quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Monotonia noturna

Virava de um lado para o outro. O lençol da cama já estava todo bagunçado tal como a coberta que havia virado uma bola de pelos. A respiração era densa e pesada. Os olhos abertos denunciavam o misto de sonho e realidade, mesmo que em seu subconsciente se instalava pesadelos seguidos de pesadelos pelos quais ela só queria encontrar a realidade de uma vez.
As alças de sua blusa sobre os ombros era uma das poucas visões de que obtinha antes de novamente se virar para o outro lado. Nenhuma posição lhe trazia paz noturno, mas sua busca não havia terminado ainda. Sentia os cabelos ficarem cada vez mais bagunçados devido aos movimentos e o pouco suor que juntava em sua nuca.
O despertador tocou um tempo depois. Não demorou nem um minuto para estar sentada na cama com os pés desnudos tocando o gélido chão. Um pouco de vertigem acompanhados pela confirmação do cabelo extramente ouriçado.
Admirou a cortina fechada por alguns minutos antes de abri-la. A luz do horário ainda era um misto de azul e roxo, com poucas nuvens ao horizonte. Alguns pássaros cantavam bom dia, mas a noite mal dormida não a deixou admirar de fato tal obra. A luz que invadia seu quarto agora passava para o amarelo para perder a força logo em seguida por uma densa neblina.
Espreguiçou até estralar alguma parte do corpo. Suspirou sentindo-se vazia, literalmente vazia. Calçou os chinelos sem olhar para o chão e então prosseguiu, acompanhada de seu cachorro, para cozinha, onde mais um dia se iniciava. Um longo dia.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Furacão sem liberdade

Por onde eu passo, destruo tudo. Não fica nada em pé. Um sussurro equivale a um grito sônico devastador não só de tudo e todos como de mim também. Uma paisagem fria e densa se forma, não há nada de lindo e atrativo nisso. Só resta o isolamento e a aceitação da solidão.
Não há mar, nem terra. A vegetação toda se esvai. É estranho isso, quero abraçar o mundo de amor e só causo mais repulsa e ódio. Receber olhares tortos e mesquinhos ao som de calúnias.
Complicado isso. Vou seguir um rumo sem rumo, porém não posso. Não posso porque me obrigo a não ir, a não querer e a não viver. Talvez eu deva encarar como lei que viver não possa estar nos meus planos. Nunca esteve se formos contar que, segundo ouvi dizer, nunca deveria ter surgido nesse planeta.
Eu sou um furacão sem liberdade em terras frias. Posso chorar um oceano todo que ainda assim não deixarei de ser um furacão. Nada muda se eu não mudar, mas como ter forças de mudar quando não se possui um escudo de qualidade? Talvez seja mais uma desculpa para tentar aceitar e tentar não se ferir mais. Extremamente frustrada comigo. Contudo, ainda sou um furacão sem vento, que tem como maior objetivo acabar com tudo.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Voltar no tempo

Sabe "Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban" quando Hermione e Harry conseguem voltar no tempo através de um Vira Tempo e com isso modificam muitas coisas que deram errado e, basicamente, fazem um futuro melhor? Bem que poderia ter essas oportunidades na vida da gente, não acham?
Obviamente que muitas vezes não teria tanta necessidade assim, afinal penso que algumas cagadas que vivemos nos fazem aprender boas lições e ser quem somos hoje, maduros ou não. A questão é que tem algumas burradas que você faz e acaba prejudicando quem não tem nada com os seus erros, e para isso sim eu queria poder voltar no tempo e fazer diferente.
Hoje está sendo um daqueles dias que me sinto isolada e sozinha, onde as conversas que escuto passam em branco e as poucas que participo vejo como um apelo desesperado para sair da amargura e graças a isso prejudiquei uma pessoa com uma coisa tola que poderia muito bem ter esperado para ser enviada.
Culpa, arrependimento, vontade exagerada de chorar a cada minuto e uma dose extra de pedidos internos para ficar sozinha de baixo das cobertas sem falar com ninguém por um tempo é tudo que se passa por mim agorinha. Como sempre, eu estrago tudo a minha a volta, não canso de dizer que talvez seja minha vocação. Só espero que tudo se resolva da melhor maneira ou então nunca vou conseguir de fato me perdoar por isso.

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Pedaço de um diário pessoal

"Pois é, estou aqui escrevendo de novo. Não é mais um diário contando sobre meu dia, mas só uma pergunta tola: onde foi parar minha essência? Já não sinto mais meu suposto cheiro da vida e já não sei mais o que é escrever em uma folha de papel.
Tanta coisa (vem mudando) mudou esse ano, contudo nada mais que meus pensamentos, ou talvez eu finja que os mudei - não descarto essa possibilidade. Estou cada vez mais louca e mais algumas coisas que ainda não consegui descobrir ou descrever o que seja. A questão é: estou sorrindo escrevendo isso aqui (ao som de músicas britânicas e um chá gelado), de volta a você, caderno besta, só para me lembrar como é isso. Talvez eu de fato lhe abandone um dia, querido diário, porém não vou criar novas metas não cumpridas. Só espero que até estas folhas acaberem, que goste deste meu singelo garrancho."

[15/12/15 - pedaço de um diário pessoal]

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Um texto sobre a morte

"Se a morte é um descanso, prefiro viver cansada", esse era o discurso que a vó dele defendia veemente desde que ele, meu amigo idiota, se entendia por gente. Como um furacão que passa destruindo tudo que vê pela frente, nós três descobrimos uma doença já avançada em nossos avôs - avó no caso dele. Foram em torno de três a quatro meses para cada, até que a morte os levasse para um passeio sem volta.
A gente pensa que apenas nós podemos entender o que é passar por isso, mas com outros depoimentos percebemos que não. Existem muitas pessoas que também vivem o luto e para cada um é de uma forma diferente de absorver. Meu amigo idiota há pouco me contou sua experiência, ela sempre fazia piadas sobre a morte e já havia dado sustos sobre isso três vezes, o que carinhosamente me lembrou a vovó Chiyo do anime Naruto.
Mesmo no leito de morte ela não parou de brincar. O irmão do meu amigo idiota colocou a musica do "Alto da Compadecida" e ela brincou com os dedos para logo após sorrir. Então ela apertou a mão de sua filha e chamou pelo marido, que confortavelmente disse "vá em paz e com Deus, descanse agora" e enfim ela teve seu último suspiro e seus olhos perderam o brilho. De frente ela estava meu amigo idiota tendo sua pior experiência de vida, segundo ele mesmo me afirmou.
Engraçado a morte. Curioso as visitas no mesmo período de tempo. Triste o luto, que levam os melhores tão cedo. Literalmente algo que não indico nem para meu pior inimigo. Doce morte, Sr. Rorin, agradeço por livrá-los do sofrimento que é esta doença, mesmo a gente querendo muito continuar ao lado deles. É difícil aprender a conviver com esse tipo de saudade, mas acredito que não nos resta outra alternativa agora. Cuide bem deles onde quer que esteja.
No fim, como disse uma grande amiga: a carne perece, a alma é eterna. O fim de todos nós é o mesmo, precisamos apenas encarar isso e saber compreender que um dia também seremos levados. Nada de choro ou sofrimento, tudo tem seu tempo e sua hora. Talvez o conselho "viva hoje como se fosse o último dia" nunca fez tanto sentindo quanto agora.

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Capa vermelha

Bagunçado o meu quarto está. Tal como minha vida, meus sentimentos, meu cabelo. Nada está no seu devido lugar, nem mesmo eu. Deslocada, talvez eu não faça parte daqui. Cansada de me arrepender, de não conseguir dizer sem querer e não viver.
Quadrado no triângulo, triângulo no circulo, circulo no quadrado. Nada no seu devido lugar, nada fazendo sentindo. Não sou capaz de me mover daqui até ali, imóvel e preguiçosa no escuro. Zona de conforto, como gosto de dizer.
Incapaz, inútil. Chorar e organizar. Preciso organizar essa bagunça, mas não posso. A maçã não é mais gostosa como deveria, a pera perdeu seu sabor...
Enfim, para arrumar essa zona, preciso de um guia que modifique tudo aqui. Um guia que me mude como Ulisses mudou Lóri. Alguém que, bem, como possa dizer, que tenha a intensidade, por assim dizendo, que ambos possuem.
Mais choro, mais tristeza. Acho que o remédio e distrair a cabeça, enganar minha mente. Talvez resolva, espero eu.

