segunda-feira, 22 de junho de 2015

Portas que se fecham, outras que nunca se abriram de fato

Tudo deveria estar bem, pelo menos em tese. Mas não está fluindo como deveria. O que torna as coisas complicadas, pois tive um dia incrível ontem, isso deveria recompensar as coisas e fazer tal peso na balança. Talvez eu seja ingrata e nunca tenha percebido, mas por hora não quero pensar sobre isso.
Não há nada pior do que um "não posso falar", "foi algo lá, não dá para te contar". O pior é saber e compreender que certas coisas não se deva compartilhar com os outros, por mais que se confie em alguém. Mas sabe, a curiosidade é atiçada, a duvida e o receio também. Será que sou/dou motivos para que não confiem em mim?!
Essa dúvida é triste. Quando mais de três pessoas fazem isso é inevitável não se deixar levar. É frustante e dá uma imensa vontade de chorar, mas não chorarei. Não enquanto as luzes estiverem acesas. Se não for confiança a questão, então talvez seja proteção. Proteção por ser eu muito ingenua e querer ajudar sem saber como, ou proteção de si próprio por não ser confiável (acho que voltamos ao item um).
Só estou cansada de ser a última a entender, a compreender e nunca ajudar. É como se estivesse lá, de porta em porta buscando por alguém e todos me fechassem as portas com dizeres "amamos você, mas no momento não és convidada".
Okay, nem todos são assim. Ainda há uma porta aberta, alguém que me deixe confiar e me dê confiança. Alguém que, mais que tudo, me ensina e protege do mundo de forma tão amável e imperceptível. Talvez no momento essa porta aberta seja a unica que eu queira ficar até que todas as outras se abram, só espero que não se abram tarde demais.

domingo, 14 de junho de 2015

O caminho para casa

Confusa, cansada. Acordar chorando é cada vez mais cotidiano. É incrível que quanto mais tento construir uma barreira a tudo que me chateia, ao fechar os olhos tudo desmorona. No fim, não superei nada, ou talvez esteja superando mas não esteja percebendo.
No momento, não vou negar, estou chorando de novo. Tudo parece estar caindo, se partindo. Não há paredes em pé e o céu já não é azul. Estou perdida e infelizmente não estou sozinha. No fim, quando ajudo alguém acabo o levando junto comigo para isso. Não há palavras para conforto, só posso tentar levá-lo a superfície. Isso se conseguir ir.
Essa penumbra que vai e vem. Até quando meu Deus? Só quero um pouco de sol, uma luz que nos mostre o caminho de casa. Só quero ir para casa. Apenas isso. Seja onde for, só desejo que a dor acabe para nós.

Ela quer ir para casa, mas ninguém está em casa
É onde ela deita, machucada por dentro
Sem nenhum lugar para onde ir, nenhum lugar para onde ir
Para secar seus olhos, machucada por dentro


quinta-feira, 4 de junho de 2015

Um dia qualquer

Era um dia qualquer de 1994, mas me recordo de que era março. O sol começava a anunciar que iria se por. Os carros não paravam um segundo de passar por aquela rua, afinal São Paulo só crescia a cada dia. Nesta rua qualquer, rodeada de prédios velhos, se encontrava o meu. Deplorável, diziam, talvez ainda caia sobre alguém. Pois que caia, eu pensava.
Estava encolhida no chão, observando de longe a sacada aberta. Meus cabelos escorriam sobre o meu corpo nu, molhados. Não sentia frio e muito menos calor, a brisa batia hora ou outra na cortina. Em meus dedos havia um cigarro e ao meu lado um cinzeiro acompanhado de uma garrafa de vinho meio vazio. Meus olhos ardiam pelo resto maquiagem que ali jazia, borrada e irritadíssima.
Inflava toda a fumaça para dentro e depois soltava em um suspiro. Estava entendiada, chateada. Quem se importa? me questionei. O rádio chiava uma música, talvez seja Elis Regina pela sonoridade da voz.
Eu gostava da Elis Regina, era aconchegante e doce, capaz de acalmar minha alma já morta. Era como um abraço de mãe, um presente de um pai e uma rosa de João. João... Sorri acanhada, olhando o céu já rosado e alaranjado. O único capaz de tirar de fato essa depressão. Me estiquei puxando um telefone vermelho do criado, girei alguns números e após chamadas pude suspirar mais fumaças.

