terça-feira, 29 de setembro de 2015

Melancolismo de aniversário

Quando foi que o tempo decidiu correr? Então é assim, em um dia - chuvoso por sinal - você acorda e é maior de idade. Isso muda alguma coisa, ou melhor, deveria mudar? A resposta é não, mas a busca pelas mudanças é inevitável.
Saber que ainda se pode se surpreender em um mundo frio é interessante. Quem diria que alguém como eu ganharia uma festa surpresa. A probabilidade disso é muito pequena, quase insignificante, mas pois é, isso aconteceu.
Se sentir amada tem sido algo bom nos últimos tempos, saber que há onde se pode agarrar. Isso é fabuloso e estranho. Então há em quem se possa confiar. É como um farol me guiado para a ilha certa, onde o mar que me encontro, infelizmente, ainda se apresenta cheio de monstros. Monstros esses que te forçam a dizer adeus muito rápido ao mundo.
A magia do aniversário aos poucos está indo, de fato tudo voltará ao normal amanhã. Nada mudará além de mais responsabilidades, mas no momento decidi pensar que idade é apenas questões de números. Hoje tenho 18, com pensamentos de 70 e agilidade de 5.
Desculpa passado, desculpa as palavras que talvez não lhe agrade. Eu dei meu melhor. Apesar das musicas de "bad" e das inúmeras tarefas das quais não quero cumprir, digo adeus para esse texto e olá para maior idade, com uma lágrima em um olho e o sorriso no outro. Um belo jeito melancólico para aniversário, não?!

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Corda bamba

Como a vida é engraçada. Em um dia você está sozinha em um mundo gigante, repleto de espinhos. Em outros, está acolhida com pessoas boas em um mundo cor-de-rosa. É difícil afirmar quando ocorreu e o por quê de ter ocorrido, mas a questão é que é um sentimento viciante pelo qual você não quer se desfazer.
Dizem que feliz é aquele que nunca amou. Talvez esteja certo, quando lhe ocorrer a perda não sentirás dor. Mas também se reprimira de quaisquer carinho, de risos verdadeiros e uma sensação boa de saber que se pode contar com alguém. Alguém cuja o motiva a seguir em frente, que segura tua mão e te puxa a orelha quando você faz alguma merda.
Porém, como afirmei por aí, quando se cria um laço irrevogavelmente você quer que ele nunca se parta. A qualquer sinal de alerta, lá está você reforçando fitas e colas, para manter a união. Saber que um dia não será essa doce rotina que me aprendi - e não quero sair - machuca constantemente. É inevitável não liberar as marés pelo olhar.
Preciso me preparar para isso. Mesmo que demore, é como andar sempre em corda bamba. Rezo, torço, imploro, que demore tempo o suficiente para que nunca seja necessário. Temo como será a volta a solidão seja o tempo que for, como uma eterna egoísta. Contudo, deixo claro, quando voltar ainda terás a chave.

domingo, 13 de setembro de 2015

Quando você vai embora

Choro sempre que lembro disso, mas dessa vez choro calada. Sem ruídos, apenas as memórias de um dia que fomos felizes. A carne amarelada que um dia será apodrecida, não queria prever isso. Uma bomba com contagem regressiva feito ampulheta sem cor. Para dizer adeus, não estou preparada.
Ainda lembro de seus conselhos, de suas sábias palavras e de todo carinho que tens comigo. Da vezes que me convenceu de que usar óculos na terceira série seria algo divertido, de que eu ficaria mais linda do que era, mesmo que o senhor não pudesse me enxergar. Ainda lembro de quando me mudei, e o senhor me ensinou o nome do prefeito e me convenceu que aqui era um lugar mágico, com muitas aventuras... Isso me fez me sentir melhor e menos sozinha, meu vô. Os doces, há os doces escondidos! Pé de moleque caseiro era sua especialidade, ainda me lembro das vezes que me presenteou com saquinho de pão cheio deles. Nunca mais comerei esse doce. Nunca mais pois sem sua companhia não será o mesmo.
Não quero te dizer adeus, meu avô. Onde foi parar todos os nossos planos? Não quero, não aceito. Dois meses é muito pouco para tudo que deve ser dito, vivido, apreciado. Não quero lhe ver abaixo da terra, não quero saber que sentirás dor assim.
Choro hoje tudo o que não poderei chorar até sua partida. Nada será como antes. Sua casa será vazia. Suas plantações irão secar. Não haverá mais roda caipira e nem folia de Reis. Vou sentir tanta sua falta, tanta. Não irá mais ter graça ler livros grandes e saber que não ouvirei suas histórias da escola.
Meu "Reynaldo Gianecchini", como lhe chamava quando mais nova, acho que Deus quer você ao lado Dele. Ainda estou com raiva Dele por levar meu segundo pai assim, mas tentarei me conformar que será algo bom para o senhor. Pelas gotas que ainda caem marcando o fim, te darei os melhores dias. Com muita festa, doces e vinho, mas principalmente com todo meu amor e carinho.

Para meu eterno galã Jairo Candido, meu avô.

Quando você vai embora
Os pedaços do meu coração sentem a sua falta
Quando você vai embora
O rosto que eu conheci também me faz falta
Quando você vai embora
As palavras que eu preciso ouvir vão sempre me fazer levar o dia adiante
E fazer tudo ficar bem
Eu sinto sua falta


quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Afta

Espremiam-se os olhos em salgadas lágrimas. As mãos mantinham-se fechadas em punhos com o constante movimento inquietante dos pés. Quanto mais doía, mais apertado ficava em baixo da língua. Os caninos perfuravam, as panelas espremiam e os anelares raspavam. Todos ao mesmo tempo ritmo de um concerto sem som.
Batidas rápidas e apreensivas do coração. Que a tortura acabe, talvez tenha dito. Mas a boca sorriu, está apenas começando. A dor era um misto de dor e prazer, do mesmo efeito que de dedão do pé quando encravado. Mais pressão, mais dor. Um filete de sangue.

terça-feira, 8 de setembro de 2015

De chuva em lágrimas, se tem um oceano

O fato de sentir o corpo pesado e leve ao mesmo tempo é tão contraditório e comum que apenas não faz sentindo algum cogitar algo contra. É uma constante balança da vida, ora está bem, ora está mal. Há momentos que o lado bem pesa mais, a outros que o bem nem pesa. Há dias não se vê um equilíbrio da coisa, o que no mento é algo extremamente difícil de se manter em pé.
A chuva não cede. É gélida, misteriosa. Brisas cortantes como navalhas, navalhas estas que não encontro há muito. Cega, totalmente cega. O verde é interessante, breve ar de outono. Nessa idas e vindas em busca do centro perfeito, admiro teus olhos as cegas. Olhos estes tão acolhedores, quentes e atrativos. Olhos que quero mergulhar sem volta em busca do amor acolhedor. De chuva em lágrimas, se tem um oceano.

sábado, 5 de setembro de 2015

Vovô

Havia uma árvore.
Oito galhos,
vinte e quatro folhas.

Vinte e três folhas com flores,
Flores lindas e cheirosas.

Uma folha morta.
Velha. Seca.
O bastante para contaminar as demais.

O início da vida.
O início do fim.

É..
Poesia talvez não seja meu forte.