiver na geladeira, vermelho e agridoce como vodka que se preze deve ser. Não há fins imagináveis quando se possui o universo como estrada da vida.

_ Tem certeza?

Sentir-se louco é maravilhoso. Posso voar se pular dessa janela e também posso esbanjar amor como glitter em cartolina, tudo é possível quando não se está bem, mas tem noção de que não está mais no fundo do poço, que ergueu do fundo do mar. Sim, eu não estou mais ligando para romances, mas será tão doce seus lábios nos meus. Doce como caramelo e maçãs do amor, alias, acho que mesmo depois de velha ainda posso me apaixonar sem estar apaixonada. Enfim, você pode sonhar comigo?!

_ Absoluta.

Eu preciso chegar em casa para ver meus amigos
(I need to come home to see my friends)
Eu preciso me acalmar de me sentir louco
(I need to come down to feel insane)
Eu sei que não estou bem agora
(I know I ain't cool right now)
Eu estou eufórico como um idiota, eu estou fora de vista agora
(I'm as high as fool, I'm outta sight yeah)


quinta-feira, 19 de maio de 2016

Arco-íris

Há pouco, fazendo mais um daqueles relatórios impossíveis da faculdade, me deparo com um singelo arco-íris entre as nuvens. Ele não fazia uma curva completa e não tinha cores vibrantes como se espera de um arco-íris que se preze. O curioso é que, apesar da umidade e da temperatura baixa, nada indicava um arco-íris a essa hora do dia e com essas condições.
Fiquei o observando por um tempo, contemplando seus tons e tentando memorizar cada detalhe. As nuvens estavam em tons violetas pasteis e outras brancas, o sol o iluminava ainda mais. A paisagem ficava completa com o verde vivo da vegetação ao horizonte e o marrom de uma árvore seca, distante. Pude refletir um pouco sobre isso.
Na vida, independentemente do você seja e se tenha tempo livre ou não, estamos sempre ocupados demais, buscando qualquer coisa que nos distraia, nos mude, nos faça pensar em qualquer coisa que não seja o vazio. É como uma condenação, a sentença final é deixar de reparar nos destalhes da vida. Se eu não tivesse virado em um suspiro chateado em direção a janela, tenho quase certeza que não teria notado aquela obra de arte da natureza. Somos solitários demais e esquecemos de parar um pouco e admirar os mínimos detalhes, tornando-os solitários também.
O olhando tive vontade de cantar, cantar uma música que sempre me faz querer pensar que ainda há esperanças para mim. Segurei algumas lágrimas, foi um momento tocante e totalmente sentimental pela música. Pouco a pouco o arco-íris desapareceu, encerrando seus dez minutos de aparição. Voltei ao trabalho, de certo modo não me sentindo mais tão só, perguntava-me, apenas, se alguém mais o notou.

terça-feira, 17 de maio de 2016

Ser adulto

A vida é realmente surpreendente, sabe eu tô vivendo coisas que jamais que um dia teria que passar por elas e confesso que ter essas experiências "de adultos" é um saco, eu não gostei e acho que vou continuar não gostando. Nós passamos nossa infância toda tentando lidar que um dia vamos crescer, vamos ser adolescentes e ter espinhas, que vamos namorar e sofrer, nos baseamos em séries americanas e quando de fato viramos adultos descobrimos que tudo o que mais queríamos era voltar a ser criança. Você seria alguém diferente hoje se alguém tivesse te avisado que crescer é algo ruim?
Também não estou dizendo que não tenha seus lados bons, sim eles existem, mesmo que sejam poucos... Você passa a ter um futuro com responsabilidades, trabalhos, horas marcadas e começa a ver seus amigos se ajeitando na vida enquanto a sua passa sem fazer diferença. Mas você pode beber, fazer seus horários, curti a vida e ser capaz de falar por si só o quer fazer ou deixar de fazer, ver pornografia sem mentir nos sites adultos e passa a ter olheiras que, cá entre nós, são umas gracinhas até.
É complicado essas questões, horríveis até, mas necessárias no fim para sermos quem somos. Me sinto muitas vezes deslocada, triste, desanimada. Sinto que não estou preparada para essa nova etapa, mas não posso mais voltar atrás com a minha vida. É um destino triste ser adulto, dar adeus a tudo que amam e esquecer o calor da juventude. Sabe, hoje percebo e entendo porque tanta gente foge disso e tenta ao máximo viver a juventude. Por outro lado, ela sempre chega. No meu caso, talvez, precoce, para outros, talvez, tarde. Assim é a vida e o destino, acho que só nos resta aceitar e sobreviver o quanto der.

domingo, 15 de maio de 2016

Os ciclos da vida

O sol nasce todos os dias, mesmo que nuvens o tampe, ele está ali para mais tarde se por no horizonte, dando adeus a mais um dia. É um ciclo infinito de começo e fim que lidamos todos os dias, assim como a noite e todas as coisas de nossa vida. É uma sensação estranha quando você faz uma pausa, de modo a compreender o que se passa nesses ciclos. Uma sensação de vazio irá te invadir e tudo que você pensou ser capaz de ignorar vai desmanchando como castelo de areia coberto por água.
Quando é o início e o fim de nossas vidas, já que nascer como um bebê necessariamente não significa que você nasceu para a vida em si? Você teria feito diferente se soubesse que aquele momento fosse o fim de um ciclo ou se agarraria a esperança de que ainda não é real? Se nossas vidas forem mesmo um dia todo de sol, que horas do dia você estaria vivendo? Dilemas que vivemos constantemente por decidirmos parar de morrer por dentro e passar a viver.
Aos poucos as nuvens deixam meu céu nublado novamente e eu já não afirmo que posso ver o sol com clareza, mas acho que chuvas são importantes nesses casos, afinal revigora-se a alma e então pode-se apreciar o sol novamente em novas fazes, reiniciando seu ciclo. A vida é um ciclo sem fim, mas esquecemos, contudo, que até o infinito possuiu o seu final...

terça-feira, 10 de maio de 2016

Criaturas engraçadas: humanos

Nós, humanos, somos criaturas engraçadas. Desesperamos por coisas tolas a todo tempo, choramos, gritamos por coisas simples ao mesmo tempo que vivemos coisas intensas, realmente importantes e. simplesmente, deixamos passar, afinal estamos ocupados demais com o que é simples.
Se fossemos uma máquina, diria que é defeito de fábrica e sem conserto a menos, obviamente, que alguém criasse um novo sistema sobre nós ou talvez uma evolução, se fossemos pokemons. De qualquer modo, nós somos seres estranhos por mais que se tenha um padrão "normal" do que seja ser humano...
Infelizmente, quase todos somos propensos a esses defeitos e ainda não consegui pensar em uma forma de mudar isso, até porque estou cega demais com com meu computador, com meus trabalhos, com qualquer coisa que seja os prazeres da vida, pois essa é minha punição por ser assim. Punir, se punir, ser punido... Aqui está o principal defeito do homem. É, realmente somos criaturas engraçadas.