(Para entender o que eu quis dizer, por meados, sugiro que leia "Uma aprendizagem ou O livro dos prazeres", Clarice Lispector)

domingo, 6 de dezembro de 2015

Gota a gota pelo ralo

Uma parte se esvai aos poucos, como uma chuva que escorre pelo ralo. Não consigo entender, ou talvez eu não tenha coragem o suficiente para descer esse muro sozinha. Não consigo encarar nada sozinha, patética.
Esse silêncio me irrita. Essa sensação de ver alguém idosa querendo ser uma criança só para chamar atenção, também. Gota a gota, vou pingando. Um texto curto, mas suficiente para tirar um pouco essa dor misturada a carência idiota e um toque de revolta.
Nada cai do céu além de chuva por aqui. Preciso me lembrar disso para enfim ganhar  alguns ralados dessa vida como premio de conquista. Conquista essa de enfim dizer: eu fiz algo, eu mudei algo.
Gota a gota pelo ralo. Que os canos me levem para o caminho que preciso, a coragem e imposição. Voz firme, gota a gota, voz firme.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Aquarela

Hoje, enquanto fazia uma ilustração tola de natal, fiquei admirando meu kit de aquarela. Analisando suas cores, e a forma como ela passa de pó a tinta. Molhando-as com água filtrada, girando a cédulas do pincel em diversas cores, tornando azul e preto a cor do céu noturno. Como é intrigante que, dependendo da quantidade de água, ela pode ficar muito concentrada ou apenas um reflexo colorido no papel. Se ir com calma e usar diversos pinceis, consegues fazer contornos e detalhes mínimos tais como um lápis de cor. E o papel enrugado no final, vira o charme da manhã. Com paciência, após a secagem do papel, vem os detalhes finais: passa a caneta ali, reforça com lápis ali. Assina seu nome e pronto, uma obra de arte feita em casa e por si mesmo. Com aquarela de escola.
Sabe, assim é a vida. Você cria um esboço, dá alguns detalhes e pinta a cada dia um pouquinho da sua arte. Obviamente algo dá errado, talvez você erre a cor ou use muita água, mas daí percebe que aquele erro foi o detalhe perfeito que faltava para o desenho estar completo. E no fim, quando já tiver terminado todo o trabalho e tiver deixado o mesmo secar por completo, ele descolorirá.
A aquarela é a vida, a vida é a aquarela ambulante. Até quando vai a nossa arte? Você cuida bem da sua? Que cores usa para ela? É o ciclo da vida que se inicia para todos, sem exceção. No fim, todos são artistas. Talvez... Bom, talvez esteja na hora de lavar estes pincéis.

domingo, 29 de novembro de 2015

Feita de mármore

O que é estar bem de verdade? Faz sete dias que me pergunto isso e ainda não obtive minhas devidas respostas. Tento me animar, mas aos poucos tudo se torna frio e sombrio, sem sentindo. Meu cansaço enfim se tornou dano físico. Em sete dias terminei uma cartela de remédio anti-dores. Dores de cabeça, costas, ombros, ventre com cólicas. Tudo desculpa para esconder a dor do coração.
A sensação que tenho é que estou caindo em um buraco sem fundo, eternamente agonizando pelo fim. Só queria chorar até perder a voz em soluços cálidos, mas já não sai mais nada daqui. Será que sou feita de mármore? Fria e arrogante, a ponto de ser sem qualquer tipo de sentimento, magoando a todos que amo por simplesmente ser um pedaço idiota de pedra?!
Vazia, é assim que me sinto. Mas como posso ser vazia sentindo tudo isso que descrevo? Queria entender minha cabeça, mas não consigo. A neblina é constante, não há nada que se possa fazer para dispersá-la, apenas aguardar o torturante tempo passar.
Não compreendo. Não faço questão de compreender ao mesmo tempo em que faço. Será que em algum dia as estrelas irão brilhar novamente? Onde está a luz, meu Deus, onde está a minha doce luz?

sábado, 28 de novembro de 2015

O vazio em que me encontro

Toda noite, antes de enfim vencer o cansaço e aprofundar-se na gruta dos sonhos, fico pensando e imaginando muitas coisas da minha vida. Como seria tal coisa se eu tivesse feito diferente? Como seria se tal fatos não ocorresse em determinado momentos? E se eu tivesse me calado em tal hora e ter dito em outra? As coisas seriam diferentes?!
Confesso que isso me machuca mais do que deveria, entretanto nada comparado com os futuros alternativos que crio para mim. Atitude ignorante que possuo de me machucar com imagens que nunca serão de fato reais, me forçando a usar de agressões mentais para me lembrar da realidade.
Eu enfim admito: não estou bem. Minha alma se sente vazia, mesmo que sozinha eu não esteja. Um vazio tão grande, uma imagem preta representando, literalmente, o nada. Ninguém disse que seria fácil, mas também não disseram que seria tão difícil.
As dezesseis horas amanhã irão totalizar exatos sete dias que você partiu. Sabe, me pediram para fazer uma homenagem ao senhor de somente coisas boas, mas perdão, ainda não consegui pousar minha mente num campo florido para realizar esse fato. Talvez eu tenha me esquecido como pousa, ou simplesmente esteja sem gasolina para voltar. É complicado dizer com exatidão quando tudo que faço é apenas limpar as lágrimas e tentar esquecer duas imagens marcantes:

1- a última imagem que guardei do senhor vivo! Sabe, você estava no hospital. Eu havia acabado de acordar no ombro do meu melhor amigo, aos poucos me acostumando com aquelas paredes verdes, me lembrando vagarosamente do que estava fazendo ali. Tivemos que ir embora e dobrando o corredor vi a porta do seu quarto aberta. Todo debilitado, com o aparelhos ligados e um sorriso na face. Desde que o conheci em vida, o senhor era cego, porém, eu creio que aquela fora sua primeira visão que teve de mim. Seus olhos esbranquiçados brilharam e um sorriso formou em seus lábios secos... Nunca me esquecerei desse momento;

2- a última imagem que guardei do senhor, após ter partido. Não irei me aprofundar muito nessa parte, está sendo complicado digitar com os olhos marejados... Mas tocar sua face, sentir sua carne fria enquanto eu lhe pedia um misto de "levante vovô" e "descanse em paz, perdoe meus erros com o senhor" foi a pior e mais triste experiência que já tive até o momento. O vazio veio ao assistir a construção da parede que fechava sua lápide. Aquele realmente era o fim, sem volta. O adeus definitivo.

Enfim... Tá na hora de encerrar esse texto como a noite se encerra ao nascer do sol. No fim tudo se ajeita, e essa minha jornada ainda terá um grande tempo para um recomeço. Um tempo que agora eu encerro minhas esperanças de que passe logo. Até lá, deixo seu rádio na estante cantarolando minha estação favorita de MPBs.

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Insignificância (ou talvez) Ignorância

Noite condensada, sem graça. Vagando pelo vazio de meu coração, mimada. Sei de cada coisa que tenho que fazer, de cada coisa que me agride e me anima, mas veja a ignorância que eu sou. Olhar para o teto ajuda, uma cobrança dos céus com respostas banhadas de silêncio.
A perda de fé sobre mim é grande e humilhante. Não há esperanças, não há sonhos, não há metas. Ficar parada coçando o umbigo nunca pareceu algo tão retardado de fazer. Triste tudo é, mas mais ainda esse texto, que triste fazê-los ler mais uma de minhas lamentações por ser sem sal do verbo agir.
Queria andar por um apartamento, adormecer no sofá e acordar cedo para as reprises em preto e branco que escapariam da minha boca. Te seguir até o começo, reviver o início e depois ir devagar em todas as nossas partes favoritas, como diz a música do Paramore.
Mas querer não é poder. Querer não é mudar. Querer não é acontecer. Nunca foi tão difícil aceitar uma lamentação que nada adiantaria reclamar. Insignificância define o momento.


sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Banhar-se

O chão estava gelado abaixo dos pés descalços. A roupa escorrida por todo corpo até chegar aos pés, onde chutou-os para um canto qualquer do banheiro. A porta estava fechada e podia ouvir o som abafado do vizinho que, milagrosamente, continha um repertório de "O Segundo Sol" da Cássia Eller.
Abriu o box, sentindo a tensão doer-lhe toda a musculatura de seu corpo. Suspirando, abriu o chuveiro ao mesmo tempo em que tornava a fechar o box. A água quente lhe acertou os ombros em cheio descendo por todo seu corpo ali. Sentiu, como de forma instantânea, seus ombros relaxarem aos poucos. Os olhos fecharam-se pesadamente enquanto que as pernas fraquejavam em um resmungo calado de não poderem relaxarem de fato.
Molhou vagarosamente uma bucha e a banhou de sabonete com cheiro de rosas ou lavandas, tão suaves no ambiente graças ao vapor que embaçava o espelho. Esfregou a face, os ombros, braços, busto, barriga, intimidades, coxas, pernas até os pés. Usava uma força misturada a suavidade e delicadeza. Sentia-se ficar limpa assim que a água novamente beijava-lhe o corpo, tendo suas impurezas irem embora ralo a baixo junto a tudo que lhe fez mal hoje, cada pensamento negativo e traiçoeiro.
Ainda usando a bucha, a encheu de água e espremia a mesma na base da nuca. A água lhe escorria pelas costas lentamente dando um misto de arrepios e relaxamento, retirando por alguns segundos todas as dores que sentia por cansaço. Repetiu o processo por mais algumas vezes, sendo agora acompanhada de solitárias lágrimas que pingavam na poça abaixo de si. Para cada gota que chovia ali, era um pensamento destrutivo que tinha sobre si. Pior que se ferir externamente é baixar a própria autoestima por si mesmo.
Os cabelos, enrolados e presos de qualquer jeito por uma piranha qualquer todo arrepiado devido ao vapor, encontrava-se já úmido e desgrenhado. Desligou o chuveiro aos poucos, batendo a testa com força no azulejo gelado. Sua costas recebia gotas restantes do chuveiro.
Tendo-se por vencida, enrolou-se numa toalha e enxugou-se sentindo todo o peso nos ombros voltar gradativamente. Secou as lagrimas, mesmo que as mesmas não quisessem cessar seu caimento. Vestiu-se com um pijama qualquer e ficou mais um tempo parada, fitando o vazio. Depois de se destruir mais um pouco, suspirou insatisfeita. Abriu a porta e saiu do comodo, lembrando-se de apagar a luz.

