domingo, 29 de novembro de 2015

Feita de mármore

O que é estar bem de verdade? Faz sete dias que me pergunto isso e ainda não obtive minhas devidas respostas. Tento me animar, mas aos poucos tudo se torna frio e sombrio, sem sentindo. Meu cansaço enfim se tornou dano físico. Em sete dias terminei uma cartela de remédio anti-dores. Dores de cabeça, costas, ombros, ventre com cólicas. Tudo desculpa para esconder a dor do coração.
A sensação que tenho é que estou caindo em um buraco sem fundo, eternamente agonizando pelo fim. Só queria chorar até perder a voz em soluços cálidos, mas já não sai mais nada daqui. Será que sou feita de mármore? Fria e arrogante, a ponto de ser sem qualquer tipo de sentimento, magoando a todos que amo por simplesmente ser um pedaço idiota de pedra?!
Vazia, é assim que me sinto. Mas como posso ser vazia sentindo tudo isso que descrevo? Queria entender minha cabeça, mas não consigo. A neblina é constante, não há nada que se possa fazer para dispersá-la, apenas aguardar o torturante tempo passar.
Não compreendo. Não faço questão de compreender ao mesmo tempo em que faço. Será que em algum dia as estrelas irão brilhar novamente? Onde está a luz, meu Deus, onde está a minha doce luz?

sábado, 28 de novembro de 2015

O vazio em que me encontro

Toda noite, antes de enfim vencer o cansaço e aprofundar-se na gruta dos sonhos, fico pensando e imaginando muitas coisas da minha vida. Como seria tal coisa se eu tivesse feito diferente? Como seria se tal fatos não ocorresse em determinado momentos? E se eu tivesse me calado em tal hora e ter dito em outra? As coisas seriam diferentes?!
Confesso que isso me machuca mais do que deveria, entretanto nada comparado com os futuros alternativos que crio para mim. Atitude ignorante que possuo de me machucar com imagens que nunca serão de fato reais, me forçando a usar de agressões mentais para me lembrar da realidade.
Eu enfim admito: não estou bem. Minha alma se sente vazia, mesmo que sozinha eu não esteja. Um vazio tão grande, uma imagem preta representando, literalmente, o nada. Ninguém disse que seria fácil, mas também não disseram que seria tão difícil.
As dezesseis horas amanhã irão totalizar exatos sete dias que você partiu. Sabe, me pediram para fazer uma homenagem ao senhor de somente coisas boas, mas perdão, ainda não consegui pousar minha mente num campo florido para realizar esse fato. Talvez eu tenha me esquecido como pousa, ou simplesmente esteja sem gasolina para voltar. É complicado dizer com exatidão quando tudo que faço é apenas limpar as lágrimas e tentar esquecer duas imagens marcantes:

1- a última imagem que guardei do senhor vivo! Sabe, você estava no hospital. Eu havia acabado de acordar no ombro do meu melhor amigo, aos poucos me acostumando com aquelas paredes verdes, me lembrando vagarosamente do que estava fazendo ali. Tivemos que ir embora e dobrando o corredor vi a porta do seu quarto aberta. Todo debilitado, com o aparelhos ligados e um sorriso na face. Desde que o conheci em vida, o senhor era cego, porém, eu creio que aquela fora sua primeira visão que teve de mim. Seus olhos esbranquiçados brilharam e um sorriso formou em seus lábios secos... Nunca me esquecerei desse momento;

2- a última imagem que guardei do senhor, após ter partido. Não irei me aprofundar muito nessa parte, está sendo complicado digitar com os olhos marejados... Mas tocar sua face, sentir sua carne fria enquanto eu lhe pedia um misto de "levante vovô" e "descanse em paz, perdoe meus erros com o senhor" foi a pior e mais triste experiência que já tive até o momento. O vazio veio ao assistir a construção da parede que fechava sua lápide. Aquele realmente era o fim, sem volta. O adeus definitivo.

Enfim... Tá na hora de encerrar esse texto como a noite se encerra ao nascer do sol. No fim tudo se ajeita, e essa minha jornada ainda terá um grande tempo para um recomeço. Um tempo que agora eu encerro minhas esperanças de que passe logo. Até lá, deixo seu rádio na estante cantarolando minha estação favorita de MPBs.