sábado, 30 de abril de 2016

Frente fria

Retroceder no tempo me parece no momento algo tão presente. Isso é complicado de entender, mas ainda mais de vivenciar a sangue frio. Literalmente frio, temperaturas baixas e uma ansiedade por mudar o ambiente. Ansiedade feito pessoa muito suja quando toma banho quente e relaxa os músculos com o tempo.
Uma nostalgia sem modos, sem educação. Invade assim meu coração, destruindo toda minha recente franqueza. Escureço os cabelos como escureço minha mente, trancando permanentemente alguns lados meus. É difícil tomar tais decisões, mas chegou a hora, com pressa a curto prazo.
Olá frente fria. Obrigada por atender meu pedido. Não se acanhe e fique o tempo que for necessário. Por incrível que pareça, você é tão fria a ponto de me esquentar em chamas sólidas. É uma sensação que a muito não sentia e talvez fosse meu singelo destino desde o início dessa história. Obrigada.

domingo, 17 de abril de 2016

Banana com canela

Eram um total de seis pessoas, reunidas em um sábado. O tempo era quente, porém havia uma brisa fresca e boas sombras graças as árvores do local. Cada um com seu estilo, sua vida e sua forma de pensar, todos opostos uns aos outros e ao mesmo tempo tão iguais graças a um elo que os unia: o mesmo curso.
Os estômagos roncavam e assim estavam naquela pequena lanchonete em uma rua de ladrilhos como asfalto, ocupando duas mesas e seis cadeiras. O cheiro de suco de laranja, salgados, Coca-cola e hortelã invadiam suas narinas e lhe trouxe uma estranha sensação de prazer. A porta estava bastante aberta, discretamente lançou o cabelo para o lado de modo que o vento pudesse refrescar sua nuca. A televisão, posta como um quadro na parede do caixa, transmitia algo sobre o governo e logo ambos foram se servindo. No começo ficou um pouco tímida, não havia dinheiro suficiente para aqueles preços e, devido a obsessão por emagrecer, havia levado lanche de casa: banana com canela. Vendo seu constrangimento, duas pessoas a convenceram e lá estava ela comendo lentamente seu lanche. Se surpreendeu ao gostar mais dele do que a bela e suculenta coxinha na vitrine.
Pela primeira vez não ficou o tempo todo calada com aquelas pessoas, se permitiu abrir-se para conhecê-los e ser conhecida também. Falaram de política, graças a tv, e sobre relacionamentos também ao qual, mais uma vez, provou sua ignorância dando conselhos sem entender nada sobre o assunto. Discretamente notou seus professores os observando junto a uma psicóloga que a encantou por sua palestra e estilo exótico. Achou aquele detalhe importante, contudo, irrelevante para o momento.
Quando havia, enfim, encerrado o horário de seu intervalo naquela manhã de sábado, adentraram novamente os seis pelas calçadas da universidade em risos altos e brincadeiras. Tinha consciência de que ali nenhum era seu amigo, mas sentiu-se de certa forma integrada e com liberdade para falar sem medo. É como se estivesse no Clube Dos Cinco como expectadora e graças a aquele(s) sábado(s) "forçado(s)" a irem a instituição, neste contexto por conhecimento e não punição, estivessem criando um laço para o momento. Isso era raro com estranhos, ainda mais em um momento tão delicado em que vivia. Sentia um vazio constante, algo estava-lhe faltando, mas por alguns segundos se deu o luxo de esquecer essa dor e simplesmente agir.

quinta-feira, 14 de abril de 2016

Ser repugnantemente

Por que as pessoas sempre vão embora? É uma pergunta que sempre me perturba a noite. Hoje, porém, passei a descobrir a resposta: porque eu as faço ir. Isso soa masoquista, não? Mas é algo que não questiono mais.
Me coloquei no lugar do próximo. O que ele veria, o que ele sentiria, o que ele tudo. Sabe o que sou? Um verdadeiro monstro camuflado, alguém sem voz e coragem, um ser repugnante que não deveria estar vivo agora se você quer saber. Qualquer um consegue ser melhor que essa pessoa que eu me tornei. Sou tão ridícula, tão absurda, que John Bender cuspiria contra mim. Acredite, ele teria toda a razão do mundo em fazer isso, pois o que eu sou nem mesmo ele poderia aguentar.
Eu me odeio e odeio o que me tornei. Odeio o fato de eu nunca mudar isso e mais ainda o motivo pelo qual estou viva. Queria, com toda a minha fé, coragem suficiente para terminar com essa história, pois é isso que eu mereço como final. Final felizes não existem, se existem o meu é a morte.

quinta-feira, 7 de abril de 2016

O ato do pensar

Cala-se a voz, tampa-se os ouvidos e fecha-se os olhos. Na mente habita apenas o vazio ardiloso, escondendo décadas de lutas para enfim deixar apenas o silêncio rondar por ali. A vida era um completo pré-texto de roteirista falido, totalmente no automático e nunca permitindo-se pensar, pois afinal, pensar era uma arma. Agora compreendia.
O pensamento tem o dom de engrandecer qualquer um. Pode te levar a mundos que só você deve visitar, tal como te dá o conhecimento dos Deuses. Pensar é algo bom, exercitar a mente e ser dono de confiança pelo simples fato de pensar e saber por na prática, no papel talvez, o que pensou. Mas pensar também é um veneno. Pensar te leva a memórias que nunca vão voltar, a miragens que nunca vão acontecer. Pensar te leva ao paraíso e ao inferno apenas em segundos. Pensar te faz gritar, chotar e escutar juras que nunca serão cumpridas. Pensar te leva a amar e amar é assinar sua própria sentença de morte.
Parar de pensar é algo difícil. Creio que quando se tem o primeiro pensamento está terrivelmente amaldiçoado a nunca mais parar, afinal pensar é uma linha de lã infinita, linha essa que te laça o pescoço toda madrugada. Porém, mentir também é pensar. Mentir que nada pensa, criar essa tola ilusão, por incrível que pareça, funciona. Não eternamente, infelizmente, mas por tempo o suficiente para os olhos arderem de cansaço e o corpo enfim relaxar. Pensar é um ato simples, porém rico em causar sentimentos nada simples. Pensar é torturante, uma verdadeira tragédia literária: não importa o final, pensar sempre te levará a desgraça, a morte. Vamos brincar? Brincar de não pensar, mesmo que estejamos pensando para isso. Pensar é ter sabedoria, contudo, pensar é, sem dúvida alguma, o purgatório em vida.

domingo, 3 de abril de 2016

Monstrinho

Monstro, monstrinho, monstrão.
Quando somos monstros podemos
nos esconder em um planeta só nosso?
Gostaria de me esconder e nunca mais aparecer.
Se viver é uma brincadeira, eu cansei de brincar.