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Mil alfinetes cortando-lhe a face

Hoje é finados, geralmente todos se perguntam por qual motivo nesta data sempre chove. Na minha concepção deve ser o luto das divindades com os que já partiram, que choram e lamentam de saudade.
É um dia triste e cinza, com cheiro adocicado de flores no cemitério. Os túmulos se tornam mais frios que o normal e mais solos também. Um dia onde a maioria se veste de preto e aprecia a morte. Uma data "comemorativa" pela qual sinto muito acolhida e eu nem mesmo sei o porquê.
Está ventando como mil alfinetes cortando-lhe a face, me fazendo companhia nessas novas dores no coração. Talvez se eu fechar os olhos, possa relembrar a sensação de quando tinha minha companheira para dias como esse. Mas felizmente, a janela está fechada.
De qualquer forma, não quero ser visitada pela Senhora Morte hoje, apesar de saber que a mesma se encontra a espera de uma hora marcada em minha família. São tantos monstros me sugando as forças, tumultuando minha mente e estraçalhando meu peito, que estou bem no escuro. Sozinha, entretanto, não é algo a se confirmar.

sábado, 31 de outubro de 2015

Café da manhã

Acordar junto ao sol, os pássaros cantavam no jardim e o vento nos inundava com som dos sinos, tão suaves e calmantes. Sobre a mesa havia três xícaras, pães acompanhados de manteiga, leite, café e açúcar. De todas as xícaras, apenas uma ainda não fora usada, a minha.
Sentei sem fazer barulho. Analisei a situação que estava. Era amargante a sensação de abandono e solidão. Servi-me de leite com meio fatia de pão, que desceu empurrada na garganta um grande nó. Suspirei derrotada, enchendo-me de leite, que apesar do açúcar, parecia sem gosto.
Passei a fechar os olhos. O sol da janela atrás de mim refletia sobre a pia e me esquentava a nuca. Podia sentir o tempo seco e o barulho do ar-condicionado do vizinho, que fazia um barulho irritante. Olhei novamente os lugares vazios a mesa. Talvez a solidão fosse uma de minhas melhores amigas.

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Complexos

Complexos. Complexos são irritantes e malignos. Por que temos que ter tantos complexos, afinal? "Será que foi algo que eu disse?", "será que é algo que eu estou vestindo?", "será que eu fiz certo?", "será que estamos de boa?"...
São tantos "serás" em tão pouco tempo que passo a ter nojo do verbo ser as vezes. É terrível esse sentimento de culpa e desprezo por si mesmo, como se nunca fosse bom o suficiente para nada ou alguém (o que de fato é verdade), que nunca vai acertar nada na vida.
As oportunidades estão na nossa cara, implorando para ser pegas. Contudo, tudo que realizamos de fato é deixar elas passarem e apenas se lamentar no futuro as burradas que não fez. É um sentimento doloroso que me faz perder o sono e derramar lágrimas serenas.
Acho que no fim o pior inimigo que temos são nós mesmos, ou melhor, nossa consciência. Não adianta chorar pelo leite derramado, mas sempre estarei ali chorando. É meu castigo eterno por só tacar merda em ventilador.

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Devaneios...

Desencontros dessa vida, tenho muitos por sinal.
Hoje meu pulso dói, lembrando-me dos erros passados.
Ouço Paramore mais que tudo, me identificando em cada verso emotivo.
Como sempre, pago pelos pecado em oportunidades não sendo vistas, tudo sinônimo de castigos para si.
Você não está bem, eu sinto muito não poder tirar esta dor de você.
A chuva nos lava alma.
Sinta-se acolhido, segurando-te estou.
O som do silêncio a espera das novidades.
Segunda as sete horas. Currículo brevemente.
Aviões, estrelas, sonhos.
O carinho a ti.
Palavras sem sentidos aqui.
É, acho que a vida tem dessas...

Loucura insana, despertada na chama de uma tempestade

Se vida passadas existem, imagine como deve ser complicado encarar as mesmas situações passadas esperando que aquilo tudo se resolva dessa vez. Mas mais complicado ainda, imagine que nesse exato momento você pode estar onde morreu em outra vida, onde morou, onde nasceu...
Como você era em outras vidas? Eu sei que essa é fácil de responder, basta procurar os recursos que temos hoje em dia, mas no sentindo do seu subconsciente, como você era? Será que algo mudou em suas vidas? Além do tempo, obviamente. Se é tudo uma questão de escolhas, se tudo já fora escrito, por que nunca estamos de fato preparados aos acontecimentos que nos surgem ao longo dos anos?
São tantas dúvidas, tantas buscas por respostas de algo que sempre será um mistério. E mesmo quando se for, e tudo for esclarecido com o que há após nossa vida, será tudo esquecido na outra. Isso, claro, se houver outra.
Um ciclo sem fim de dúvidas. É como um ser humano e um grão de arroz. É como um ser humano e um universo. É como um grão de arroz e o universo. A grandiosidade de tudo que somos e de tudo que há a nossa volta. O que somos perante a esse todo que mal sei o nome específico? Somos nada. Apenas nada. Um grande nada no meio de um vazio infinito.
Sinto-me ficar louca com tais pensamentos. Quando foi as datas de minhas outras vidas? As pessoas que hoje convivo, o que não fora resolvido entre nós? São tantas incertezas nestes meus olhos, tanta futilidade e medo da verdade! A coragem se esvai a cada pensamento insano que tenho sobre o que há acima e a baixo de nós.
Espiritualidade, Deuses, Deusas, um próprio Deus e uma própria Deusa. Tudo interligado. Tudo indiferente. Nada faz sentindo de fato, nada deve fazer sentido de fato. Somos apenas vermes na imensidão dessa escuridão sem brilho.
O resumo de tudo. A dúvida de tudo. A crise existencial do século. A loucura insana, despertada na chama de uma tempestade. Meus olhos enfim se fecham, a boca se cala e a mente... Há! A mente! Está sim fez um grande feito agora: parou de pensar!

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Amor sem flechas

Hoje, passando por uma rua movimentada, a avistei  do outro lado do passeio. Estava sozinha, segurando um celular em mãos tremulas. Parecia triste, desnorteada talvez. O calor era escaldante, mas a sombra que a mesma havia pego abaixo daquela bonita árvore a ajudava ser paciente, sem dúvidas.
De primeiro momento, não irei mentir, fiquei um quanto tanto assustada ao notar ela ali, dando sopa com aquele celular em uma cidade tão perigosa nos últimos anos. Tudo piorou quando uma moto passou com dois homens a observando. Tive vontade de dizer "moça, cuidado" ao notar que ela nem notava o mundo a sua volta, mas continuei ali a observá-la.
Ela olhava para a rua, apreensiva e atenta ao vazio, era notável que esperava por alguém. Alguém que não apareceu. Alguém que não ligou avisando e não se importou em nada com ela. Pensei sobre aquilo, intrigada eu estava. Seria algum amor? Incrível como sempre pensamos no amor nessas horas. Mas mais incrível ainda em como somos manipuláveis por esse tal de amor, que nos ilude tão facilmente a fazer papel de trouxa.
Observá-la chorar enquanto desistia de esperar e seguia embora, tentando ainda uma ligação, onde concluí ser o caminho de sua casa,  me fez pensar em como evitar tais coisas, mas acredite, acho que isso é algo muito difícil de decidir. Eu posso muito bem prometer hoje que não cairei nas garras do amor, para amanhã estar triste por um fato não ocorrer comigo. Não é algo fácil viver sem essa atração que temos quando se é tão dependente e carente no carinho que alguém possa nos dar, somos viciados no amor mesmo não querendo ser e temos como consequência essa dor incessante no peito.
Vê-la partir, saber que iria ter raiva dos homens e desabafar com as amigas me fez ter muita raiva de alguém que nem mesmo sei se de fato existe. Mas por outro, me fez pensar sobre o amor, nos meus próprios papeis de "trouxiane" que já tive ou terei. Naquela jovem moça vi meu próprio reflexo e o reflexo de milhares de pessoas desse mundo velho. Talvez quando soubermos ser imunes as paixonites da vida, poderemos enfim ter um amor sem flechas.

domingo, 11 de outubro de 2015

Um brinde a isso...

Hoje foi um daqueles dias que, mesmo sendo 23 horas aproximadamente, eu percebo o quanto realmente me deixou feliz. Um dia sem arrependimentos, de total momentos bons. Tanto que dedico este brinde a hoje, a paz que me trouxe e a boa companhia que tive.
Dentre tantas magoas, nada de brigas hoje! Apenas fui para cima como se o fundo do poço não existisse mais. Um fim de semana louco, onde deixei tudo fazer efeito da maravilha que é quando se encontra as pessoas certas, boas, verdadeiras e leais para si. Um brinde a isso, meus amigos, 18 é o agora!
A qualidade do momento é tão grande, que simplesmente não me importo de estar ruim amanhã, desde que hoje seja memorável como o dia que, apesar da timidez, eu pude viver. Andar sem medo, ao perceber que agora não preciso criar falsas situações de ser pega no flagra. Conversar e olhar no rosto de quem antes tinha vergonha por ser do sexo oposto. Trocar os velhos All Star, por uma sandália rasteirinha e os cabelos quase cacheados, um processo ainda a digerir. Um brinde a isso, o florescer do que segundo dizem ser uma flor!
Agrego hoje mais um significado para minha primeira música favorita, Cheers. Que venham muitos brides e muitas sensações gloriosas como hoje. Muitas viagens em chão firme e muitas rosas no lugar de balas. Que se inicie esta nova faze junto a primavera da idade. Então ergam seus copos, pois este é o primeiro de muitos momentos de brinde para a noite!
A vida é um brinde, um grande brinde de whisky com gelo. A cada ano, é uma rodada diferente. Agora que aprendi o jeito certo de fazê-lo, fico bem com novas rodadas da mesma dose. Nada me atinge desde que eu tenha este copo para levar e gritar: um brinde a isso!


segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Hoje, porém...