_ Alô? João se encontra?


segunda-feira, 1 de junho de 2015

Assinado Eu

Somos uma família normal de três pessoas. Aparentamos ser felizes em fotos e no decorrer das aparências, mas a verdade chega a ser ofuscante. Sou filha única, já considera velha por assim dizer. Não é fácil ser só no meio de um casal, nada nunca está bom o suficiente. A pressão sempre cai sobre sobre o menor, isso é tão difícil de lidar.
Vou para um lado e escuto coisas como "nossa, mas você vai sair de novo? Você já saiu faz quinze dias! E você sempre sai para ir a escola, custa ficar em casa e estudar? Esse um dia que você vai sair vai te custar o seu futuro". Será mesmo mãe? Será mesmo que sair por miseras poucas horas para rever pessoas tão queridas vai me prejudicar? Vai me prejudicar querer descansar um pouco, me acalmar dessa pressão, dessa penumbra e maldita "faze enem"?!
Depois de ser ignorada, me calo e vou a outro canto e escuto coisas como "essa merda não vai nunca! É só no seu computador que não vai, é o seu computador! Isso é tudo culpa sua, a outra não estava boa para você, agora olha a bosta que ficou! Culpa sua!". Será mesmo pai? Será mesmo que é minha culpa? Nunca questionei outros serviços. Claro que, que internet não tem suas fazes ruins, não é mesmo? Mas será que não está sendo equivocado em dizer que é minha a culpa, sendo que por motivos financeiros o senhor colocou a primeira porcaria que encontrou?!
Já não aguento mais segurar as lágrimas. Gritar até ficar sem voz é tudo o que eu mais queria no momento. Meu pulso dói, arde feito pimenta e está bem avermelhado, mas não se compara aos cortes que as vozes desse casal, cujo são meus amados pais, ficam se repetindo e repetindo em minha mente, uma constante tortura.
Curioso como já é o terceiro texto que faço, derivados do mesmo problema. Desculpe força-lhes a ler tantas coisas com os mesmo problemas, mas quando se ouve trezentas vezes que tu és a raiz dos problemas, você acaba necessitando desabafar de alguma forma. Como Dumbledore faz em sua penseira, se livra de pensamentos e lembranças obscuras. É o que eu busco agora, me livrar de tudo.
Só não quero mais ser a raiz do caos, só quero - de verdade mesmo - que Deus de apenas uma olhada aqui e torne essa cruz mais fácil, que a solução desse problema - que sou eu, obviamente - não seja por fim a minha vida, mas é complicado quando se para pensar que se eu sumisse esse casal seria mais feliz.
"Essa vida, não tenho mais paz. Sou cagado, não nasci com sorte" Pai. "Não tenho mais tempo para mim, trabalho e trabalho, nada funciona. To cansada, desgastada. Vou me matar (...), coloca fogo em tudo, que quando não existia essas porcaria, nós eramos mais feliz!" Mãe.
Prometo achar uma solução... Assinado Eu.

Sou fraca e não aguento dificuldades

Não estou me sentindo bem. Por que é tão difícil me sentir feliz? Passei por diversos problemas esses dias, como se literalmente o universo estivesse contra mim. Isso parece tão mesquinho, não é mesmo? Mas infelizmente é assim que me sinto. Incapacitada, azarada, para baixo, burra...
E é incrível que quanto mais triste você se sente, mais os cosmos ficam contra você. Os problemas não param de surgir. Uma verdadeira bola de neve que cresce a cada vez. Aquela pedra que você carrega em seus ombros fica ainda mais pesada e você começa a cair no penhasco do desespero, se ferindo seja como for para recompensar sua inutilidade. Porém, após se arrepender de mutilações, é que a ficha cai: uma dor não cura a outra, tudo fora calor do momento, você sabe disso, mas torna a refazer.
Sempre quis ser especial de alguma forma, uma futilidade que se ensinam em filmes americanos, mas pela primeira vez na vida só queria ser um pouco esquecida pelo destino, ser igual aos outros, e pudesse ter um pouco de sossego, sorte, paz. Admito, sou fraca e não aguento todas essas dificuldades divinas que são como verdadeiras facadas. Só quero algo fácil, talvez uma bolha protetora.
Há pouco disse para um amigo que heróis não existiriam se não fossem seus obstáculos. Mas, desculpa sociedade, não sou heroína e muito menos vilã. Sou o meio termo, sou humana, adolescente folgada. Um quarto isolado agora me cairá bem...