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Insignificância (ou talvez) Ignorância

Noite condensada, sem graça. Vagando pelo vazio de meu coração, mimada. Sei de cada coisa que tenho que fazer, de cada coisa que me agride e me anima, mas veja a ignorância que eu sou. Olhar para o teto ajuda, uma cobrança dos céus com respostas banhadas de silêncio.
A perda de fé sobre mim é grande e humilhante. Não há esperanças, não há sonhos, não há metas. Ficar parada coçando o umbigo nunca pareceu algo tão retardado de fazer. Triste tudo é, mas mais ainda esse texto, que triste fazê-los ler mais uma de minhas lamentações por ser sem sal do verbo agir.
Queria andar por um apartamento, adormecer no sofá e acordar cedo para as reprises em preto e branco que escapariam da minha boca. Te seguir até o começo, reviver o início e depois ir devagar em todas as nossas partes favoritas, como diz a música do Paramore.
Mas querer não é poder. Querer não é mudar. Querer não é acontecer. Nunca foi tão difícil aceitar uma lamentação que nada adiantaria reclamar. Insignificância define o momento.


sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Banhar-se

O chão estava gelado abaixo dos pés descalços. A roupa escorrida por todo corpo até chegar aos pés, onde chutou-os para um canto qualquer do banheiro. A porta estava fechada e podia ouvir o som abafado do vizinho que, milagrosamente, continha um repertório de "O Segundo Sol" da Cássia Eller.
Abriu o box, sentindo a tensão doer-lhe toda a musculatura de seu corpo. Suspirando, abriu o chuveiro ao mesmo tempo em que tornava a fechar o box. A água quente lhe acertou os ombros em cheio descendo por todo seu corpo ali. Sentiu, como de forma instantânea, seus ombros relaxarem aos poucos. Os olhos fecharam-se pesadamente enquanto que as pernas fraquejavam em um resmungo calado de não poderem relaxarem de fato.
Molhou vagarosamente uma bucha e a banhou de sabonete com cheiro de rosas ou lavandas, tão suaves no ambiente graças ao vapor que embaçava o espelho. Esfregou a face, os ombros, braços, busto, barriga, intimidades, coxas, pernas até os pés. Usava uma força misturada a suavidade e delicadeza. Sentia-se ficar limpa assim que a água novamente beijava-lhe o corpo, tendo suas impurezas irem embora ralo a baixo junto a tudo que lhe fez mal hoje, cada pensamento negativo e traiçoeiro.
Ainda usando a bucha, a encheu de água e espremia a mesma na base da nuca. A água lhe escorria pelas costas lentamente dando um misto de arrepios e relaxamento, retirando por alguns segundos todas as dores que sentia por cansaço. Repetiu o processo por mais algumas vezes, sendo agora acompanhada de solitárias lágrimas que pingavam na poça abaixo de si. Para cada gota que chovia ali, era um pensamento destrutivo que tinha sobre si. Pior que se ferir externamente é baixar a própria autoestima por si mesmo.
Os cabelos, enrolados e presos de qualquer jeito por uma piranha qualquer todo arrepiado devido ao vapor, encontrava-se já úmido e desgrenhado. Desligou o chuveiro aos poucos, batendo a testa com força no azulejo gelado. Sua costas recebia gotas restantes do chuveiro.
Tendo-se por vencida, enrolou-se numa toalha e enxugou-se sentindo todo o peso nos ombros voltar gradativamente. Secou as lagrimas, mesmo que as mesmas não quisessem cessar seu caimento. Vestiu-se com um pijama qualquer e ficou mais um tempo parada, fitando o vazio. Depois de se destruir mais um pouco, suspirou insatisfeita. Abriu a porta e saiu do comodo, lembrando-se de apagar a luz.

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Mil alfinetes cortando-lhe a face

Hoje é finados, geralmente todos se perguntam por qual motivo nesta data sempre chove. Na minha concepção deve ser o luto das divindades com os que já partiram, que choram e lamentam de saudade.
É um dia triste e cinza, com cheiro adocicado de flores no cemitério. Os túmulos se tornam mais frios que o normal e mais solos também. Um dia onde a maioria se veste de preto e aprecia a morte. Uma data "comemorativa" pela qual sinto muito acolhida e eu nem mesmo sei o porquê.
Está ventando como mil alfinetes cortando-lhe a face, me fazendo companhia nessas novas dores no coração. Talvez se eu fechar os olhos, possa relembrar a sensação de quando tinha minha companheira para dias como esse. Mas felizmente, a janela está fechada.
De qualquer forma, não quero ser visitada pela Senhora Morte hoje, apesar de saber que a mesma se encontra a espera de uma hora marcada em minha família. São tantos monstros me sugando as forças, tumultuando minha mente e estraçalhando meu peito, que estou bem no escuro. Sozinha, entretanto, não é algo a se confirmar.