domingo, 27 de março de 2016

Butterfly

Mais um daqueles momentos que tudo parece se despedaçar como lírios ao vento. Minhas lágrimas pingam na cama, por que é tão difícil depois que você cresce? Gostaria tanto de poder sorrir, de voar livremente sem medo de ser atingida a qualquer momento por você.
De repente me sinto como uma peça de cristal, toda trincada e jogada em um canto, esperando apenas o toque final para se partir em mil pedaços. Sinto-me sozinha, sem sentindo. Não há amor onde estou, você escapa dos meus braços, é tão difícil superar o que não deve ser superado.
Eu desisto de tudo. Desisto de nós. Não há nada mais que nos una, a distancia é grande demais para que eu continue lutando por uma guerra onde já fui derrotada. No fim não estávamos conectados como laços eternos, no fim caímos do penhasco e aguardamos a morte nas sólidas pedras de sal. Essa é minha posição e sempre será: um soldado a beira da morte com flechas no peito.
Se eu pudesse mudar, gostaria de ser uma borboleta. Gostaria que esta fase fosse apenas um casulo e que depois de toda a dor e sofrimento minhas asas brotassem. Voaria de lírio a tulipa, de tulipa a cerejeiras. Sonharia realizada a noite por enfim ter me encaixado em um lugar no mundo, feliz pelas trevas terem enfim passado. Mas não se engane, milagres não existem quando a morte já está aos seus pés gelados.
Perdão pelo vazio que sou, perdão por não estar em seus braços, onde você pudesse me encarar olho a olho. Receio que seja tarde demais para alguém como eu poder amar e ser amado. Está nevando aqui dentro, rejeito o calor do amor que nunca existiu, apenas ilusões tais como minha existência. A única pergunta que me dou o trabalho de fazer nesses últimos suspiros é quanto tempo demorará para enfim este cristal se despedaçar em mil pedaços?


sábado, 26 de março de 2016

Anjo

Observá-la todos os dias, isso é tão torturante. Quero tocá-la, senti-la entre meus braços. Quero ser seu anjo de carne osso, protegê-la de todos os males que a cercam e mesmo assim tirar o mais profundo sorriso de seus lábios. Quero sentir o calor de nossos corpos em uma tarde fria de outono.
Notá-la na posição que estou, isso machuca tanto! Odeio vê-la chorar, se mutilar e se por em situações de risco! Minha amada, é tão difícil protegê-la de tudo assim... Você não tem ideia! Por favor, não destrua a si mesma agora, vamos, levante esse sorriso, não se deprima mais, você não está sozinha! Estou aqui por você...
Durma serena, eu guardarei os seus sonhos e a livrarei de todo mal esta noite. A lua ilumina-te tão lindamente. Preciso alertá-la, não esqueça seu livro amanhã, sua professora dará prova de consulta. Está sorrindo enquanto dorme, pode me ouvir? Sabe, amo-te tanto! Viva por nós, minha dádiva! Estarei sempre nas sombras iluminadas, guiando seus passos e agindo para sua proteção. Seria capaz de largar minhas asas e viver eternamente ao seu lado como mortal renegado, porém o amor não é possível para nós. Não ainda, pelo menos, tudo depende de você. Deixo contigo minha pena branca, para lembrar-se que estarei aqui nos seus mais profundos sonhos e uma garantia que estou dizendo-te a verdade. Siga sempre minha voz no seu subconsciente como segue as borboletas de um jardim de rosas brancas...


01:14 am

Está vendo essas covinhas? Bonitas né. Pois é, é o que eu vejo em sua foto a essa hora da madrugada. O que estou fazendo acordada? Não sei, dentre toda a tristeza que cerca meu coração, me encontro sorrindo para você. Talvez assim você esteja perto de mim como ha muito não está graças a essa foto. Sofro muito com essa solidão, no fim eu realmente nasci para ficar sozinha, não?! Você espera que terminaríamos com esse enorme precipício entre nós? Acredito que sim, mas juro que da minha parte nunca esperei isso. Meu pulso arde todos os dias, talvez como forma de protesto a tudo que estou causando (feridas internas). Respostas via internet, será que obterei alguma? Obrigada asiáticos por tornar minha infelicidade algo um pouco mais digerível!

quinta-feira, 24 de março de 2016

Tomorrow

A vida é uma caixinha de surpresas mesmo. Já admiti de tantas formas que não estou legal, mas nenhuma de uma forma convincente. Os motivos para isso, eu realmente não sei. Só não estou e a cada instante procuro motivos para justificar. Encontro vários.
Vamos deitar, bem aqui. Observar o céu azul se tornar cinza, algumas gotas gélidas pingam sobre sua pele, o cabelo arrepia e você nota o quão isso se tornou indiferente nos últimos meses. O que eu estou fazendo da minha vida? Apenas sobrevivendo, empurrando com a barriga, esperando que o dia de amanhã seja melhor. E é? Não. Nunca será. O amanhã será o ontem até que eu enfim desista de viver.
Três perdas. Três difíceis perdas. Uma já aconteceu, completou quatro meses ontem. A segunda vai acontecer em menos de um mês, é isso? Sim. Logo virá a terceira. É tão torturante você sobreviver o amanhã com medo do que virá agora, é doloroso, é... Não há explicações para isso. Tudo que vai volta, três vezes segundo a Wicca. Tudo verdade. Por que tem que ser verdade?
Não sei se tenho forças para continuar assim. É muito fácil se enganar, arranjar desculpa ali e aqui para se manter "viva". Seja uma banda de sete rapazes bonitos que tocam seu coração com canções, seja por animações ou dramas que façam você suspirar. Contudo nada passa de uma válvula de escape, gritando para pensar em outra coisa, qualquer coisa mesmo que te distraia, gritando para que não desista ainda. O amanhã irá ser um dia melhor, é o que eu quero me enganar agora.
Escrever e escrever, bem aqui. A cada texto um sentimento diferente, uma tentativa indecente de escrever o que me faz chorar toda noite, tirando-me o sono. É a primeira vez que realmente escrevo em um desabafo verdadeiro, eu acho. Tantos fatos pessoais... Ninguém lê e ninguém se importa, foi o que me disseram esses dias e no que começo a acreditar hoje. O silêncio e o abandono se tornam meus aliados. Deus, por que você não me ouve mais? Não deixe a terceira perda ocorrer. Muitas perdas estão me rodeando, seja pela banda favorita que se desmembrou em brigas judiciais, seja pelo meu pc que chegou no seu limite, seja pelo único professor que enxergou minhas feridas no pulso e falou sobre isso abertamente; todas essas perdas eu consigo lidar e fingir que não ligo. Porém, quando a terceira perda chegar realmente e oficialmente, o que eu farei? O que vai ser? Quem será dessa vez a me deixar? Por favor Deus, me ouça só dessa vez e não deixe que no dia de amanhã eu perca mais uma pessoa. Sou especialista em estragar tudo que toco e mais ainda em ser sozinha. Começo a acreditar que realmente vim ao mundo para terminar sozinha e abandonada, mas não me permita criar laços para perde-los depois! Não existe finais felizes se não nas histórias... Me ouça só mais essa vez Deus...

