sexta-feira, 29 de maio de 2015

Dúvidas e mais dúvidas com uma dose extra de medo

Acordar de manhã e se sentir realmente bem é cada vez mais raro nos dias atuais, ao menos para mim. São tantas questões, tantos afazeres. Sinto um peso enorme nas costas que se intensifica a cada vez que olho para o lado e vejo pilhas e mais pilhas de exercícios, livro para ler, escola, cursinho...
Me prendo na escuridão. Meus olhos ardem, estão pesados. Sinto sono e apenas penso em um único objetivo: desistir. Para que me esforçar tanto? A cada dia perco mais as esperanças, mas o ruim de ser dedicada por tanto anos é você não saber como desistir. Estou exausta disso tudo.
Mesmo cansada e com dores nos ombros vou estudar. Não tenho um motivo em especial, só quero ir bem nesses simulados da vida. Poder dar uma ajuda ao meu velho e ver um sorriso orgulhoso a minha mãe. Mas é inevitável as dúvidas, como podem querer que alguém que nem fez dezoito anos ainda já decida o futuro de toda sua vida? E se eu me arrepender, vou ter perdido tanto tempo nisso, não vou?
Estou com medo. Sempre tive medo desse dia, quando ele chegasse. Talvez não aproveitei tudo o que eu tinha para aproveitar, chegou a hora dos sacrifícios. Trocar a diversão por um caderno aberto. Que tristeza a minha. Mas tudo bem, é um sonho que precisa ser realizado, só me pergunto se é o meu sonho ou sonhos de alguém.

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Sua voz

Hoje pela primeira vez depois de muitos meses pude ouvir sua voz. Me senti bem matando essa saudade agonizante. Pude acalmar meu coração, me libertar da angustia e do medo por alguns minutos. Ouvir sua voz grave e suave, mesmo que seja atrás de um mero fone de ouvido, é como ouvir a mais bela música de uma ópera, é como se descobrir no paraíso e iluminar-se de luz, sentimentos apenas bons. Ouvi-la é como sentir sua alma, seu toque imaginável, é como estar um pouco mais perto de ti mesmo que por poucos centímetros.

Lamentos de um homem que não soube amar na hora certa

Era uma quinta-feira como as outras. O sol começa a despertar, alguns carros passavam, porém o movimento era mínimo. A lanchonete onde eu me encontrava ficava no centro, mas servia também como um bar, para a felicidade de meu controlado vício. Uma televisão passava algum programa pelo qual não me lembro e mal podia ouvir, devido ao radio que alguns senhores ouviam nas mesas atrás de mim.
Virava meu copo americano cheio de cafeína, aos poucos. O líquido quente queimava-me a língua, mas que passava assim que engolia meu pão-de-queijo duro feito pedra. Os olhos escorriam lágrimas, talvez uma pinga cairia bem, mas só Deus sabe o quanto ela odiava este meu lado fádico.
Levantei dali, lugar repugnante e amigo para todas as horas, ou até que seu dinheiro acabe. Caminhei pela linda praça tragando um cigarro atrás do outro. O céu estava em um misto de laranja, azul e rosa, sendo inevitável ver ali seus cabelos, olhos e batom.
Admirava-lhe tanto e tudo terminou assim. Antes fosse traição. Antes fosse você ter se cansado. Mas tudo não passou de um erro meu, um erro fatal. Sua vida foi o preço de meu erro, sinto-lhe muito. Me arrependo tanto de cada palavra que não disse, de cada vez que te neguei meu amor e por ser tarde demais hoje.
No meio da praça, tirando a gravata, caminhei na rua mais movimentada. Estava transtornado, mas tudo o que eu queria era podê-la vê-la novamente, refazer todas as coisas boas e concertar as erradas. Antes do frio aço de um caminhão tocar-me com toda sua voracidade, pude sorrir. Em breve seria feliz de novo.

sexta-feira, 22 de maio de 2015

O céu não é o bastante

O que difere do real ou sonho? Sempre me pergunto isso antes de adormecer. Não seria mágico poder tornar real todos aqueles momentos felizes que insistimos em imaginar sempre que fechamos os olhos?! Para mim seria algo esplendido, poder te tocar e te fazer sorrir. Mirar nos teus olhos, bagunçar teu cabelo e sentir tua alma. Dizer eu te amo e provar da tua boca.
Seria como um manjar dos deuses, ter uma vida sem arrependimentos em que tudo ocorresse de forma perfeita ao meu olhar. Entretanto, obviamente isso não seria o suficiente. O ser humano por mais honesto que seja, na primeira oportunidade de enriquecer ficá ganancioso, um ser que é facilmente corrompido com nuvens. O céu nunca é o bastante. Em dias, seu paraíso particular não seria o suficiente para si, desejaria por mais.
Desejaria voar, flutuar, suspirar, esquecer e recomeçar. O que é o paraíso então, se nada é o bastante? Qual é a magica se no fim não é o que de fato queremos dali a alguns anos? Não sei, não compreendo. A dor de deixar o ontem realmente para trás eu não saberei, não fazia questão de entender. Apenas queria ir para outra vida real, com outros sonhos imaginários, deixando para trás memórias suas. Apenas longe de tudo.
Volto a perguntar, o que difere do real ou sonho? Talvez nada, talvez tudo. Quero apenas chorar e ansiar pela busca incessante de uma vida boa. De um paraíso, mesmo ele sendo você. Mesmo ele sendo algo inconceptível. Mesmo que ele seja o simples, uma mentira, o nada. Adeus céu...



terça-feira, 19 de maio de 2015

Doce recomeço de voltar para a casa

Atravessar aqueles portões, nunca pensei que um dia voltaria ali novamente. Já fazia um ano que jurei nunca pisar ali, mas cá estava eu, pisando naquele solo molhado pela mansa chuva gélida de fim de outono. Muitas dúvidas surgiam, medo e incertezas. Seria certo estar ali?
Assinar os papéis com a mão tremendo, juro-te que não era frio. Caminhar por ali, ouvindo dois gatos pingados miar "ela voltou?" e aquela sensação estranha de que a qualquer momento alguém apontaria o dedo para mim, me julgando sem buscar me entender. Apenas queria me esconder, ser invisível talvez.
Logo o sinal tocara e os olhares reduziram aponto de eu realmente ser notada apenas pelos professores e uma amiga, a amiga por assim dizer. Ninguém melhor do que ela naquele momento. As duvidas passaram quando no corredor ouvi meu nome e lá estava, minha pequena, minha doce amiga de sangue. Um abraço apertado e então eu tive certeza: foi a coisa certa.
Muitas coisas nessa minha vida de dezessete primaveras se passa, desde de a dor de um possível coração partido a enfrentar uma mudança de escola pela segunda vez. Sei que deixei muitas coisas para trás, perdendo muitas chances felizes e só tenho a agradecer por toda a experiência que tive nesse um ano fora, porém é hora de "voltar para casa", mostrar que mudei e amadureci, quer eles queiram ou não. Não me abaixarei mais, é uma promessa, apenas serei como sempre fui e pronto. Será meu doce recomeço.