domingo, 10 de dezembro de 2017

Talvez uma despedida

Faz muito tempo que não escrevia nada aqui. A verdade é que usar esse espaço me doi porque atribui a ele memórias ligadas a você, caro Hiago, que pela primeira vez dirijo um diálogo tão aberto e claramente relacionado a você. Sabe por qual motivo? Bom, eu realmente espero que você leia sobre isso aqui um dia.

Sabe, faz quase um ano já que não nos falamos. Quer dizer, que você se esqueceu completamente que eu existo e pela primeira vez desde a sua partida, o sentimento de raiva está dando deixa novamente para a dor. Isso é uma droga e eu te odeio por isso.

Na verdade te odeio por muitas coisas hoje. Te odeio por me fazer me sentir culpada por algo que nunca tive culpa. Te odeio por me abandonar no momento mais merda da minha vida e por tratar a minha dor pela morte do meu avô como algo tão pequeno. Te odeio por ter ignorado minhas mensagens, mesmo quando eu te desejei felicidades pelo seu casamento. Te odeio por ter ido embora e me incluir na sua lista de pessoas do passado, como memórias que devem ser exoneradas. Te odeio por me fazer te odiar.

Você é um tremendo de um idiota, babaca e sem coração. Sim, isso mesmo, eu estou te xingando mesmo que minha vontade seja frear meus dedos para limpar minhas lágrimas. Por que tudo tem que me lembrar você? Se eu ouço determinadas músicas, lembro-me de você reclamando do meu gosto musical e ao mesmo tempo elogiando os clipes artísticos; se eu saio na rua lembro do nossos passeios, nossas conversas; não consigo nem mesmo ficar em call pelo skype, pois lembro das nossas noites jogando stop enquanto eu sempre roubava na categoria cor.

Eu sinto muito, mas nossos amigos "The Mesa" não existe mais. Eu não consigo manter ninguém unido pois eu mesma não estou bem. Seu irmão está pensando em suicídio, sabia? Custava mandar uma mensagem para ele dizendo que sente falta dele? Descobri que muita gente dentro da mesa não valia a pena, inclusive acabei de ser boicotada por uma das meninas que você sempre dizia ser o seu braço direito. Espero que se sinta traído tanto quanto eu nesse momento.

Sabe que até mesmo quando a aula acaba tarde da noite e eu subo aquelas ruas da faculdade no breu eu me lembro de você. As vezes olho para baixo, no prédio que você trabalhava, e fico esperando você aparecer. Mas esse dia nunca vai chegar e eu te odeio por isso também. Saiba que eu achei um jogo online incrível que é a sua cara e na mesma hora pensei que seria perfeito jogar contigo, mesmo que eu fosse péssima e morresse a cada segundo. Contudo, você não está aqui.

Para você eu morri, não é? Para você eu não passei de uma peça quebrada e sem utilidade que você se divertiu as custas enquanto estava entendiado, não foi? Meu Deus como eu quero te dar um murro por ter partido sem nem mesmo ter pensado em como eu ficaria. Eu lembro do seu pedido de desculpa uns dias antes, mas saiba que eu NUNCA vou aceitar aquilo. Você é um tremendo de um traidor. Sobre Samurai Tale, você usou sua espada para ferir mortalmente a única que acreditou em você nos piores dias. Você não é digno da Samurai, ela não vale isso.

Que seja, decidi escrever isso para que chegue até você um dia, pois eu mudei de número e não faço questão nenhuma que você saiba qual é ele. Muito menos sua esposa que vivia visualizando minhas coisas. Você queria por um ponto final na nossa história, pois bem, meu amigo, não há mais nada que nos ligue. Nem mesmo um número de telefone, nada. Estou abrindo mão de tudo e literalmente morrendo para você.

Não sei o destino desse blog, não sei se voltarei aqui. Então fique minha suposta despedida, meu suposto adeus. Obrigada por tudo blog, você algora volta ao seu título original justamente no seu primeiro texto aberto real oficial. Isso é louco e triste ao mesmo tempo. Espero que num futuro eu possa voltar a escrever em você sem me lembrar do passado.

Então... Adeus. Mesmo que temporariamente, Adeus.

quinta-feira, 27 de abril de 2017

Umas reflexões aí depois de muito tempo...

De volta aqui depois de tantos meses é experimentar um sentimento nostálgico e ao mesmo experimentar algo novo sobre a vida. Incrível como em tantos meses a gente muda tão rápido a mentalidade, ainda estou chocada com tanta controvérsia em mim como uma úlcera que se forma e depois passa como se não fosse nada!

Enfim, quando você é empurrado de um penhasco nem sempre precisa se forçar a sacrifícios para retornar ao topo. Talvez cair tenha sido a melhor coisa que poderia acontecer para que possamos pensar sobre nós mesmos, mas principalmente perceber que não é necessário ir muito além para encontrar aquilo que tanto almejamos.