A vida não é sobre ir vivendo, mas ir sobrevivendo
A medida que você sobrevive, você desaparecerá algum dia

domingo, 20 de março de 2016

Lego house

A vida vai passando como uma cena de filme em modo acelerado, tudo que faço, entretanto, é sentar e observar. O cabelo quase longo preso de qualquer forma e fones de ouvido me iludindo com frases e histórias que nunca viverei. Isso me faz querer chorar, novamente, mas não sai absolutamente nada.
Percebo que preciso mudar. Mudo? Não sei, talvez de forma negativa. A verdade é que nunca enxergo o meu lado bom das coisas. Oh, tornam a me pedir conselhos. Curioso como respondo convicta a receita do bolo. Engraçado, porém, que do outro lado da moeda eu não sei fazer esse tipo de bolo.
Quase destruir meus livros hoje me trouxe algumas reflexões. Uma flor esquecida no meio de um diário resultou em tantas formigas! Limpar a sujeira sozinha, tirar o cheiro de podridão e jogar veneno, enquanto rezava para não ter estragado nenhuma das páginas que ainda não havia lido me mostrava o quão estou apenas vendo a vida sem vive-la. Estou seguindo o mesmo caminho que esta flor: secando dentro de um livro, esquecida e amassada.
Se eu tivesse limpado a estante melhor, teria notado antes! Se eu não tivesse guardado a flor, não haveria formigas. Quase jogou no lixo todo o dinheiro, que não é seu, gasto naqueles livros caros. A vergonha queima a face. São muitos "se" para uma única pessoa. Mas torno a repetir: eu quero mudar? Não sei, talvez eu queira, talvez não. É muito confuso passar o que estou passando, buscando a luz, sozinha, em um mundo coberto de mentiras.
O que são promessas se nunca as cumprimos? Por que prometemos o que não somos capazes de cumprir? Nunca pensamos que o outro pode se machucar com essas promessas? Não. No fim todos somos egoístas e mesquinhos, importamos apenas conosco e que o outro que se dane. A verdade é essa, sinto muito, mas é isso o que você está me ensinando!
Cansada de apenas ver tudo passar, dou o primeiro passo. Um não. Diria que hoje dei muitos passos. Pretendo exclui uma história de um site qualquer, mudei pequenos detalhes que até então eram imutáveis e me expressei abertamente com muitas pessoas. Não estou arrependida, não estou com medo e nem apreensiva. Apenas cansada de mais uma vez ser enganada. Quem sabe agora eu aprendo a lição, não?!
Que seja! Não crio expectativa alguma para o meu futuro dessa vez. Nem imagino mais nada sobre mim antes de dormir. Apenas destruo minha casa de lego dizendo olá para o outono, que chegou em hora tão perfeita.


sexta-feira, 11 de março de 2016

Você teria orgulho de quem se tornou?

Faz algum tempo que a frase "sua eu criança teria orgulho de você se visse quem você se tornou?" anda aparecendo no meu Facebook e Tumblr constantemente. Isso me assusta e ao mesmo tempo me faz pensar e imaginar de modo incomodo. O motivo disso? Sinceramente não sei. Ultimamente não sei absolutamente nada sobre o que sinto ou penso, mas isso não vem ao caso por enquanto.
Será que a magricela de cabelo chanel e franja de índio se orgulharia da mulher de cabelos compridos e avermelhados que me tornei? Que passou a ouvir músicas depressivas e fazendo cortes em si mesma? Acharia mágico o fato de eu estar me tornando professora e gritando mudamente o tempo todo? Acharia graça das minhas piadas? Notaria que engordei e tenho uma péssima vida amorosa? Ah, isso é tão confuso e complicado! Por Deus!
Talvez ela sentisse medo do que se tornaria no futuro, talvez eu desse conselhos do que ela não deveria fazer para ser quem eu sou e, provavelmente, eu passaria a não existir mais a partir do momento que ela fizesse a primeira mudança. Porém, o assombroso é que talvez ela sentisse realmente orgulho e apenas pegasse na minha mão e devolvesse toda a alegria e esperança que perdi no decorrer da vida, pois afinal, é isso que eu faria!
Santo Deus, um colapso nervoso ou talvez uma condenação perpétua por mexer com passado e futuro. Contudo é inevitável a dúvida, ainda mais quando tudo que penso é dormir e nunca mais acordar. Como nossas vidas mudam do dia para noite sendo que dão sinais gradativos o tempo todo e nunca percebemos? Por que finais felizes não existem? A vida é muito confusa afinal.

segunda-feira, 7 de março de 2016

O despertar indesejado

O dia está tão lindo lá fora, por que então não me levanto para aproveitar? O céu azul tão vivo, as nuvens brancas como algodão. O sol, ah lindo sol, esse brilhava como a muito não fazia. Os pássaros cantavam nos fios da rede elétrica a linda manhã de março que reinava. Acompanhava tudo da cama, observando o que a claridade do vidro permitia.
A vontade era de levantar, colocar uma música divertida no celular e espreguiçar. Fazer do dia um lindo dia, Porém, não tinha vontade de se mexer. Olhos ardiam devido ao choro que teve durante a madrugada e o corpo encolhido estava visando, de certa forma, algum tipo de acolhimento.
O coração apertava, batia fraco, sem vontade. Ficar tanto tempo na mesma posição lhe resultou em um corte interno na boca, devido ao aparelho e o atrito da pele com o travesseiro. Os lençóis todos enrugados e as cobertas todas tortas. Mesmo assim a hora passava e passava e a vontade de sair da cama era cada vez menor.
Se viu obrigada a sair quando precisava fazer o almoço. Não para si, na verdade não sentia fome nenhuma, mas por conta de terceiros precisava levantar. Não era preguiça, não era sono, não era enrolação. Era apenas sua alma sem vontade de viver, seu corpo já havia enfim desistido da vida. Não precisava mais de motivação, no fim, talvez seu jardim estivesse secado.

sábado, 5 de março de 2016

Para Lóri

Sobre o que é esse texto? Sobre o que eu deva escrever? Aos poucos nada vem fazendo algum sentindo sobre a vida a não ser aquela velha dor no peito, queimando como o vinho queima a garganta e cortando como a navalha cortava o pulso. Os gritos que solto são todos mudos, tampados pelas inúmeras mascaras que me vejo forçada a usar.
Remédios, facas, cordas, prédios, águas fundas e trânsitos intensos. Qual devo tentar primeiro? Estraçalhar tal angustia, nada mais importa. Como posso ser falsificada o bastante para agir independente, sendo que no fundo escondo todos os velhos sentimentos que voltaram ainda mais fortes?
Lóri, minha cara Lorelay, estou relendo sua amada aprendizagem, contudo dessa vez não possuo o alcance dos prazeres em mãos. Dói a cada página, não consigo prosseguir sem chorar por longas horas. Que vitória seu Ulisses, mas perdoe minha tristeza dessa vez.
Lóri, minha mentora Lóri (ou deva dizer meu eu Lóri?). Da primeira vez me trouxe o prazer do toque, a valorização do gosto e o viver nas veias. Talvez antes eu não fosse capaz de sentir a dor que você cita no começo do livro. Agora compreendo, se não talvez não sinta ela mil vezes pior. O que eu deva fazer Lóri? Me enganei tão profundamente, marcas eternas de tal erro. Me diga Lóri, como prosseguir, mesmo eu sabendo as respostas para isso? É errado implorar por uma ajuda que você não precise me dar, mas Lóri, esse é o meu pedido de socorro para você!
Não lágrimas, não desçam novamente. Não agora. Preciso de força, ou melhor, novas mascaras para encarar o que está por vim. Aqui encontra-se abaixo de sete palmos da terra do meu subconsciente o que houve de mais belo no meu coração. Morto e sepultado, sem direito a ressurreição desta vez. Cansei do céu e das estrelas, por hora quero apenas meu copo de sobrevivência de volta e bem cheio.

quarta-feira, 2 de março de 2016

Desculpa, mas

Desculpa, mas não consegui engolir o choro hoje.
Desculpa, mas não sei como me comportar mais.
Desculpa, mas estou perdida e sozinha.
Desculpa, mas está doendo muito.
Desculpa, mas... Mas acho que agora nunca mais será o mesmo.