Hoje, porém, me sentia chata.
Hoje, porém, fui muito insensata.
Hoje, porém, chorei muito.
Hoje, porém, fiquei no relento.
Hoje, porém, esbanjei infantilidade.
Hoje, porém, espirrei inutilidade.
Hoje, porém, fui carente.
Hoje, porém, fui mais ainda é incoerente.
Hoje, porém, vivi o apego.
Hoje, porém, encarei o desapego.
Hoje, porém, tentei omitir a realidade.
Hoje, porém, acabei abraçando a verdade.
Hoje, porém, tomei o caminho errado.
Hoje, porém, indaguei o destino a mim certificado.
Hoje, porém,senti muita dor.
Hoje, porém, me afundei no horror.
Hoje, porém, embacei a visão.
Hoje, porém, perdi a coesão.
Hoje, porém, o chá foi as 16 horas.
Hoje, porém, não houve floras.
Hoje, porém, a paz não me ouviu.
Hoje, porém, o laço me viu.
Hoje, porém, perdi a batalha.
Hoje, porém, não desisti da guerrilha.
Hoje, porém, fui insegura.
Hoje, porém, trabalhei a fartura.
Hoje, porém, ansiei pelo bem.
Hoje, porém, deveria parar de dizer porém.

terça-feira, 29 de setembro de 2015

Melancolismo de aniversário

Quando foi que o tempo decidiu correr? Então é assim, em um dia - chuvoso por sinal - você acorda e é maior de idade. Isso muda alguma coisa, ou melhor, deveria mudar? A resposta é não, mas a busca pelas mudanças é inevitável.
Saber que ainda se pode se surpreender em um mundo frio é interessante. Quem diria que alguém como eu ganharia uma festa surpresa. A probabilidade disso é muito pequena, quase insignificante, mas pois é, isso aconteceu.
Se sentir amada tem sido algo bom nos últimos tempos, saber que há onde se pode agarrar. Isso é fabuloso e estranho. Então há em quem se possa confiar. É como um farol me guiado para a ilha certa, onde o mar que me encontro, infelizmente, ainda se apresenta cheio de monstros. Monstros esses que te forçam a dizer adeus muito rápido ao mundo.
A magia do aniversário aos poucos está indo, de fato tudo voltará ao normal amanhã. Nada mudará além de mais responsabilidades, mas no momento decidi pensar que idade é apenas questões de números. Hoje tenho 18, com pensamentos de 70 e agilidade de 5.
Desculpa passado, desculpa as palavras que talvez não lhe agrade. Eu dei meu melhor. Apesar das musicas de "bad" e das inúmeras tarefas das quais não quero cumprir, digo adeus para esse texto e olá para maior idade, com uma lágrima em um olho e o sorriso no outro. Um belo jeito melancólico para aniversário, não?!

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Corda bamba

Como a vida é engraçada. Em um dia você está sozinha em um mundo gigante, repleto de espinhos. Em outros, está acolhida com pessoas boas em um mundo cor-de-rosa. É difícil afirmar quando ocorreu e o por quê de ter ocorrido, mas a questão é que é um sentimento viciante pelo qual você não quer se desfazer.
Dizem que feliz é aquele que nunca amou. Talvez esteja certo, quando lhe ocorrer a perda não sentirás dor. Mas também se reprimira de quaisquer carinho, de risos verdadeiros e uma sensação boa de saber que se pode contar com alguém. Alguém cuja o motiva a seguir em frente, que segura tua mão e te puxa a orelha quando você faz alguma merda.
Porém, como afirmei por aí, quando se cria um laço irrevogavelmente você quer que ele nunca se parta. A qualquer sinal de alerta, lá está você reforçando fitas e colas, para manter a união. Saber que um dia não será essa doce rotina que me aprendi - e não quero sair - machuca constantemente. É inevitável não liberar as marés pelo olhar.
Preciso me preparar para isso. Mesmo que demore, é como andar sempre em corda bamba. Rezo, torço, imploro, que demore tempo o suficiente para que nunca seja necessário. Temo como será a volta a solidão seja o tempo que for, como uma eterna egoísta. Contudo, deixo claro, quando voltar ainda terás a chave.

domingo, 13 de setembro de 2015

Quando você vai embora

Choro sempre que lembro disso, mas dessa vez choro calada. Sem ruídos, apenas as memórias de um dia que fomos felizes. A carne amarelada que um dia será apodrecida, não queria prever isso. Uma bomba com contagem regressiva feito ampulheta sem cor. Para dizer adeus, não estou preparada.
Ainda lembro de seus conselhos, de suas sábias palavras e de todo carinho que tens comigo. Da vezes que me convenceu de que usar óculos na terceira série seria algo divertido, de que eu ficaria mais linda do que era, mesmo que o senhor não pudesse me enxergar. Ainda lembro de quando me mudei, e o senhor me ensinou o nome do prefeito e me convenceu que aqui era um lugar mágico, com muitas aventuras... Isso me fez me sentir melhor e menos sozinha, meu vô. Os doces, há os doces escondidos! Pé de moleque caseiro era sua especialidade, ainda me lembro das vezes que me presenteou com saquinho de pão cheio deles. Nunca mais comerei esse doce. Nunca mais pois sem sua companhia não será o mesmo.
Não quero te dizer adeus, meu avô. Onde foi parar todos os nossos planos? Não quero, não aceito. Dois meses é muito pouco para tudo que deve ser dito, vivido, apreciado. Não quero lhe ver abaixo da terra, não quero saber que sentirás dor assim.
Choro hoje tudo o que não poderei chorar até sua partida. Nada será como antes. Sua casa será vazia. Suas plantações irão secar. Não haverá mais roda caipira e nem folia de Reis. Vou sentir tanta sua falta, tanta. Não irá mais ter graça ler livros grandes e saber que não ouvirei suas histórias da escola.
Meu "Reynaldo Gianecchini", como lhe chamava quando mais nova, acho que Deus quer você ao lado Dele. Ainda estou com raiva Dele por levar meu segundo pai assim, mas tentarei me conformar que será algo bom para o senhor. Pelas gotas que ainda caem marcando o fim, te darei os melhores dias. Com muita festa, doces e vinho, mas principalmente com todo meu amor e carinho.

Para meu eterno galã Jairo Candido, meu avô.

Quando você vai embora
Os pedaços do meu coração sentem a sua falta
Quando você vai embora
O rosto que eu conheci também me faz falta
Quando você vai embora
As palavras que eu preciso ouvir vão sempre me fazer levar o dia adiante
E fazer tudo ficar bem
Eu sinto sua falta


quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Afta

Espremiam-se os olhos em salgadas lágrimas. As mãos mantinham-se fechadas em punhos com o constante movimento inquietante dos pés. Quanto mais doía, mais apertado ficava em baixo da língua. Os caninos perfuravam, as panelas espremiam e os anelares raspavam. Todos ao mesmo tempo ritmo de um concerto sem som.
Batidas rápidas e apreensivas do coração. Que a tortura acabe, talvez tenha dito. Mas a boca sorriu, está apenas começando. A dor era um misto de dor e prazer, do mesmo efeito que de dedão do pé quando encravado. Mais pressão, mais dor. Um filete de sangue.

terça-feira, 8 de setembro de 2015

De chuva em lágrimas, se tem um oceano

O fato de sentir o corpo pesado e leve ao mesmo tempo é tão contraditório e comum que apenas não faz sentindo algum cogitar algo contra. É uma constante balança da vida, ora está bem, ora está mal. Há momentos que o lado bem pesa mais, a outros que o bem nem pesa. Há dias não se vê um equilíbrio da coisa, o que no mento é algo extremamente difícil de se manter em pé.
A chuva não cede. É gélida, misteriosa. Brisas cortantes como navalhas, navalhas estas que não encontro há muito. Cega, totalmente cega. O verde é interessante, breve ar de outono. Nessa idas e vindas em busca do centro perfeito, admiro teus olhos as cegas. Olhos estes tão acolhedores, quentes e atrativos. Olhos que quero mergulhar sem volta em busca do amor acolhedor. De chuva em lágrimas, se tem um oceano.

sábado, 5 de setembro de 2015

Vovô

Havia uma árvore.
Oito galhos,
vinte e quatro folhas.

Vinte e três folhas com flores,
Flores lindas e cheirosas.

Uma folha morta.
Velha. Seca.
O bastante para contaminar as demais.

O início da vida.
O início do fim.

É..
Poesia talvez não seja meu forte.

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Ao redor o vento sopra

Sono, muito sono. A mente já não comandava nada. Os olhos piscavam miúdos, ombros pesados, boca aberta. Aos poucos o grande corpo afundava nas entranhas da macies fajuta daquele sofá. A janela entrefechada, alguns fachos de luz iluminavam seus olhos. Respiração intensamente calma, apagando aos poucos do conta gota do soro no corpo a frente.


Blow a kiss, fire a gun
All We need is somebody to lean on


A música envolvia seu corpo aos poucos apesar de não mover nem mesmo um músculo para tal feito. Ao ritmo da balada, estrelas desciam pelos feixes de luz solar. Tão pequenas e quase invisíveis. O olhar pesado, focando em uma por uma. Boca aberta prestigiando estrelas de poeira coloridas de arco-íris.