Não me sinto mais triste ou injustiçada aqui em baixo, finalmente consegui ver os raios de sol por entre as nuvens ou como afirma Durkheim, talvez eu tenha me conformado a minha condição e - em requisitos sentimentais e bem-estar pessoal e não apenas educação - eu até que estou bem aqui com meus iguais - mesmo que estes muitas vezes sejam o meu oposto.

É aquele ditado né, sair da adolescência sem chorar, rir, mudar, gritar e refletir não seria adolescência - caso pensemos que a adolescência seja algo criado assim como a infância foi para Ariès. Entrar na fase adulta só aumenta suas expectativas para um futuro diferente e divertido, mas na verdade te aumenta as responsabilidades diárias e um verdadeiro soco no estômago por colocar em um texto simples como esse estudos mais aprofundados da faculdade. Mas sabe? Eu meio que gosto disso.


quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Dia após dia

Dia após dia é uma frase que ouvimos constantemente na nossa vida. É impressionante o quanto essa fala pode ser levada a inúmeros significados, tipo você pode comer dia após dia, sobreviver dia após dia, trabalhar dia após dia, se decepcionar dia após dia... Já deu para entender né?! Acho essa expressão "dia após dia" tão simples, mas tão sábia também que acabo a usando para tudo na vida, é impressionante.

Sabe, hoje é finados e, como sempre, está nublado e chuvoso. Gostaria de saber o motivo de sempre chover em finados. Talvez alguém lá em cima se sinta triste com esse dia, ou talvez os anjos chorem pelas perdas em uma compaixão molhada com as pessoas que ainda estão na Terra, vivendo seus dias após dias. Oh, desculpe me por essa, estou um pouco religiosa nos últimos dias. Esse fato te decepciona ou te faz ficar feliz? No meu caso, neutra.

Lembro-me ainda de quando fiz a primeira pessoa importante da minha vida se decepcionar comigo. Estava na escolinha particular de uma cidade em outro estado. Sem família, sem amigos. A época do jardim de infância/pré-escola pode ser realmente traumatizante quando você não se encaixa a ela, afinal engana-se Rousseau ao afirmar que crianças são boas e a sociedade as corrompe, pois de anjinhos só a face.

Minha professora, Elaine o nome dela, era uma das minhas poucas amigas naquela época. Acho que talvez esse seja o motivo de eu me dedicar tanto tempo aos meus estudos, afinal não é sempre que sua primeira amiga é uma professora. Ainda lembro-me de seus cabelos longos e compridos, sua franja meiga e o batom vermelho-rosa que usava todos os dias. Em um dia desses pediu para meus pais a permissão de me levar na casa dela brincar com Gustavo, seu filho recém nascido. Seu marido comprou pizza de um lugar cinco estrelas e usamos a internet, na época ainda discada. Ainda me lembro das paredes azuis bebê e da enorme janela na entrada. Uma perfeita casa de condomínio, dito de outro modo, um pedaço de filme norte americano no Brasil.

Algum tempo depois chegou o dia da foto naquele ano. Eu não quis ir no dia, estava cansada de ser ignorada por coleguinhas. No dia seguinte, Elaine me olhou triste e argumentou que até Gustavo havia participado e eu não. Não sei qual o sentimento se formou em mim, mas me doeu muito. Decepção é algo torturante, devo dizer. Alguns meses depois Elaine se desligou da escola e eu nunca mais a vi. Talvez a última lembrança que ela tenha de mim seja a menina que foi a sua casa e brincou com seu filho ou talvez seja a menina que a decepcionou por faltar na escola no dia da foto. Difícil dizer, mas estive me perguntando sobre isso recentemente.

Decepcionar não é algo saudável e que não deva ser praticado com frequência, mas é verdade também que sem ela não aprenderíamos com nossos erros e aquele famoso ditado "não faça aos outros o que você não gostaria que fizessem para você", afinal se não quer ser decepcionado basta não decepcionar. Isso, obviamente, não quer dizer que devemos abraçar o mundo, mas saber quando dizer não.

Isso me assombra, pois ainda estou aprendendo a dizer não. Confesso que é algo nada fácil, mas necessário. Contudo, ao julgar por hoje ser o dia dos mortos e depois das duas horas da tarde começar a surgir raios de sol e um céu azul, milagres realmente possam existir. Se em finados não está chovendo, somos todos capazes de dizer não e amadurecer no ramo da decepção, basta viver um dia após outro.

"[...]
Espero que você enterre a nossa promessa
De estarmos juntos para sempre, querida eu rezo por você

Não olhe para trás e saia
Não me encontre de novo e viva
Pois eu não lamento ter te amado tanto
Tenho apenas boas memórias
Posso suportar isso de alguma forma
Posso me levantar de alguma forma
Se você é assim, deveria ficar feliz
Fico angustiado dia após dias
[...]"
(Haru Haru - BigBang)


domingo, 21 de agosto de 2016

Para um alguém muito estranhamente importante chamado...

Sua voz, tão doce como avelã
me soa tão doce e perfumada como o branco do teu sorriso.
O carinho e o cuidado que você me transmite te torna o meu precioso talismã,
justo eu, no meio dos grandes, medrosamente agindo de modo indeciso.