A filosofia leiga sobre Cometas

Cometas, em termos grosseiros e rudes a ciência astrológica, tratam-se de um pedaço de rocha que vaga pelo espaço em um ciclo vicioso, pois de tempos em tempos volta a repetir seu trajeto. Particularmente eu sempre tento associar os fatos da vida em poesia e os cometas não ficaram de fora, sendo para mim comparados a vida e as pessoas.
Os cometas são belos, atraem olhares a todos os instantes, maravilhando qualquer um que tenha a oportunidade de vê-lo e ao mesmo tempo são tão misteriosos, reclusos em seu caminho constante e indesviável. É engraçado pois eles são o que são e mesmo assim, por trás de toda a luz que os glorificam como deuses, nunca perdem a linha.
Tentando ser breve, torno a repetir: pessoas são cometas. Não todas, mas uma grande maioria. Pessoas vem e vão todos os dias em nossas vidas, chegam e nos dão a honra de podermos admirá-los tornando-os parte de nós, porém logo se vão afinal, a vida é isso, o ir e vir constante. Pessoas também se abrem, afloram suas chamas de planetas em planetas por todo seu caminho a flor da pele, contudo se fecham novamente na partida.
Creio eu que esse fechamento deve-se ao fato de que por trás de uma grande revolução interna, continuamos nós mesmos bem lá no fundo de forma imutável. Então sim, nós amadureceremos nossas ideias, gostos, pensamentos, mas mudar quem somos? Isso é impossível. Sempre vamos voltar ao que eramos antes da revolução. Obviamente que com o passar do tempo você se recusa a voltar as suas origens, ou simplesmente decepciona as pessoas que te viram revolucionar e agora presenciam suas famosas colisões e explosões internas...
Uma vez um cometa, sempre um comenta. Irreversível e mutável, capaz de ser destruído ou ser o próprio destruidor. Perspicaz e admirável (ou não). Sempre em seu ciclo constante de voltar ao seu início, condenado a tal condição como castigo eterno a seus repetitivos pescados. Isolado, sempre isolado.
O que te faz ou o que torna um cometa? Aliás, você é um? Eu sou um? Todos somos cometas ou também podemos ser estrelas e planetas? No fundo todos nós sabemos a reposta e sabemos exatamente no que toda nossa vida vai resultar, mas ignoramos as conclusões por uma fina esperança que tudo mude no último segundo como nos filmes. Mas a vida real, ou melhor, no nosso universo nada termina bem assim, a morte está aí para isso.
Bom, acho que chegou o momento de concluir esse texto e finalizar aqui minhas filosofias e metáforas fajutas pois, enfim, a cafeína terminou seu efeito. Não importa o que nós somos nessa galáxia, a questão é que não podemos mudar o que somos mesmo que tenhamos a esperança de que vamos conseguir. No fim, meu caro, sempre voltamos ao nosso ponto de partida e quase tudo que conquistamos nesse trajeto, infelizmente, não passa de meras lembranças. Apesar de todo esse pessimismo que jogo sobre você, que leu o que eu aqui relato, digo-lhe para ficar feliz por tais feitos porque, apesar de não fazer diferença, ao menos por um breve momento você se sentiu vivo como se de fato houvesse conseguido mudar seu posto de cometa para qualquer outro astro que julgar melhor.
A ciência que me perdoe por ser leiga no assunto literal, porém se as estrelas se apagam ha anos luz e ainda estão sendo vistas por aqui, que mágico seria se os cometas pudessem ser assim também, não? Vivos em tese, porém mortos na realidade. Isso realmente me parece atrativo.


sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Desapego de memórias

A estação de rádio que perambulava por meus ouvidos anunciava o horário de zero horas e cinquenta e oito minutos. A angustia transbordava pela cama como uma serpente pronta para o bote, mas os problemas foram mais rápidos e já a possuía de corpo e alma.
Respirava em profundos suspiros, sempre a espera de que fosse o último, porém nunca tinha o desejo alcançado. A garganta alertava: a panela de pressão havia voltado. Guarde tudo com você, sempre com você. Deixe explodir internamente, deixe acontecer como deve acontecer sem medir seus resultados. Não vale a pena ser ajudada se em troca obtêm um sofrimento ainda maior. Se for esse o caso, almejo morrer na barreira doentia que criei a encarar todo esse processo novamente.
Não há culpas nesse lance todo. O que veio fácil irá embora fácil, como lhe havia dito indiretamente alguns veteranos que falavam de assuntos totalmente divergentes aos pensamentos que rondavam seu coração. A culpa e a consciência pensavam como bigornas sobe seu corpo de algo que nada havia feito. Como poderia dar-lhe o sol se tudo o que tinha a oferecer era uma continuidade infinita de chuvas gélidas? Sim, enfim compreendia.
Precisava fechar os olhos, suicidar parte de si. Parte esta que a deflorava pouco a pouco uma escarlate ferida. Uma banheira imaginária, com água morna e gritos mudos, seria a representação simbólica ideal para tal ocasião. Um sorriso de falsa sensação de lazer saiu de sua boca. Até em momentos importantes conseguia ser mentirosa consigo mesma. Não merecia o pouco que conquistou, afinal, todos os castigos que lhe são dadas as provas nunca iriam ser o suficiente para o ser humano repugnante que havia se tornado. Era digna de toda a vergonha alheia e olhares tortos que sempre recebeu desde a infância. Todos sabiam quem eu seria no futuro, creio nisso.
Não consigo mais chorar. Não, eu não sou digna nem mesmo de um choro. Borboletas costumam ser tachadas na poesia como flores que o vento leva por aí. Talvez eu seja uma borboleta. Uma borboleta "corrompida" pelo mundo.
Enfim o momento chegou, voltar as velhas estações de rádios ou simplesmente desligá-lo de uma vez. Sem dúvidas dessa vez. A madrugada prossegue sua caminhada por um novo capítulo que aguardo sem dormir ansiosamente. Termino aqui como a noite cede seu espaço para o dia, em busca apenas de que em novos patamares possa se viver entre as estrelas em um profundo desapego de memórias.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

As coisas são do jeito que tem que ser

As mãos ainda tremiam tamanha a surpresa e a sorte que, aparentemente, resolveu lhe fazer uma visita. Deslumbrada sobre tudo lhe acontecer de repente que nem mesmo reparou quando anotou o telefone no lugar errado da folha. Ainda estava digerindo tudo, sua vida havia lhe dado uma nova oportunidade, na qual esfregava: não desista ainda.
Ora está bem, ora está mal tal como aquelas pétalas roxas que caíam sobre si enquanto subia a rua. Continuava triste, porém havia notícias boas. Estava animada? Sim, como nunca esteve em toda a sua vida. Mas era impossível não ser ingrata. Sua mente estava longe, longe demais, pensando o que não devia. Tinha consciência.
Sabia que esta era a oportunidade perfeita para distrair-se da vida. Um conforto que tanto buscou nos céus e uma mão lhe segurando na terra. Não diria que o tempo abriu, porém de certa forma a chuva ficou mais amena talvez.
_ E ai? - perguntou-me ansiosa, estava mais pálida e gelada que eu.
_ Eu passei. - respondi indiferente. Pois é, agora eu estava mesmo em uma universidade, contudo estava apenas deslumbrada pelas folhas secas anunciando a chegada do outono.