Blow a kiss, fire a gun
All We need is somebody to lean on

Fazer um pedido a cada uma delas, será que atenderiam algum? O sol se esconde, ou talvez alguém apenas tenha fechado a janela. Os pedidos ficam vagos, será que foram ouvidos? Espero que sim. Espero que não. Corujas, olhar intenso. Nós deveríamos nos segurar e nos libertar. Mundo dos sonhos, meus cumprimentos.


sábado, 22 de agosto de 2015

Estrelas ao meu redor

Hoje as estrelas brilham mais intensamente na negritude infinita do céu. É gostoso admirá-la do meu quintal, imaginando se você também está as notando onde quer que esteja. A quietude da cidade me acolhe intensamente, os pensamentos voam livremente por cada esquina sem interferência de terceiros, me lembrando de quando não havia nada além de poeira reprimida.
Estar bem ou estar triste... Não sei dizer. Há um contra peso constante na balança de fatos bons e ruins. Pensar demais é o meu grande defeito. Vejo cometas onde não existe enquanto que não noto a bela lua crescente que se encontra dentre a poucas nuvens.
Quantas estrelas dessas já morreram? Quantas mentem suas idades, enganado-nos com falsa luz? Talvez eu seja como uma, prestes a cair a todo instante. Tudo o que queria é uma estrela cadente e desejar não ficar só. Não enquanto eu souber que nada ficará bem definitivamente...
A nostalgia esta escancarada na minha fuça. A novela que há muito marcou tantos fatos degradáveis da minha pré-adolescência está de volta assim como tudo da época. Os estilos de décadas passadas estão presentes desde a moda a filmes, até animes, influenciando inclusive a literatura. Para muitos isso não passa de fatos incongruentes entre si, mas para mim é uma chance de reparar erros do passado - que há muito pedi a uma estrela prestes a morrer que me concedesse a chance de ser madura com rais fatos. A questão é, estou sendo madura? Mudei algo? As vezes acho que não, as vezes sim, um mau de fazer parte de Libra.
Astros, tantas coisas me ferem. Acho que talvez eu seja feita de folha de ceda... Tantas pequenas feridas rodeiam a minha mente, ofuscando a luz intensa do céu. Coisas tolas, irrelevantes, a ponto de chatear qualquer um que tente ouvir. Mas se uma jornada de mudanças não forem tomadas então não haverá cola o suficiente para tantos rasgos.
O cheiro da grama me parece doce, o orvalho me cobre aos poucos. Sinto que brevemente a flor irá desabrochar. Tenho medo desse desabrochamento, mas anseio pelo perfume que talvez a mesma proporcione, seja ele feito de amores ou podridão.
Abro os olhos novamente. Eterna criança, a Terra do Nunca me espera? Quem sabe... Esteja onde estiver eu lhe peço: olhe para este céu. No compasso da noite será nossa fotografia eterna, purpurina dos deuses - ou apenas alguns extra terrestres que não falaram oi ainda!
Quanta filosofia para apenas um céu a noite de final de inverno... Estrelas brilhantes, elas possuem este poder.

sábado, 15 de agosto de 2015

As coisas irão melhorar

Ansiedade, no dicionário online é descrito apenas como "desconforto físico e psíquico, excesso de agonia; aflição". Mas na real é muito mais que apenas uma condição se sofrimento, cá entre nós. Hoje é um dia importante para mim, estou ansiosa - muito ansiosa, devo dar enfase nisso - e é por algo bom, então talvez acho que ansiar por algo, dependendo do que for esse algo, possa ser bom. Um devaneio conturbado para começo de um texto, não?!
Mas dentre as mãos suadas, o frio na barriga e o medo de extrapolar na dose da ambição, distrair-me com outras coisas possam ser uma boa alternativa. Viram como o céu hoje está mais azul? Um azul tão vívido e infinito! O sol se esconde e surge constantemente nas inúmeras nuvens, estas mesmos que devido ao tempo seco não surgia a séculos! Estão brancas feito algodão de farmácia, a ponto de ofuscar qualquer beleza com o reflexo da mesma.
Apesar de admirar assim tanta beleza adorável, ainda não consigo estar completamente bem. Muitos fatores envolvidos, mas principalmente o fato de você estar em um dia cinza. A primavera está chegando, com ela novas cores e flores aos quais conto para me ajudar a dar um novo recomeço a ti.
Ipês estão cada vez mais amarelos. Os pássaros cantam alegremente, eu creio. Borboletas soam no ar juntamente a libélulas. Tudo isso me acalma e irá acalmar tua alma também. Acalma a ponto de me/se esquecer o porque mesmo comecei um texto sobre ansiedade e terminá-lo falando sobre a primavera. Sentindo não é bem o meu sobrenome.
A vida não é fácil. Quando estamos no topo ela nos derruba a todo vapor, sem nem ao menos se questionar com as feridas que irão se formar, muita das quais que não irão se curar. Mas o destino as vezes a rebate com algumas ações mínimas, tal como eu estar segurando tua mão firmemente nesse exato momento. Se eu te puxar para cima, tudo ficará bem facilmente, porém se cairmos vamos juntos nessa. Tudo pode ficar uma porcaria, mas o fato de estarmos juntos já irá amenizar as coisas. Assim espero. Assim creio. Assim farei.

terça-feira, 21 de julho de 2015

Nevasca cinzenta

A atração do céu foi maior, paralisando o olhar para céu cujo era totalmente carregado. O cheiro de terra molhada inundava suas narinas e o gélido vento, que bagunçava seus cabelos despenteados, congelava até a mais amarga alma que ali estivesse vagando no momento.
As nuvens cinzas pareciam tão atraentes naquele pequeno instante. Observou os tons e sobre tons de tristeza que ali haviam, se perdendo em diversos devaneios e lembranças que tais a proporcionava. Sorrindo timidamente, estreitou o olhar para um estranho cisco que caíra do céu lentamente em espirais. Esticando o braço e abrindo a palma da mão direita, pode notar que era resíduos de queimado que o vento trazia de alguma região longínqua.
Achando curioso, a soprou para longe até a mesma terminasse seu percurso no chão. Logo notou que outros resíduos iguais aqueles caíam também, em uma espécie de nevasca de cinzas. Caçando uma por uma que vinha em sua direção, e as "jogando fora" logo depois, começou a se questionar: de onde vinham? Por que foram queimadas, afinal? Seriam vegetações? Se sim, de onde?
Ao jugar pela localização atual, talvez viesse de algum terreno baldio ou apenas algum pasto qualquer que precisava "ser limpo". Isso, claro, desfigurou sua empolgação, porém não o bastante para terminar com a magia do momento.
A nevasca aumentava a cada segundo. A nevasca brasileira é cinza, concluiu por fim. Em seguida alguns pingos de chuva começam a bater no chão e em sua pele propriamente dita. Gelada e fria. Foi questão de pouco mais que trinta segundos para a mesma cair fortemente, afogando totalmente a cinza em poças que se formavam instantaneamente. Era o choro da natureza lamentando aquele fato insignificante.
A água pura tornava-se suja aos poucos, diluindo toda aquele pó negro. Ambas eram tristes se fundiam num resultado amargo. A linha da vida talvez fosse assim, ou talvez não. Tudo indicava que ainda havia motivos para mudar ao notar um leve arco-íris no céu ao horizonte, distante feito desejos. Sem dúvida alguma aquele fora um belo fim de tarde. Sem por-do-sol, mas ainda assim com sua beleza.

terça-feira, 7 de julho de 2015

Still Want You

O sol brilha em seu age sobre as areias, com a brisa bagunçando meus cabelos e o mar salgado me inundando os pés. Balanço a cintura para lá e para cá, sem me preocupar com nada. Um sorriso branco na face, uma musica ao fundo e as nuvens cantando comigo, me tirando todos os problemas.
Pulinhos e mais pulinhos. Sorvete de uva e castelos de areia. Nada de sombra hoje, quero apenas perder a transparência e correr, correr para o infinito além do meu quarto. Hoje não há você, não há aquele sentimento que ainda carrego, descendo para a terra feito um adeus falso e temporário.
Pés queimam, girando de um lado e do outro. Não é liberdade é felicidade. Felicidade que solta borboletas da barriga, suspiros dos lábios e grilos da cabeça. Não há certo ou errado, hoje está liberado a toxina do bem estar. Feito doidos, feito estrelas das mares e conchas de siris. Sua voz ainda insiste em me trazer lembranças, mas não quando minha melodia te cobre com o som do carro no máximo.
Sorrir, sorrir, sorrir, sorrir. Sorrir até doer. Sorrir até se cansar. Sorrir até que não haja mais motivos para sorrir. Hoje será apenas eu e minha bola de praia. Sereias. Porque é assim, feito maresia, estou cheia de fotos analógicas!


segunda-feira, 6 de julho de 2015

Medo súbito da mudança

Você está partindo, eu vejo. Caminhando cada vez mais para dentro de um labirinto pelo qual não posso te buscar. Não gosto da ideia de te ver se transformando em outra, mas nada farei para intervir. Uma escolha sua, somente sua, que gostaria de impedir.
Pessoas mudam a todo tempo. São transtornadas pelo seu passado, por medos e arrependimentos que carregam. Tento entender seus jeitos, mas você os esconde com raiva convulsiva. Você está tetando ser melhor do que poderia ser, encontrando prazeres dentro de pequenos tesouros, isso não parece impossível para mim.
Talvez seja tudo o que você fez de errado, apenas morda na sua língua de prata com a que você mentiu para si mesma. Sim eu possuo medo da súbita mudança que você terá, um medo estranho que me perturba à horas. Na borda do labirinto, prestes a cair. Talvez seja eu ali, talvez seja você. As mascaras estão caindo, no espaço há um som de uma voz que nunca será encontrada.
Talvez seja tudo um grande erro, amanhã quem sabe estará tudo bem. Uma pobre ilusão que quero confiar. Não confiou mais em mim, eu notei no seu olhar. Perambulo por aí, pensando em te buscar, mas talvez não seja a hora nem o certo.
Na porta do labirinto eu estarei, sentada no chão olhando as estrelas. Estarei com medo de suas súbitas mudanças. Na Terra eu posso reclamar como no inferno eu posso estar seguro. Eu não entendo essa vida que você leva, tentando ser outra pessoa, tentando ser os que ajudam, encontrando aquele que ajuda você a respirar. Só desejo que não seja tarde demais para você!


