terça-feira, 21 de julho de 2015

Nevasca cinzenta

A atração do céu foi maior, paralisando o olhar para céu cujo era totalmente carregado. O cheiro de terra molhada inundava suas narinas e o gélido vento, que bagunçava seus cabelos despenteados, congelava até a mais amarga alma que ali estivesse vagando no momento.
As nuvens cinzas pareciam tão atraentes naquele pequeno instante. Observou os tons e sobre tons de tristeza que ali haviam, se perdendo em diversos devaneios e lembranças que tais a proporcionava. Sorrindo timidamente, estreitou o olhar para um estranho cisco que caíra do céu lentamente em espirais. Esticando o braço e abrindo a palma da mão direita, pode notar que era resíduos de queimado que o vento trazia de alguma região longínqua.
Achando curioso, a soprou para longe até a mesma terminasse seu percurso no chão. Logo notou que outros resíduos iguais aqueles caíam também, em uma espécie de nevasca de cinzas. Caçando uma por uma que vinha em sua direção, e as "jogando fora" logo depois, começou a se questionar: de onde vinham? Por que foram queimadas, afinal? Seriam vegetações? Se sim, de onde?
Ao jugar pela localização atual, talvez viesse de algum terreno baldio ou apenas algum pasto qualquer que precisava "ser limpo". Isso, claro, desfigurou sua empolgação, porém não o bastante para terminar com a magia do momento.
A nevasca aumentava a cada segundo. A nevasca brasileira é cinza, concluiu por fim. Em seguida alguns pingos de chuva começam a bater no chão e em sua pele propriamente dita. Gelada e fria. Foi questão de pouco mais que trinta segundos para a mesma cair fortemente, afogando totalmente a cinza em poças que se formavam instantaneamente. Era o choro da natureza lamentando aquele fato insignificante.
A água pura tornava-se suja aos poucos, diluindo toda aquele pó negro. Ambas eram tristes se fundiam num resultado amargo. A linha da vida talvez fosse assim, ou talvez não. Tudo indicava que ainda havia motivos para mudar ao notar um leve arco-íris no céu ao horizonte, distante feito desejos. Sem dúvida alguma aquele fora um belo fim de tarde. Sem por-do-sol, mas ainda assim com sua beleza.

terça-feira, 7 de julho de 2015

Still Want You

O sol brilha em seu age sobre as areias, com a brisa bagunçando meus cabelos e o mar salgado me inundando os pés. Balanço a cintura para lá e para cá, sem me preocupar com nada. Um sorriso branco na face, uma musica ao fundo e as nuvens cantando comigo, me tirando todos os problemas.
Pulinhos e mais pulinhos. Sorvete de uva e castelos de areia. Nada de sombra hoje, quero apenas perder a transparência e correr, correr para o infinito além do meu quarto. Hoje não há você, não há aquele sentimento que ainda carrego, descendo para a terra feito um adeus falso e temporário.
Pés queimam, girando de um lado e do outro. Não é liberdade é felicidade. Felicidade que solta borboletas da barriga, suspiros dos lábios e grilos da cabeça. Não há certo ou errado, hoje está liberado a toxina do bem estar. Feito doidos, feito estrelas das mares e conchas de siris. Sua voz ainda insiste em me trazer lembranças, mas não quando minha melodia te cobre com o som do carro no máximo.
Sorrir, sorrir, sorrir, sorrir. Sorrir até doer. Sorrir até se cansar. Sorrir até que não haja mais motivos para sorrir. Hoje será apenas eu e minha bola de praia. Sereias. Porque é assim, feito maresia, estou cheia de fotos analógicas!


segunda-feira, 6 de julho de 2015

Medo súbito da mudança

Você está partindo, eu vejo. Caminhando cada vez mais para dentro de um labirinto pelo qual não posso te buscar. Não gosto da ideia de te ver se transformando em outra, mas nada farei para intervir. Uma escolha sua, somente sua, que gostaria de impedir.
Pessoas mudam a todo tempo. São transtornadas pelo seu passado, por medos e arrependimentos que carregam. Tento entender seus jeitos, mas você os esconde com raiva convulsiva. Você está tetando ser melhor do que poderia ser, encontrando prazeres dentro de pequenos tesouros, isso não parece impossível para mim.
Talvez seja tudo o que você fez de errado, apenas morda na sua língua de prata com a que você mentiu para si mesma. Sim eu possuo medo da súbita mudança que você terá, um medo estranho que me perturba à horas. Na borda do labirinto, prestes a cair. Talvez seja eu ali, talvez seja você. As mascaras estão caindo, no espaço há um som de uma voz que nunca será encontrada.
Talvez seja tudo um grande erro, amanhã quem sabe estará tudo bem. Uma pobre ilusão que quero confiar. Não confiou mais em mim, eu notei no seu olhar. Perambulo por aí, pensando em te buscar, mas talvez não seja a hora nem o certo.
Na porta do labirinto eu estarei, sentada no chão olhando as estrelas. Estarei com medo de suas súbitas mudanças. Na Terra eu posso reclamar como no inferno eu posso estar seguro. Eu não entendo essa vida que você leva, tentando ser outra pessoa, tentando ser os que ajudam, encontrando aquele que ajuda você a respirar. Só desejo que não seja tarde demais para você!


Hoje uma mente, amanhã o mundo!

O coração pulsava a cada vez que pensava sobre. Ansiedade e medo, o adeus a lamina era aquietante. A ansiedade por construir um novo caminho com sua ajuda, amigos para eternidade (e se reclamar será mais que o próprio infinito). O sol se escondia dentre as nuvens, não há palavras para descrever como tudo parecia tão normal - o que não deveria, afinal seria um grande dia.
Muitas palavras foram ditas, muitos risos e sorriso também. Não há mais barreiras nem medos, tudo fora vencido aos poucos. Olhos negros e castanhos, cumplicidade nata de dois psicopatas que ainda dominarão o mundo como dupla infalível.
Havia uma criança perdida, um herói a procura. O brilho se perde em muitos momentos, quando lembranças más decidem passar sobre nós, mas tudo bem, somos irmãos há muito e laços foram formados definitivamente ontem.
O céu continua nublado, no inverno é sempre assim. Trovões insistem em nos atormentar. Contudo, é fato que agora temos um ao outro, seja por desenhos, jogos, experiência contada e histórias. Um guarda-chuva pronto para ser aberto a qualquer momento. Amigos, espero eu, para a vida toda e até depois disso, pois assombraremos muitas fotos por aí...
"Hoje uma mente, amanhã a cidade, depois o país e por fim o mundo, se não a galáxia junto". No seu trono, observarás tudo e a todos. Tenho fé nisso. Curou-se os vícios, os cortes se fecham aos poucos numa lenta cicatrização, onde desenhos falam e robôs viram zumbis devido ao vírus! (essa é a melhor parte hehe).
Sou grata a ontem, Deus. Num mundo dominado por humanos hipócritas ainda há esperança. Num lugar psicodélico que é nossa mente insana ainda pode-se haver paz se soubermos confiar um ao outro. Imperdíveis, talvez. Nossa armadura se fortaleceu. Obrigada, novamente, pelo primeiro de muitos dias de meditação!