Sob um céu, ninguém vê,
Esperando, vendo isso acontecer.
Não se apresse, dê um tempo,
As coisas são do jeito que tem que ser.
Vai com calma, dê um tempo,
Natureza morta, você sabe que eu estou ouvindo.
O momento que você quer está chegando se você der tempo a isto.


sábado, 13 de fevereiro de 2016

Observadora da vida

Sacrifícios são necessários. Sempre foram e sempre serão, seja pela saúde ou pela felicidade de alguém. O ruim de sacrifícios é a dor que a acompanha. Muita das vezes não somos como ratos de laboratórios, então não recebemos anestesia quando se tira nossos sonhos e dessecam nossos órgãos lentamente.
Me sacrificar pelos que estão a minha volta já virou uma rotina. Mil vezes a felicidade deles do que somente a minha. Obviamente isso me deixa infeliz e claramente não me torna uma boa samaritana. Talvez uma masoquista? Não sei, mas essa sou eu. Sempre fui e acho que morrei brevemente, espero, sendo assim. Minha essência, quem sabe, seja essa: ver tudo se tornar belo a minha volta, porém sem tocar nada. Apenas uma boa observadora da vida. Chegou a hora de se calar novamente.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

O ciclo da vida é sempre o mesmo, o fim

A vida é muito incerta. A única certeza que ela pode nos oferecer é que tudo termina um dia, seja pela morte ou despedida. Nada irá  durar para sempre e o fato de você tentar enganar isso de si mesmo é a pior decisão. O sofrimento da perda logo após é quase impossível de conciliar.
O barco naufraga aos poucos no meu mais puro intimo com olhos vermelhos toda madrugada. Ver o lago a minha frente foi reconfortante, camuflou por algumas horas a dor que me virou rotina. As flores que forravam as margens eram levadas pela correnteza tal como uma mine ilha. Tudo se esvai até mesmo este lago. A cada visão que eu tinha dele percebia que nunca era o mesmo lago.
O mundo não é um conto de fadas, então é, no fim nem tudo vai dar certo ou sair como a gente gostaria. Acabei aprendendo isso da pior maneira no fim. Sempre soube que as despedidas existiriam entre nós, mas se pudesse adiá-las eu gostaria de fazer. Contudo ser egoísta a esse ponto não me parece justo. Privar a felicidade de alguém para me manter feliz não é uma cogitação e mesmo que fosse nada mudaria. Não serei eu a criar barreiras.
Dizem que a gente acaba acostumando com essa dor. Não sei se é verdade, mas no fim vou acabar descobrindo de um jeito ou de outro. Não chegou a fazer um ano, e nesse meio tempo causei muitas mudanças (e decepções obviamente), mas espero ter causando tanto divertimento quanto fui presenteada. Nunca tive alguém com que eu pudesse me abrir ou me contar de forma tão profundas até recebê-lo em minha vida e tão rápido partirás para longe.
É difícil lidar com isso sem chorar, espero que entenda. Não quero ter outras amizades como esta, gostaria de poder guardar isso apenas como este elo que nos liga como único, digno de boas recordações. Talvez não se apagar tanto ficará de bom conselho para o futuro tal como um alerta indireto. Tenho medo e angústia do que está por vir, mas espero que nada mude por completo (mesmo que não tenha muitas opções, tudo sempre irá mudar).
Sempre vou achar que a vida é um prato amargo que se come frio. Entretanto fico feliz que seu prato esteja ficando quente e saboroso, mais que merecido. O meu anda cada vez mais frio, escolhas minhas claro, mas não enxergo mais outras alternativas. Talvez eu esteja cega, sem saída. Nada mais importa sobre mim a não ser que a solidão sempre me sorri. O sorriso mais ardiloso que alguém pode gostar de receber.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Folha seca

Uma folha cai de uma árvore no outono. Seca e sem vida. Um dia essa folha foi importante, toda verde. Agora não passa de uma mera folha sem importância. Ela estando ou não ali não faz muita diferença.
Em seu lugar nasceu uma nova folha, muito mais bonita e importante. A nova folha substituiu perfeitamente o lugar da esquecida. Na primavera, obviamente. Folhas são legais de um jeito estranho.

domingo, 7 de fevereiro de 2016

Lábios secos

Apesar da mansa chuva que pousou por aqui, os castigos do tempo quente continuavam marcados por todos. Deitada, encarando o teto, minha mente girava e os olhos piscavam. A boca seca, extremamente seca, podia ser sentida pelas pontas dos dedos. Estava tão ressecada que o couro havia arrebitado por um tempo.
Por que não fazer? É como tocar a chama de uma vela, você pode se queimar ou simplesmente atravessar a chama sem perigo algum. Então por que não fazer?
Decididamente passou a puxar as pelinhas arrebitadas. Ardiam a cada puxão e quando se passava a língua sobre a ferida era notável a diferença no terreno. Arrancou todo o courinho, alguns milímetros vermelhos em uma curva perfeitamente irregular.
Não chorou. Continuou a piscar enquanto fitava distraidamente o teto. A mente, porém, parou de girar e estacionou no surreal breu da loucura.

sábado, 6 de fevereiro de 2016

Monólogo interior

O que será que dói mais: Um corte ou uma ferida surgida misteriosamente na perna? Um sorriso falso ou um coração sem vontade de viver? Saber que você não faz diferença ou ser ignorada dentro de casa? Uma lágrima noturna ou um soluço tampado por uma mordida na mão? Uma corda no pescoço ou afogar-se na banheira? Pular de um prédio alto o bastante ou jogar-se contra um caminhão? Escrever uma despedida pública ou mantela secreta como um desafio impossível? Viver enquanto morre ou morrer enquanto vive?
Comparações estranhas, mas gostaria de saber. Uma estrela quando deixa de brilhar de uma noite para outra não faz diferença em nossas vidas, até por que vivemos no passado e ela já está morta muito antes de ela passar a ser uma inútil no céu para você. É válido para tudo na vida: tudo que deixa de existir de um dia para o outro não muda nada, talvez até melhore a vida das pessoas. Ninguém se importa, as vezes ocorre algumas raridades opostas a essa lei, mas é questão de tempo até essas raridades deixarem de se importar. Com o tempo nada mais importa e tudo fica melhor quando estrelas apagam.
A escuridão é acolhedora, ela grita em silêncio e te agarra sem te tocar. Sufoca sem existir e derruba sem empurrar. A melhor amiga de uma forma mais traiçoeira que Deus criou. Afinal, afinal... Bem, não tem um afinal no fim das contas. Apenas é.