Hoje uma mente, amanhã o mundo!

O coração pulsava a cada vez que pensava sobre. Ansiedade e medo, o adeus a lamina era aquietante. A ansiedade por construir um novo caminho com sua ajuda, amigos para eternidade (e se reclamar será mais que o próprio infinito). O sol se escondia dentre as nuvens, não há palavras para descrever como tudo parecia tão normal - o que não deveria, afinal seria um grande dia.
Muitas palavras foram ditas, muitos risos e sorriso também. Não há mais barreiras nem medos, tudo fora vencido aos poucos. Olhos negros e castanhos, cumplicidade nata de dois psicopatas que ainda dominarão o mundo como dupla infalível.
Havia uma criança perdida, um herói a procura. O brilho se perde em muitos momentos, quando lembranças más decidem passar sobre nós, mas tudo bem, somos irmãos há muito e laços foram formados definitivamente ontem.
O céu continua nublado, no inverno é sempre assim. Trovões insistem em nos atormentar. Contudo, é fato que agora temos um ao outro, seja por desenhos, jogos, experiência contada e histórias. Um guarda-chuva pronto para ser aberto a qualquer momento. Amigos, espero eu, para a vida toda e até depois disso, pois assombraremos muitas fotos por aí...
"Hoje uma mente, amanhã a cidade, depois o país e por fim o mundo, se não a galáxia junto". No seu trono, observarás tudo e a todos. Tenho fé nisso. Curou-se os vícios, os cortes se fecham aos poucos numa lenta cicatrização, onde desenhos falam e robôs viram zumbis devido ao vírus! (essa é a melhor parte hehe).
Sou grata a ontem, Deus. Num mundo dominado por humanos hipócritas ainda há esperança. Num lugar psicodélico que é nossa mente insana ainda pode-se haver paz se soubermos confiar um ao outro. Imperdíveis, talvez. Nossa armadura se fortaleceu. Obrigada, novamente, pelo primeiro de muitos dias de meditação!

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Portas que se fecham, outras que nunca se abriram de fato

Tudo deveria estar bem, pelo menos em tese. Mas não está fluindo como deveria. O que torna as coisas complicadas, pois tive um dia incrível ontem, isso deveria recompensar as coisas e fazer tal peso na balança. Talvez eu seja ingrata e nunca tenha percebido, mas por hora não quero pensar sobre isso.
Não há nada pior do que um "não posso falar", "foi algo lá, não dá para te contar". O pior é saber e compreender que certas coisas não se deva compartilhar com os outros, por mais que se confie em alguém. Mas sabe, a curiosidade é atiçada, a duvida e o receio também. Será que sou/dou motivos para que não confiem em mim?!
Essa dúvida é triste. Quando mais de três pessoas fazem isso é inevitável não se deixar levar. É frustante e dá uma imensa vontade de chorar, mas não chorarei. Não enquanto as luzes estiverem acesas. Se não for confiança a questão, então talvez seja proteção. Proteção por ser eu muito ingenua e querer ajudar sem saber como, ou proteção de si próprio por não ser confiável (acho que voltamos ao item um).
Só estou cansada de ser a última a entender, a compreender e nunca ajudar. É como se estivesse lá, de porta em porta buscando por alguém e todos me fechassem as portas com dizeres "amamos você, mas no momento não és convidada".
Okay, nem todos são assim. Ainda há uma porta aberta, alguém que me deixe confiar e me dê confiança. Alguém que, mais que tudo, me ensina e protege do mundo de forma tão amável e imperceptível. Talvez no momento essa porta aberta seja a unica que eu queira ficar até que todas as outras se abram, só espero que não se abram tarde demais.

domingo, 14 de junho de 2015

O caminho para casa

Confusa, cansada. Acordar chorando é cada vez mais cotidiano. É incrível que quanto mais tento construir uma barreira a tudo que me chateia, ao fechar os olhos tudo desmorona. No fim, não superei nada, ou talvez esteja superando mas não esteja percebendo.
No momento, não vou negar, estou chorando de novo. Tudo parece estar caindo, se partindo. Não há paredes em pé e o céu já não é azul. Estou perdida e infelizmente não estou sozinha. No fim, quando ajudo alguém acabo o levando junto comigo para isso. Não há palavras para conforto, só posso tentar levá-lo a superfície. Isso se conseguir ir.
Essa penumbra que vai e vem. Até quando meu Deus? Só quero um pouco de sol, uma luz que nos mostre o caminho de casa. Só quero ir para casa. Apenas isso. Seja onde for, só desejo que a dor acabe para nós.

Ela quer ir para casa, mas ninguém está em casa
É onde ela deita, machucada por dentro
Sem nenhum lugar para onde ir, nenhum lugar para onde ir
Para secar seus olhos, machucada por dentro


quinta-feira, 4 de junho de 2015

Um dia qualquer

Era um dia qualquer de 1994, mas me recordo de que era março. O sol começava a anunciar que iria se por. Os carros não paravam um segundo de passar por aquela rua, afinal São Paulo só crescia a cada dia. Nesta rua qualquer, rodeada de prédios velhos, se encontrava o meu. Deplorável, diziam, talvez ainda caia sobre alguém. Pois que caia, eu pensava.
Estava encolhida no chão, observando de longe a sacada aberta. Meus cabelos escorriam sobre o meu corpo nu, molhados. Não sentia frio e muito menos calor, a brisa batia hora ou outra na cortina. Em meus dedos havia um cigarro e ao meu lado um cinzeiro acompanhado de uma garrafa de vinho meio vazio. Meus olhos ardiam pelo resto maquiagem que ali jazia, borrada e irritadíssima.
Inflava toda a fumaça para dentro e depois soltava em um suspiro. Estava entendiada, chateada. Quem se importa? me questionei. O rádio chiava uma música, talvez seja Elis Regina pela sonoridade da voz.
Eu gostava da Elis Regina, era aconchegante e doce, capaz de acalmar minha alma já morta. Era como um abraço de mãe, um presente de um pai e uma rosa de João. João... Sorri acanhada, olhando o céu já rosado e alaranjado. O único capaz de tirar de fato essa depressão. Me estiquei puxando um telefone vermelho do criado, girei alguns números e após chamadas pude suspirar mais fumaças.

_ Alô? João se encontra?


segunda-feira, 1 de junho de 2015

Assinado Eu

Somos uma família normal de três pessoas. Aparentamos ser felizes em fotos e no decorrer das aparências, mas a verdade chega a ser ofuscante. Sou filha única, já considera velha por assim dizer. Não é fácil ser só no meio de um casal, nada nunca está bom o suficiente. A pressão sempre cai sobre sobre o menor, isso é tão difícil de lidar.
Vou para um lado e escuto coisas como "nossa, mas você vai sair de novo? Você já saiu faz quinze dias! E você sempre sai para ir a escola, custa ficar em casa e estudar? Esse um dia que você vai sair vai te custar o seu futuro". Será mesmo mãe? Será mesmo que sair por miseras poucas horas para rever pessoas tão queridas vai me prejudicar? Vai me prejudicar querer descansar um pouco, me acalmar dessa pressão, dessa penumbra e maldita "faze enem"?!
Depois de ser ignorada, me calo e vou a outro canto e escuto coisas como "essa merda não vai nunca! É só no seu computador que não vai, é o seu computador! Isso é tudo culpa sua, a outra não estava boa para você, agora olha a bosta que ficou! Culpa sua!". Será mesmo pai? Será mesmo que é minha culpa? Nunca questionei outros serviços. Claro que, que internet não tem suas fazes ruins, não é mesmo? Mas será que não está sendo equivocado em dizer que é minha a culpa, sendo que por motivos financeiros o senhor colocou a primeira porcaria que encontrou?!
Já não aguento mais segurar as lágrimas. Gritar até ficar sem voz é tudo o que eu mais queria no momento. Meu pulso dói, arde feito pimenta e está bem avermelhado, mas não se compara aos cortes que as vozes desse casal, cujo são meus amados pais, ficam se repetindo e repetindo em minha mente, uma constante tortura.
Curioso como já é o terceiro texto que faço, derivados do mesmo problema. Desculpe força-lhes a ler tantas coisas com os mesmo problemas, mas quando se ouve trezentas vezes que tu és a raiz dos problemas, você acaba necessitando desabafar de alguma forma. Como Dumbledore faz em sua penseira, se livra de pensamentos e lembranças obscuras. É o que eu busco agora, me livrar de tudo.
Só não quero mais ser a raiz do caos, só quero - de verdade mesmo - que Deus de apenas uma olhada aqui e torne essa cruz mais fácil, que a solução desse problema - que sou eu, obviamente - não seja por fim a minha vida, mas é complicado quando se para pensar que se eu sumisse esse casal seria mais feliz.
"Essa vida, não tenho mais paz. Sou cagado, não nasci com sorte" Pai. "Não tenho mais tempo para mim, trabalho e trabalho, nada funciona. To cansada, desgastada. Vou me matar (...), coloca fogo em tudo, que quando não existia essas porcaria, nós eramos mais feliz!" Mãe.
Prometo achar uma solução... Assinado Eu.

