sábado, 31 de outubro de 2015

Café da manhã

Acordar junto ao sol, os pássaros cantavam no jardim e o vento nos inundava com som dos sinos, tão suaves e calmantes. Sobre a mesa havia três xícaras, pães acompanhados de manteiga, leite, café e açúcar. De todas as xícaras, apenas uma ainda não fora usada, a minha.
Sentei sem fazer barulho. Analisei a situação que estava. Era amargante a sensação de abandono e solidão. Servi-me de leite com meio fatia de pão, que desceu empurrada na garganta um grande nó. Suspirei derrotada, enchendo-me de leite, que apesar do açúcar, parecia sem gosto.
Passei a fechar os olhos. O sol da janela atrás de mim refletia sobre a pia e me esquentava a nuca. Podia sentir o tempo seco e o barulho do ar-condicionado do vizinho, que fazia um barulho irritante. Olhei novamente os lugares vazios a mesa. Talvez a solidão fosse uma de minhas melhores amigas.

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Complexos

Complexos. Complexos são irritantes e malignos. Por que temos que ter tantos complexos, afinal? "Será que foi algo que eu disse?", "será que é algo que eu estou vestindo?", "será que eu fiz certo?", "será que estamos de boa?"...
São tantos "serás" em tão pouco tempo que passo a ter nojo do verbo ser as vezes. É terrível esse sentimento de culpa e desprezo por si mesmo, como se nunca fosse bom o suficiente para nada ou alguém (o que de fato é verdade), que nunca vai acertar nada na vida.
As oportunidades estão na nossa cara, implorando para ser pegas. Contudo, tudo que realizamos de fato é deixar elas passarem e apenas se lamentar no futuro as burradas que não fez. É um sentimento doloroso que me faz perder o sono e derramar lágrimas serenas.
Acho que no fim o pior inimigo que temos são nós mesmos, ou melhor, nossa consciência. Não adianta chorar pelo leite derramado, mas sempre estarei ali chorando. É meu castigo eterno por só tacar merda em ventilador.

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Devaneios...

Desencontros dessa vida, tenho muitos por sinal.
Hoje meu pulso dói, lembrando-me dos erros passados.
Ouço Paramore mais que tudo, me identificando em cada verso emotivo.
Como sempre, pago pelos pecado em oportunidades não sendo vistas, tudo sinônimo de castigos para si.
Você não está bem, eu sinto muito não poder tirar esta dor de você.
A chuva nos lava alma.
Sinta-se acolhido, segurando-te estou.
O som do silêncio a espera das novidades.
Segunda as sete horas. Currículo brevemente.
Aviões, estrelas, sonhos.
O carinho a ti.
Palavras sem sentidos aqui.
É, acho que a vida tem dessas...

Loucura insana, despertada na chama de uma tempestade

Se vida passadas existem, imagine como deve ser complicado encarar as mesmas situações passadas esperando que aquilo tudo se resolva dessa vez. Mas mais complicado ainda, imagine que nesse exato momento você pode estar onde morreu em outra vida, onde morou, onde nasceu...
Como você era em outras vidas? Eu sei que essa é fácil de responder, basta procurar os recursos que temos hoje em dia, mas no sentindo do seu subconsciente, como você era? Será que algo mudou em suas vidas? Além do tempo, obviamente. Se é tudo uma questão de escolhas, se tudo já fora escrito, por que nunca estamos de fato preparados aos acontecimentos que nos surgem ao longo dos anos?
São tantas dúvidas, tantas buscas por respostas de algo que sempre será um mistério. E mesmo quando se for, e tudo for esclarecido com o que há após nossa vida, será tudo esquecido na outra. Isso, claro, se houver outra.
Um ciclo sem fim de dúvidas. É como um ser humano e um grão de arroz. É como um ser humano e um universo. É como um grão de arroz e o universo. A grandiosidade de tudo que somos e de tudo que há a nossa volta. O que somos perante a esse todo que mal sei o nome específico? Somos nada. Apenas nada. Um grande nada no meio de um vazio infinito.
Sinto-me ficar louca com tais pensamentos. Quando foi as datas de minhas outras vidas? As pessoas que hoje convivo, o que não fora resolvido entre nós? São tantas incertezas nestes meus olhos, tanta futilidade e medo da verdade! A coragem se esvai a cada pensamento insano que tenho sobre o que há acima e a baixo de nós.
Espiritualidade, Deuses, Deusas, um próprio Deus e uma própria Deusa. Tudo interligado. Tudo indiferente. Nada faz sentindo de fato, nada deve fazer sentido de fato. Somos apenas vermes na imensidão dessa escuridão sem brilho.
O resumo de tudo. A dúvida de tudo. A crise existencial do século. A loucura insana, despertada na chama de uma tempestade. Meus olhos enfim se fecham, a boca se cala e a mente... Há! A mente! Está sim fez um grande feito agora: parou de pensar!