A solidão sempre irá retornar

O céu era azul e o sol estava extremamente quente. Apesar de o ar estar parado e seco, era notável algumas raras brisas fresquinhas que passeavam pelos fios úmidos de meu cabelo, dando uma sensação de frescor bastante agradável. Algumas pelagens dos braços arrepiavam com a tal sensação, expulsando o ar de doente que havia adquirido nos recentes dias.
Os olhos fechados nada notavam além de uma faixa vermelha, crendo eu ser a pele. Ao fundo os pássaros cantavam e cachorros latiam, podia ouvir com clareza. Imaginava, sem perceber, como estava sendo cada ocasião e assim passei a vagar pelas ruas, casas, carros e cidades. Onde minha mente pensava, minha alma realizava o desejo de estar ali.
Nada dura para sempre, logo o bem estar tornou-se um breu vazio e sem cor. Algumas lágrimas rolaram mesmo eu não querendo que elas estivessem ali. A solidão me consumia lentamente, perfurando feridas já cicatrizadas e "esquecidas". Uma dor tão inimaginável que não havia forças nem mesmo para segurar um soluço.
Dizem que tudo que vai volta, e é verdade. Um dia eu me libertei de vidas passadas e sorri de verdade, mas chegou o momento de aceitar que esses tempos passaram até eu me agarrar a uma nova ilusão temporária. A dificuldade dessa vez é que eu não quero voltar, não agora pelo menos. Porém como se lutar quando já não há nenhum sinal de esperança para você? Engraçado como tudo muda, você acorda em um sábado de manhã e percebe que nada mais é ou será como naquela sexta.
Dar adeus sempre foi algo difícil para mim, contudo dizer olá a coisas que eu jamais pensei ter de reviver é ainda pior. O que me resta, não é mesmo? A vida é feita de aceitações quando você se curva para tudo.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Pipa vermelha

Quando saio na minha varanda, deparo-me com uma bela vista. Alguns telhados, árvores e muitos postes. Do ponto onde me encontrava dava uma vista perfeita de um poste e uma árvore específicos da rua de baixo, onde dali a molecada brincou dia após dia nesse mês de janeiro, aproveitando as férias.
Às dezesseis em ponto vejo a pipa vermelha subir aos céus. Nem tão alta, nem tão baixa. Um contraste perfeito com o verde da região. Voa de um lado, depois do outro, porém sempre daquele pedaço. Jamais errou a hora nem o local.
Não há nada demais naquela pipa vermelha, toda desbotada e feita de gravetos e papel. Não há nada de essencial, por assim dizer, mas desde que a vi subir pela primeira vez venho a acompanhar com certa ansiedade de ver a pipa perante as nuvens do céu neutro. Nem mesmo nos dias chuvosos a pipa deixou de estar lá.
Sem saber quem a empina ou que eu a observo, viramos colegas intimas. Ela me vê e eu a vejo, tão divertido tal modo lembrar-me da infância. Dos momentos bons que tive, melhor dizendo. Pipa vermelha, minha bajulada pipa escarlate, com o início das aulas será que ainda irei te ver nas sombras?!

Céu sem vida

O céu noturno é geralmente acolhedor, cheio de estrelas brilhantes que enchem nossos olhos de alegria e esperança. Hoje, porém, elas não estavam lá. Milhares de nuvens tampando a bela visão, soltando gotinhas geladas em uma doce garoa acolhedora.
O vento gélido era de cortar a face, mas também um abraço da realidade. Não havia sons, nem mesmo um grilo para me fazer companhia. A desculpa para estar ali fora a mais tola possível, mas pareceu funcionar.
Observando a escuridão, notando o quão isolado ela era pude descobrir que até mesmo o céu sem vida é também acolhedor. Ouviu meus soluços, esperou meus tremores passarem e ainda assim continuou a me acomodar no vazio.
Tudo que gostaria de saber naquele momento era quando ia chegar a minha vez de estar junto as estrelas e se tornar parte de uma galáxia. Mas como disse, obtive como resposta apenas o silêncio, e deste silêncio eu preciso me recordar de como interpretá-lo.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

"Não há tristeza maior do que a de uma perda que ainda acontecerá"

É engraçado como a gente varia nosso humor em poucos segundos. Há segundo atrás tudo estava bem, no outro toda sua vida se desmancha aos pouquinhos. Tem momentos que erramos sabendo que estamos errando, disposto a tudo. Já há outros que erramos achando que estamos fazendo o certo, e imagine a surpresa ao descobrir que foi um erro extremamente imperdoável, pois é assim que estou me sentindo agora.
Como sempre nesses dezoito anos de vida, eu pisei na bola com mais uma pessoa que eu gosto. Sempre do mesmo jeito, age sem pensar e pronto, a merda está feita estampada na minha frente. E o que adianta dizer que foi sem querer? O que está feito está feito, me resta apenas aceitar por mais que doa.
Minhas desculpas não são vazias, mas temo que elas aparentam ser. Queria só poder mudar isso, estou realmente cansada de estragar as coisas, sempre causando problemas. Que voto eu mereço por ser tão hipócrita? Eu compreendo seu silêncio, como eu disse, é justo e eu mereço tudo isso. Mas eu sinto muito, muito mesmo. Eu queria ser a uma das últimas a ter feito isso, e mesmo assim daria um jeito de não fazer, a te magoar... Mas no fim fui uma das primeiras... Perdão, realmente perdão...

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Relatos gélidos

Pois é, esse vai ser mais um texto deprimente sobre a chuva, mas espero que entenda, ando me sentindo vazia e com extrema saudade de minha navalha (lamento por isso), então é, este vai ser mais um texto deprimente sobre a chuva em sua vida.
Se eu sou mesmo uma flor, eu diria que me encontro alagada em minha própria água. Totalmente murcha e sem vida, estou viva não por algum motivo em si, mas apenas por infelizmente acordar e descobrir que ainda não chegou a minha hora.
Meus olhos estão pequenos tamanho o inchaço do choro da noite passada. Contudo isso não estancou o vazamento, pelo contrário, aumentou ainda mais hoje. Sem vontade comer e beber, e bem, ando fazendo o que eu faço de melhor: fingir. Fingir estar bem, fingir sorrir, fingir motivos, fingir e fingir. Não me julgue, eu estou no meu direito.
A água quente tem esse poder, me relaxa os músculo momentaneamente, porém também me trás para o fundo do poço. Tudo que faço é pensar e nada mais, em busca de algum motivo forte o bastante para me fazer sair da cama ou do quarto, mas nada, nem mesmo sessenta cores a minha disposição ajudou, tornando-as sem brilho para mim.
Ninguém pode me tirar daqui. Ninguém realmente é capaz de tal ato ou leal o suficiente, nem mesmo eu que o criei. Talvez esta chuva encha essa fossa de água e então eu terei duas opções: me afogar por completo, terminando enfim o que já devia ter tido um fim ou simplesmente chego a superfície e me reconstruo em uma nova moita sobe uma barreira mais resistente. Não sou uma garota suicida, mas as vezes gostaria de ser.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Trocar o perfume

Um ponto final. Para matemática serve para multiplicar números, já para alguns filósofos são apenas um ponto com n motivos por trás daquele ponto. Na arte uma obra plena de solidão ou a representação de tudo. Na ciência a figura clara do que veio antes da famosa explosão Big Bang. No português o fim de um período.
Quando vi que não passei na faculdade que eu queria, fiquei muito emputecida como se nada fizesse mais sentindo. Chorei tudo o que não chorei uma vida toda e fiquei muito sentimental também, ocasionando outros choros, obviamente de outros mil motivos além faculdade (santo Deus!). Entretanto acho que depois que você descobre um motivo para se reerguer, fica mais fácil colocar um ponto final em uma história e começar outra.
Então é, bebi um pouco. Conheci gente nova e redescobri pessoas antigas. Um momento tão delicado, não envolvendo apenas problemas de notas, algo realmente capaz de fincar mil katanas em um coração já ferido e, novamente, chorar por mais várias e várias tardes até perder a voz em cruéis soluços.
Colocar um ponto final onde mais se queria uma vírgula nunca fora tão complicado. Nunca mesmo. Meus olhos ardem tentando assimilar tudo, compreender e ser madura e adulta para tudo isso que venho tendo que lindar. Ou simplesmente em busca de um ferreiro para fortalecer esta armadura enferrujada.
Mas já sou crescidinha, momento de enfim encerrar essa etapa e cravar uma espada. Mudar a aparência, a decoração do mural e o perfume tal como este verão que trocou com o inverno. Para uma nova história, um novo recomeço, então é, oficialmente encerrada esse capítulo todo com o ponto final de linguagens a partir de agora.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