Sou fraca e não aguento dificuldades

Não estou me sentindo bem. Por que é tão difícil me sentir feliz? Passei por diversos problemas esses dias, como se literalmente o universo estivesse contra mim. Isso parece tão mesquinho, não é mesmo? Mas infelizmente é assim que me sinto. Incapacitada, azarada, para baixo, burra...
E é incrível que quanto mais triste você se sente, mais os cosmos ficam contra você. Os problemas não param de surgir. Uma verdadeira bola de neve que cresce a cada vez. Aquela pedra que você carrega em seus ombros fica ainda mais pesada e você começa a cair no penhasco do desespero, se ferindo seja como for para recompensar sua inutilidade. Porém, após se arrepender de mutilações, é que a ficha cai: uma dor não cura a outra, tudo fora calor do momento, você sabe disso, mas torna a refazer.
Sempre quis ser especial de alguma forma, uma futilidade que se ensinam em filmes americanos, mas pela primeira vez na vida só queria ser um pouco esquecida pelo destino, ser igual aos outros, e pudesse ter um pouco de sossego, sorte, paz. Admito, sou fraca e não aguento todas essas dificuldades divinas que são como verdadeiras facadas. Só quero algo fácil, talvez uma bolha protetora.
Há pouco disse para um amigo que heróis não existiriam se não fossem seus obstáculos. Mas, desculpa sociedade, não sou heroína e muito menos vilã. Sou o meio termo, sou humana, adolescente folgada. Um quarto isolado agora me cairá bem...

sexta-feira, 29 de maio de 2015

Dúvidas e mais dúvidas com uma dose extra de medo

Acordar de manhã e se sentir realmente bem é cada vez mais raro nos dias atuais, ao menos para mim. São tantas questões, tantos afazeres. Sinto um peso enorme nas costas que se intensifica a cada vez que olho para o lado e vejo pilhas e mais pilhas de exercícios, livro para ler, escola, cursinho...
Me prendo na escuridão. Meus olhos ardem, estão pesados. Sinto sono e apenas penso em um único objetivo: desistir. Para que me esforçar tanto? A cada dia perco mais as esperanças, mas o ruim de ser dedicada por tanto anos é você não saber como desistir. Estou exausta disso tudo.
Mesmo cansada e com dores nos ombros vou estudar. Não tenho um motivo em especial, só quero ir bem nesses simulados da vida. Poder dar uma ajuda ao meu velho e ver um sorriso orgulhoso a minha mãe. Mas é inevitável as dúvidas, como podem querer que alguém que nem fez dezoito anos ainda já decida o futuro de toda sua vida? E se eu me arrepender, vou ter perdido tanto tempo nisso, não vou?
Estou com medo. Sempre tive medo desse dia, quando ele chegasse. Talvez não aproveitei tudo o que eu tinha para aproveitar, chegou a hora dos sacrifícios. Trocar a diversão por um caderno aberto. Que tristeza a minha. Mas tudo bem, é um sonho que precisa ser realizado, só me pergunto se é o meu sonho ou sonhos de alguém.

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Sua voz

Hoje pela primeira vez depois de muitos meses pude ouvir sua voz. Me senti bem matando essa saudade agonizante. Pude acalmar meu coração, me libertar da angustia e do medo por alguns minutos. Ouvir sua voz grave e suave, mesmo que seja atrás de um mero fone de ouvido, é como ouvir a mais bela música de uma ópera, é como se descobrir no paraíso e iluminar-se de luz, sentimentos apenas bons. Ouvi-la é como sentir sua alma, seu toque imaginável, é como estar um pouco mais perto de ti mesmo que por poucos centímetros.

Lamentos de um homem que não soube amar na hora certa

Era uma quinta-feira como as outras. O sol começa a despertar, alguns carros passavam, porém o movimento era mínimo. A lanchonete onde eu me encontrava ficava no centro, mas servia também como um bar, para a felicidade de meu controlado vício. Uma televisão passava algum programa pelo qual não me lembro e mal podia ouvir, devido ao radio que alguns senhores ouviam nas mesas atrás de mim.
Virava meu copo americano cheio de cafeína, aos poucos. O líquido quente queimava-me a língua, mas que passava assim que engolia meu pão-de-queijo duro feito pedra. Os olhos escorriam lágrimas, talvez uma pinga cairia bem, mas só Deus sabe o quanto ela odiava este meu lado fádico.
Levantei dali, lugar repugnante e amigo para todas as horas, ou até que seu dinheiro acabe. Caminhei pela linda praça tragando um cigarro atrás do outro. O céu estava em um misto de laranja, azul e rosa, sendo inevitável ver ali seus cabelos, olhos e batom.
Admirava-lhe tanto e tudo terminou assim. Antes fosse traição. Antes fosse você ter se cansado. Mas tudo não passou de um erro meu, um erro fatal. Sua vida foi o preço de meu erro, sinto-lhe muito. Me arrependo tanto de cada palavra que não disse, de cada vez que te neguei meu amor e por ser tarde demais hoje.
No meio da praça, tirando a gravata, caminhei na rua mais movimentada. Estava transtornado, mas tudo o que eu queria era podê-la vê-la novamente, refazer todas as coisas boas e concertar as erradas. Antes do frio aço de um caminhão tocar-me com toda sua voracidade, pude sorrir. Em breve seria feliz de novo.

sexta-feira, 22 de maio de 2015

O céu não é o bastante

O que difere do real ou sonho? Sempre me pergunto isso antes de adormecer. Não seria mágico poder tornar real todos aqueles momentos felizes que insistimos em imaginar sempre que fechamos os olhos?! Para mim seria algo esplendido, poder te tocar e te fazer sorrir. Mirar nos teus olhos, bagunçar teu cabelo e sentir tua alma. Dizer eu te amo e provar da tua boca.
Seria como um manjar dos deuses, ter uma vida sem arrependimentos em que tudo ocorresse de forma perfeita ao meu olhar. Entretanto, obviamente isso não seria o suficiente. O ser humano por mais honesto que seja, na primeira oportunidade de enriquecer ficá ganancioso, um ser que é facilmente corrompido com nuvens. O céu nunca é o bastante. Em dias, seu paraíso particular não seria o suficiente para si, desejaria por mais.
Desejaria voar, flutuar, suspirar, esquecer e recomeçar. O que é o paraíso então, se nada é o bastante? Qual é a magica se no fim não é o que de fato queremos dali a alguns anos? Não sei, não compreendo. A dor de deixar o ontem realmente para trás eu não saberei, não fazia questão de entender. Apenas queria ir para outra vida real, com outros sonhos imaginários, deixando para trás memórias suas. Apenas longe de tudo.
Volto a perguntar, o que difere do real ou sonho? Talvez nada, talvez tudo. Quero apenas chorar e ansiar pela busca incessante de uma vida boa. De um paraíso, mesmo ele sendo você. Mesmo ele sendo algo inconceptível. Mesmo que ele seja o simples, uma mentira, o nada. Adeus céu...



terça-feira, 19 de maio de 2015

Doce recomeço de voltar para a casa

Atravessar aqueles portões, nunca pensei que um dia voltaria ali novamente. Já fazia um ano que jurei nunca pisar ali, mas cá estava eu, pisando naquele solo molhado pela mansa chuva gélida de fim de outono. Muitas dúvidas surgiam, medo e incertezas. Seria certo estar ali?
Assinar os papéis com a mão tremendo, juro-te que não era frio. Caminhar por ali, ouvindo dois gatos pingados miar "ela voltou?" e aquela sensação estranha de que a qualquer momento alguém apontaria o dedo para mim, me julgando sem buscar me entender. Apenas queria me esconder, ser invisível talvez.
Logo o sinal tocara e os olhares reduziram aponto de eu realmente ser notada apenas pelos professores e uma amiga, a amiga por assim dizer. Ninguém melhor do que ela naquele momento. As duvidas passaram quando no corredor ouvi meu nome e lá estava, minha pequena, minha doce amiga de sangue. Um abraço apertado e então eu tive certeza: foi a coisa certa.
Muitas coisas nessa minha vida de dezessete primaveras se passa, desde de a dor de um possível coração partido a enfrentar uma mudança de escola pela segunda vez. Sei que deixei muitas coisas para trás, perdendo muitas chances felizes e só tenho a agradecer por toda a experiência que tive nesse um ano fora, porém é hora de "voltar para casa", mostrar que mudei e amadureci, quer eles queiram ou não. Não me abaixarei mais, é uma promessa, apenas serei como sempre fui e pronto. Será meu doce recomeço.