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Amor sem flechas

Hoje, passando por uma rua movimentada, a avistei  do outro lado do passeio. Estava sozinha, segurando um celular em mãos tremulas. Parecia triste, desnorteada talvez. O calor era escaldante, mas a sombra que a mesma havia pego abaixo daquela bonita árvore a ajudava ser paciente, sem dúvidas.
De primeiro momento, não irei mentir, fiquei um quanto tanto assustada ao notar ela ali, dando sopa com aquele celular em uma cidade tão perigosa nos últimos anos. Tudo piorou quando uma moto passou com dois homens a observando. Tive vontade de dizer "moça, cuidado" ao notar que ela nem notava o mundo a sua volta, mas continuei ali a observá-la.
Ela olhava para a rua, apreensiva e atenta ao vazio, era notável que esperava por alguém. Alguém que não apareceu. Alguém que não ligou avisando e não se importou em nada com ela. Pensei sobre aquilo, intrigada eu estava. Seria algum amor? Incrível como sempre pensamos no amor nessas horas. Mas mais incrível ainda em como somos manipuláveis por esse tal de amor, que nos ilude tão facilmente a fazer papel de trouxa.
Observá-la chorar enquanto desistia de esperar e seguia embora, tentando ainda uma ligação, onde concluí ser o caminho de sua casa,  me fez pensar em como evitar tais coisas, mas acredite, acho que isso é algo muito difícil de decidir. Eu posso muito bem prometer hoje que não cairei nas garras do amor, para amanhã estar triste por um fato não ocorrer comigo. Não é algo fácil viver sem essa atração que temos quando se é tão dependente e carente no carinho que alguém possa nos dar, somos viciados no amor mesmo não querendo ser e temos como consequência essa dor incessante no peito.
Vê-la partir, saber que iria ter raiva dos homens e desabafar com as amigas me fez ter muita raiva de alguém que nem mesmo sei se de fato existe. Mas por outro, me fez pensar sobre o amor, nos meus próprios papeis de "trouxiane" que já tive ou terei. Naquela jovem moça vi meu próprio reflexo e o reflexo de milhares de pessoas desse mundo velho. Talvez quando soubermos ser imunes as paixonites da vida, poderemos enfim ter um amor sem flechas.

domingo, 11 de outubro de 2015

Um brinde a isso...

Hoje foi um daqueles dias que, mesmo sendo 23 horas aproximadamente, eu percebo o quanto realmente me deixou feliz. Um dia sem arrependimentos, de total momentos bons. Tanto que dedico este brinde a hoje, a paz que me trouxe e a boa companhia que tive.
Dentre tantas magoas, nada de brigas hoje! Apenas fui para cima como se o fundo do poço não existisse mais. Um fim de semana louco, onde deixei tudo fazer efeito da maravilha que é quando se encontra as pessoas certas, boas, verdadeiras e leais para si. Um brinde a isso, meus amigos, 18 é o agora!
A qualidade do momento é tão grande, que simplesmente não me importo de estar ruim amanhã, desde que hoje seja memorável como o dia que, apesar da timidez, eu pude viver. Andar sem medo, ao perceber que agora não preciso criar falsas situações de ser pega no flagra. Conversar e olhar no rosto de quem antes tinha vergonha por ser do sexo oposto. Trocar os velhos All Star, por uma sandália rasteirinha e os cabelos quase cacheados, um processo ainda a digerir. Um brinde a isso, o florescer do que segundo dizem ser uma flor!
Agrego hoje mais um significado para minha primeira música favorita, Cheers. Que venham muitos brides e muitas sensações gloriosas como hoje. Muitas viagens em chão firme e muitas rosas no lugar de balas. Que se inicie esta nova faze junto a primavera da idade. Então ergam seus copos, pois este é o primeiro de muitos momentos de brinde para a noite!
A vida é um brinde, um grande brinde de whisky com gelo. A cada ano, é uma rodada diferente. Agora que aprendi o jeito certo de fazê-lo, fico bem com novas rodadas da mesma dose. Nada me atinge desde que eu tenha este copo para levar e gritar: um brinde a isso!


segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Hoje, porém...

Hoje, porém, me sentia chata.
Hoje, porém, fui muito insensata.
Hoje, porém, chorei muito.
Hoje, porém, fiquei no relento.
Hoje, porém, esbanjei infantilidade.
Hoje, porém, espirrei inutilidade.
Hoje, porém, fui carente.
Hoje, porém, fui mais ainda é incoerente.
Hoje, porém, vivi o apego.
Hoje, porém, encarei o desapego.
Hoje, porém, tentei omitir a realidade.
Hoje, porém, acabei abraçando a verdade.
Hoje, porém, tomei o caminho errado.
Hoje, porém, indaguei o destino a mim certificado.
Hoje, porém,senti muita dor.
Hoje, porém, me afundei no horror.
Hoje, porém, embacei a visão.
Hoje, porém, perdi a coesão.
Hoje, porém, o chá foi as 16 horas.
Hoje, porém, não houve floras.
Hoje, porém, a paz não me ouviu.
Hoje, porém, o laço me viu.
Hoje, porém, perdi a batalha.
Hoje, porém, não desisti da guerrilha.
Hoje, porém, fui insegura.
Hoje, porém, trabalhei a fartura.
Hoje, porém, ansiei pelo bem.
Hoje, porém, deveria parar de dizer porém.