É só a devastação adolescente

As pessoas claramente sabem que não é o fim do mundo. Eu sei. Todos sabem. Entretanto eu me reprimo a não enxergar. Talvez eu seja uma pessoa que gosta de sofrer e complicar as coisas, como alertou minha mãe há algum tempo. Preciso parar com isso, de agir novamente como uma criança mimada, e passar a seguir em frente... Mas dói tanto, tanto, tanto...
Por que iluminam seus feitos com luz fosforescente? Por que fazem questão de se lembrarem tão pouco de que isso magoa as pessoas, as vezes as perturba? Não ocorre troca de boa convivência como se imagina na fútil ilusão que criei. É deprimente e novamente dói mil vezes a palavra tanto.
Acho que para esse conflito interno a música Baba O'Riley (The Who) nunca fez tanto sentindo em todos os versos dela de forma tão contraditória para mim.
Sim, eu luto pelas minhas refeições aqui fora do campo, com minhas responsabilidades no meu modo de viver pelo qual eu não preciso lutar para provar que estou certa, que não preciso ser perdoada. Entretanto eu quero lutar, quero mudar minhas responsabilidades em uma necessidade absurda pelo perdão de todos dentro e fora do campo, pois afinal estou errada...
Aqueles felizes estão próximos, tornando o êxodo tão doloroso em um momento de união. Apagarei este fogo, mas preciso olhar por cima de seu ombro para me deliciar mais um pouco com o que eu já não creio. Posso pegar sua mão até meu medo passar? Podemos ficar juntos até ficarmos muito velhos?
No calar do dia, todo azul e roxo, frio e cheio de ruídos luminosos eu choro sem levantar meu olhar em uma devastação adolescente. Apenas mais uma devastação adolescente, onde todos estão ou deveriam estar bêbados. Eu queria estar, mas ainda me encontro prematura demais para sair deste útero. É só uma devastação...

Don't cry
Don't raise your eye
It's only teenage wasteland
...
Oh, yeah
Teenage wasteland
They're all wasted!

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Tentar com mais insistência

Minha ex-professora de português do primeiro ano do ensino médio, e atual amiga/confidente, sempre me alertou que eu entro exageradamente em um livro quando estou lendo. Talvez seja esse o motivo de 70% dos livros que eu leio ganharem nota quatro ou cinco e, segundo uma rede social de livros, eu ter cerca de 28 livros como favoritos. A cada livro para mim é como se tornasse parte de mim, seja por me lembrar algo que vivi ou por ocorrer fatos na minha vida real que seja, coincidentemente, extremamente idênticos a narrativa da história em si.
É impressionante como sempre ocorre algo parecido, me fazendo envolver ainda mais nessas páginas amareladas e passar horas e horas pensando sobre tais momentos. O da vez é "Os 13 porquês" que conta, resumidamente, sobre Hannah Baker, uma garota que se suicido e deixa diversas fitas cassetes contando os motivos que a levaram a isso... Ou melhor, as pessoas que a levaram a isso. Pequenos fatos que fazem tremenda diferença na vida de qualquer pessoa.
Enfim, não estou aqui para resenhar ele para vocês, até porque não terminei de ler ainda. Mas o fato é que a cada motivo que eu leio me identifico cada vez mais e mais com Hannah, me fazendo estar no estado que me encontro: chorando compulsivamente por ela.
Sabe o porquê? Porque a cada situação que ela passou se encaixa, de alguma forma, na vida de qualquer pessoa, creio eu. Inclusive, eu não estou fora dessa lista. Odeio me identificar com personagens as vezes, pois afinal não posso mudar nada (como sempre), não posso entrar lá dentro e a impedir de fazer o que fez, até porque eu mesma teria feito o serviço se fosse eu no lugar dela (como já tentei tantas vezes).
Daí você pensa (ou talvez não, mas eu pensei) tem tanta gente por aí na mesma situação que ela, ajude essas pessoas! Sim, tem toda razão, mas daí vem a melhor frase que li até o momento nesse livro "Eu queria. Eu poderia ter ajudado.(...)Então, por que você não tentou com mais insistência?". Pois é, por que não tentamos? Por que eu não tento? Por quê? Como disse um amigo uma vez, de boas intenções o inferno está cheio. E está mesmo, sou a próxima candidata sem dúvidas.
Já nem sei mais o que pensar ou o que fazer. Parar de chorar seria um bom começo. Não adiantaria terminar esse texto dizendo "vou ajudar todos que eu conhecer a partir de hoje de alguma forma" (como eu teria feito se fosse há muitos anos atrás, onde seria a Melissa agindo e não a Lis), mas sabe, seria uma promessa falsa e vazia, talvez até arrogante, pois eu não cumpriria justamente por querer cumprir.
As coisas só acontecem quando não esperamos e desejamos tais coisas. Sempre aconselho isso, deixar as coisas apenas acontecerem e ver no que elas darão, sem pressa e desejo. É como esperar por um ônibus no ponto, a partir do momento que você se distrair, seu ônibus chegará. Talvez ajudar pessoas e ser ajudada a tempo se encaixe nisso...
Então, para concluir, continuarei sendo hipócrita por estar ignorando milhões de Hannahs na vida real e por ser uma própria Hannah bem no fundinho de minha existência, porque essa sou eu e não há como mudar isso no momento em que eu me encontro, onde fazendo alusão a meu signo nada se encontra em equilíbrio. Espero que você, leitor(a), não siga meu exemplo, mas caso siga estamos no mesmo barco, então vamos brindar nossa podridão humana com Vodka.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Vazamento idiota

Meu corpo é minha própria casa nas quais os olhos são as janelas, que no momento estão vazando água de mar desde a "madrugada troca de anos". O motivo desse vazamento? Não sei, talvez tivesse um motivo antes, porém no momento é só um vazio no peito querendo não explodir uma panela de pressão.
É curioso sabe, você ver as pessoas se divertindo nessa virada, fico contente por elas, contudo também as invejo. Estar feliz é uma coisa que eu gostaria de estar. Talvez eu devesse trocar meu pijama, mas já são 23h27 então acho que não faz diferença continuar com eles tal como minha existência.
Quero parar de chorar, apenas quero. Meus olhos estão ardendo, todo vermelho assim como meu nariz. Meus lábios tremem num soluço vazio, de algo insignificante que é esse choro eterno, mas não sei como para-lo.
Me imagino no mar, afundando lentamente com um vestido negro ajudando a enforcar mais depressa. De olhos fechados e peito vazio. Mas ainda estou de pijama, na frente de um computador, chorando feito uma tola enquanto começo a fazer parte da mobília do meu quarto, no interior de um estado sem litoral.
Gostaria de saber a onde encontrar algum encanador capaz de concertar esse vazamento idiota...