quinta-feira, 23 de abril de 2015

A noite mais louca, estranha e sentimental que tive no mês de abril

Meus olhos estão ardendo em sono. Eu deveria nesse mesmo instante estar dormindo, assim como você, mas simplesmente sei que não pregarei o olho por mais que tente. Ainda estou perplexa com nossa coragem! Nos encaramos, tecnicamente, e dizemos tudo o que tínhamos para dizer. Tudo que enrolamos durante meses.
Fora um misto de reações e sentimentos, e faltou-me palavras a maior parte do tempo. Tive medo de te decepcionar ou falar besteira, mas ao julgar pelo final, me sai bem. Ainda estou confusa sobre tudo. Não sei se nos resolvemos, se estamos nos resolvemos, ou se simplesmente foi um ponto final na relação e voltando a estaca zero. Entretanto, é a dúvida mais sádica e apetitosa que provei em todo esse tempo.
Senti sua falta, estremeci e ainda te acho legal, bonito e convencido. Só com você que cometo tais atrocidades com a palavra "propus", mas isso não vem ao caso, o que importa é que você compreendeu a mensagem. Mas eu ainda não compreendi a sua. Você sabe, meu raciocínio para isso é lento e eu realmente queria que essas coisas da vida fosse de fácil compreensão assim como as matérias da escola. No quesito entender você, eu fico de recuperação por bimestre.
Pensar em tudo, eu já estou. E associo a isso com Oasis, o que não faz nenhum sentindo! Não menti quando disse que prefiro te ver com outra pessoa desde que isso o faça feliz, e sim, prometo não deixar a história se repetir. Obrigada por tudo. Obrigada pela noite mais louca, estranha e sentimental que tive no mês de abril. Lembrarei deste dia para sempre. Pelo menos espero que sim...


domingo, 19 de abril de 2015

Renascimento em vinte páginas

Hoje mais cedo, enquanto organizava alguns papeis, encontrei escondido um mini diário do meu nascimento. Era de verde musgo e estava todo riscado de caneta azul, o que mais tarde descobri ser arte minha quando criança.
Havia tanta informação ali sobre mim, em apenas vinte páginas. Apenas vinte páginas fora capaz de escrever um total de dois anos sobre mim. Desde ao primeiro suspiro a primeira palavra, passos, riso e alergia. Isso tudo é tão surpreende, é como se redescobrir para vida, um novo nascimento talvez...
Tudo ficou ainda mais sentimental quando vi meu pequeno pé carimbado em um quadrado! Foi inevitável os risos ao olhar meu pé atualmente e observar a notável diferença!! Mas o que me fez derramar sólidas lágrimas foram os cometários dos meus pais: "tem a personalidade da mãe", dizia meu pai; "estava nervosa, mas tudo ocorreu bem! É um bebe lindo cheio de alegria de Deus", disse minha mãe. Sabe, acho que havia esquecido em como é bom ter pais cuidando de nós, mesmo que estejam bravos e cobrando boas notas no vestibular...
Minha primeira palavra foi "gugu" seguida de "papai" e "mama". Acho que agora compreendo o ciumes da minha mãe quando digo "estou falando com o pai", hahaha. Meu médico foi um tal de Edward, seria ele namorado da Bella?! Piada sem graça, eu sei, mas é apenas um modo de tirar essas lágrimas daqui...
Achar esse diário foi como redescobrir a vida e dar o devido valor a ela! Acho que havia esquecido como é bom estar viva. Talvez seja por isso que estou ouvindo minha banda favorita do momento, admirando a nova decoração do meu quarto e meu mural cheio de novas artes tumblr's ao envés de formulas impossíveis de física e química...
Só queria encerrar esse texto dizendo que é bom estar vivo, espero que vocês também em algum momento possam renascer, como eu renasci hoje.

quinta-feira, 19 de março de 2015

Para casa em baixo de chuva

Saída de escola. Chovia naquele dia, naquela hora estava muito grossa, em uma ladeira. Enxurrada descia velozmente, levando consigo pedaços do asfalto. Encarando aquilo, estavam três garotas em uma unica sombrinha. Quebrada, devo ressaltar.
Entre risos e choros, carros passavam e nesse movimento jorrava água sobre as três. Naquela rua  nunca se ouviu tantos palavrões e gritos agudos, um marco para a história daquela capata cidade. Canelas molhadas, medo e metas impulsionavam-nas a seguir em frente. Barro, força de vontade.
É nessas horas que acontecem, de forma sátira, os momentos épicos de filme de terror. "Podem ir, eu fico na chuva", "Não vamos ir sem você". É tão deprimente, que me faz rir! Encharcadas dos cabelos aos pés, a ponto de torce as roupas no próprio corpo. Frio, hipertermia, sinusite, casa, banho quente e muitos risos.
Isso, caro leitor, poderia ser um texto sobre o quanto a chuva nos move a seguir nossos sonhos no ato de não desistir. Poderia ter a reflexão do quão a amizade é importante ou do quanto você pode se divertir (ou adoecer) ao tomar uma chuva. Mas não. Isso é só um texto que fala sobre três garotas que deram a má sorte de ir para casa em baixo de chuva, após o término das aulas.

quinta-feira, 5 de março de 2015

Não é bom estar sozinho?!

Hoje é um daqueles dias que parecem implicar com o tempo. Aqueles dias que mal aguento meu humor. Um daqueles dias que jogo tudo para o alto e grito um foda-se no silêncio pessoal e faço tudo o que reprimo.
Motivos para isso? Que diferença fará eu te contar? Não importa o que eu for digitar, sempre haverá alguém disposto a julgar os meus motivos, sem ao menos procurar entender as dores do próximo. Mas acredite, meus meros motivos são fortes com um toque de adolescente mimada.
A solidão é algo tão duro e mal, mas nesses dias como os de hoje, ficar só é o melhor remédio. Uma crise existencial daquelas que até mesmo os livros, minha maior paixão, perderam o brilho. Meu animo para a necessidade do estudo se dispensaram sem minha permissão, além do pouco apoio. "Tratante" eles agridem com a língua, mas minha dor interna ignora as feridas superficiais instaladas de forma tão ingrata.
Talvez eu realmente esteja sendo "tratante" com eles, mas mundo, é tão difícil entender que hoje só quero ser coberta pela escuridão de meu quarto? Como diria aquela música que tanto amo do Paramore, Don't go crying to your mama 'Cause you're on you're on your own in the real world (não vá chorar para sua mãe, porque você está por conta própria no mundo real), percebo os primeiros traços de ser adulta de forma tão irônica e cruel.
Que seja. Só serei eu e minhas lágrimas essa noite.

Ain't it fun?
Living in the real world
Ain't it good?
Being all alone

segunda-feira, 2 de março de 2015

Como estrelas sem brilho

Sorriso sarcástico, jeito de homem, atitude de moleque. Você me fascina com sua ideologia tão perfeitamente realista, que me faz imaginar diversas galaxias apenas para em alguma dela estar ali, acontecendo, com passe de estrelas e cometas. Dançando com as luas de Júpiter, ou talvez com os anéis de Saturno. Não seria nada mal embarcar em um buraco negro e sentir-se desintegrada na velocidade da luz...
Seus olhos choram diamantes, os meus morreram a anos luz. Um abraço poderia curar toda essa angustia? Romper barreiras dolorosas pelo destino, quero te curar, confiaria em mim nessa infinita escuridão? Provavelmente não, mas sabe, eu também não cofiaria! Mas sabe, mesmo sem oxigênio lutaria contra o vácuo para chegar até você, acalmar teu espirito, o corromper como o meu.
Um asteroide, veja a surpresa, aqui não há naves, nem civilizações como nos filmes de Star Wars que tanto amamos... Uma rosa? Seria o Pequeno Príncipe?
Sol, cometas, supernovas. Sorriso falso, jeito de criança, atitudes indecifráveis. Perturbada, doente. Você me ouve? Me enxerga? Veja só, o sonho acabou! Gravidade atraiu, você e eu se foi, não existe. Acabou-se sem mesmo começar. Foi real? Foi paranoia? Queria, oh Vênus que fostes assim?.

sábado, 28 de fevereiro de 2015

Novelo de lã perturbado pela noite

De madrugada, o celular desperta. "Xarope!", dizia o aviso no celular. Aos poucos se recordava da sua dor de garganta, do nariz - que no momento não poderia exercer a sua função corretamente. Seus olhos lacrimejavam pelo sono que sentia.
Em um ato não displicente, como qualquer outro jovem faria, virou-se e dormiu. "Foda-se", pensou em quanto se virava. Dali à duas horas e meia, outros celulares despertam. "Trabalho", anunciam agora. A doce figura de sua mãe aparece no quarto, gentilmente a questiona sobre o xarope. Ela confirma suas suspeitas, nada de xarope nas oito em oito horas que o médico mandou.
Trazendo o remédio, a mãe lhe oferece na boca. A garota, inconsciente pelo sono, ainda continuva como um novelo de lã desorganizado em sua mente. O sol não havia nascido, então tudo bem pensar asneiras, mas será que aquele anjo chamado de sua mãe a amaria se soubesse o que sua mente perturbadora elabora durante os dias e as noites? A amaria se soubesse o que ela sente sobre o mundo ao seu redor? Amaria?!
Vertigem. Náuseas. Sabor morando na garganta. Fechar os olhos molhados. Fleches de luz atravessam a cortina negra. Cada lágrima é uma ferida, uma dor. Se teletransportar para a lã azul-rosa-pêssego. Amaria se pudesse organizar meu novelo? Amaria se pudesse tricotá-lo ou jogar fora? Amaria?!
Celular desperta novamente, agora dizendo "acorda para vida, vagabundo".