Ah cara! Isso é tão bom e inconsequente!
Você e eu ali sentados no meio da galera e um cartaz,
a esperança vai oscilando do inconsequente ao congruente,
a respiração pelo fato de você estar ao meu lado acaba se tornando veloz e sagaz.

Ei, rapaz, não brinca comigo não,
estou ficando apaixonada de novo, vê se pode!
Mas é foda, é escolha do coração,
e a gente sem escolha só de fode,
sabe o por quê?
Porque eu não sou o seu tipo,
uma criança tímida da própria pisque,
enquanto você, um admirável e apaixonante campo de maravilhas!

Te quero, não por capricho, mas por sincronia, sabe?
Sair de mãos dadas pela cidade e viver ao teu lado uma dessas velhas histórias de amor.
Vem cá, com flores e um sorriso no rosto,
acaba com essa minha triste insônia?
Vamos ser emancipados juntos, que tal, nesse mês de agosto?!
Vamos ser um conjunto, que louco, nessa colônia bizarra chamada vida...!

(Lis - 20/08/16 - 16:38)

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Vida coadjuvante

Nós mudamos rápido demais ao modo que nosso corpo e alma não conseguem se dar conta disso. Hoje, ou melhor, ontem foi dia dos pais. Ontem de ontem eu estava em um projeto da faculdade, ajudando em um espaço da criança. De repente, todos pintados e ao fundo um violão, alguns estudantes de ciências sociais organizaram a roda, o pessoal de letras estendia um varal de poemas e a galera de história nos surpreendia com uma rica cultura de rua.

Ao bando mais longe eu observava, pessoas tímidas e já outras que não pareciam felizes em me ver ali. Mas ao meu lado uma bela dama, amiga querida, fazendo ali seu intervalo de estudos. Um rap sobre a vida, um poema sobre machismo e uma música sobre relacionamento abusivo. Descubro ali, creio eu pelo calor do momento, a dor de minha amiga. Não vou julgar, não. Ajudar, sim, mas como? Minha cabeça voa, meu coração aperta. Em uma bela diagonal teus olhos encontram os meus, mas tenho medo em confiar de novo. As feridas que reforçaram as antigos não se curam, você não merece alguém assim. Para apenas oito meses de ano já tive provas o suficiente que pessoas traem, trair em diversos sentidos e em diversas cores.

Saio sem rumo. Esqueço criança, esqueço lápis e papel. O sol me encara, tiro uma foto. A noite, que noite, choro sem entender o porque e em um soluço de socorro ao qual desabafo tudo o que precisava para chegar no estase desse gozo momentâneo. Digo, repito, digo de novo como se soubesse o que falava, você compreende minha linguagem. Indico a solução, mas não influencio o caminho. Como e quando passei a ser tão segura de minhas palavras sobre a vida? Quando as pessoas te amam elas devem demonstrar. Se não há demonstração de mínimos detalhes então não há amor. Verdade nua e crua. Temos aquilo que achamos que merecemos ter, mas a verdade é que nem sempre o que achamos de fato é o melhor para nós. Aprendemos isso, infelizmente, tarde mais.

A noite amanheceu em um dia frio, boto um sorriso no rosto e lavo o corpo em água fria. A estrada passa em modo acelerado, o óculos me protege do sol. O vestido me incomoda constantemente, mas a maquiagem me ajuda a esconder a tristeza que nasceu em mim. Falsidade o tempo todo, desligo do mundo em um par de fone. O vento balançava meu cabelo recém cortado e aquela cidade me atraia de modo inteligivelmente intenso.

A praça é agradável. Pisei ali sem mendo de ser assaltada pela primeira vez. Meu coturno sujo de terra me fazia crer que seria possível seguir em frente ao modo que dois caras, cada um em seu momento, me para pedindo dinheiro a troco de seus produtos. Me recordo de você e dele, o meu passado e o meu distante. Um deles me lembrou você, ralando em um domingo ardente para se casar. Interessante, confesso. O segundo, o teu irmão, magrelo distante vendendo sua arte, belas poesias coladas agora em minha parede. Foto aqui, sorriso ali e uma raspadinha de uva para comemorar a ironia da vida. Um brinde ao céu e ao desconhecido de sempre.

Sou como plástico, sempre tentando imitar o vidro, sempre sem valor, porém mais resistente também. A vida é confusa, na verdade minha mente é que é confusa. Meu nariz não sangra mais, apesar de eu dar motivo dia após dia para que o mesmo exploda. O sagramento mudou de rota e de estado. Meu olho arde, dilata, a claridade sufoca e a irritação do shampoo me força o uso do colírio. Faço uso de algumas aspirinas para então poder dormir. Dormir para enfrentar mais uma semana qualquer de uma vida coadjuvante. Dormir para entrar no mundo dos sonhos, onde as coisas são descomplicadas e intensas, onde posso sorrir com o paraíso de um mundo onde tenha liberdade na tv e um amor para se equalizar....