quinta-feira, 27 de abril de 2017

Umas reflexões aí depois de muito tempo...

De volta aqui depois de tantos meses é experimentar um sentimento nostálgico e ao mesmo experimentar algo novo sobre a vida. Incrível como em tantos meses a gente muda tão rápido a mentalidade, ainda estou chocada com tanta controvérsia em mim como uma úlcera que se forma e depois passa como se não fosse nada!

Enfim, quando você é empurrado de um penhasco nem sempre precisa se forçar a sacrifícios para retornar ao topo. Talvez cair tenha sido a melhor coisa que poderia acontecer para que possamos pensar sobre nós mesmos, mas principalmente perceber que não é necessário ir muito além para encontrar aquilo que tanto almejamos.

Não me sinto mais triste ou injustiçada aqui em baixo, finalmente consegui ver os raios de sol por entre as nuvens ou como afirma Durkheim, talvez eu tenha me conformado a minha condição e - em requisitos sentimentais e bem-estar pessoal e não apenas educação - eu até que estou bem aqui com meus iguais - mesmo que estes muitas vezes sejam o meu oposto.

É aquele ditado né, sair da adolescência sem chorar, rir, mudar, gritar e refletir não seria adolescência - caso pensemos que a adolescência seja algo criado assim como a infância foi para Ariès. Entrar na fase adulta só aumenta suas expectativas para um futuro diferente e divertido, mas na verdade te aumenta as responsabilidades diárias e um verdadeiro soco no estômago por colocar em um texto simples como esse estudos mais aprofundados da faculdade. Mas sabe? Eu meio que gosto disso.


quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Dia após dia

Dia após dia é uma frase que ouvimos constantemente na nossa vida. É impressionante o quanto essa fala pode ser levada a inúmeros significados, tipo você pode comer dia após dia, sobreviver dia após dia, trabalhar dia após dia, se decepcionar dia após dia... Já deu para entender né?! Acho essa expressão "dia após dia" tão simples, mas tão sábia também que acabo a usando para tudo na vida, é impressionante.

Sabe, hoje é finados e, como sempre, está nublado e chuvoso. Gostaria de saber o motivo de sempre chover em finados. Talvez alguém lá em cima se sinta triste com esse dia, ou talvez os anjos chorem pelas perdas em uma compaixão molhada com as pessoas que ainda estão na Terra, vivendo seus dias após dias. Oh, desculpe me por essa, estou um pouco religiosa nos últimos dias. Esse fato te decepciona ou te faz ficar feliz? No meu caso, neutra.

Lembro-me ainda de quando fiz a primeira pessoa importante da minha vida se decepcionar comigo. Estava na escolinha particular de uma cidade em outro estado. Sem família, sem amigos. A época do jardim de infância/pré-escola pode ser realmente traumatizante quando você não se encaixa a ela, afinal engana-se Rousseau ao afirmar que crianças são boas e a sociedade as corrompe, pois de anjinhos só a face.

Minha professora, Elaine o nome dela, era uma das minhas poucas amigas naquela época. Acho que talvez esse seja o motivo de eu me dedicar tanto tempo aos meus estudos, afinal não é sempre que sua primeira amiga é uma professora. Ainda lembro-me de seus cabelos longos e compridos, sua franja meiga e o batom vermelho-rosa que usava todos os dias. Em um dia desses pediu para meus pais a permissão de me levar na casa dela brincar com Gustavo, seu filho recém nascido. Seu marido comprou pizza de um lugar cinco estrelas e usamos a internet, na época ainda discada. Ainda me lembro das paredes azuis bebê e da enorme janela na entrada. Uma perfeita casa de condomínio, dito de outro modo, um pedaço de filme norte americano no Brasil.

Algum tempo depois chegou o dia da foto naquele ano. Eu não quis ir no dia, estava cansada de ser ignorada por coleguinhas. No dia seguinte, Elaine me olhou triste e argumentou que até Gustavo havia participado e eu não. Não sei qual o sentimento se formou em mim, mas me doeu muito. Decepção é algo torturante, devo dizer. Alguns meses depois Elaine se desligou da escola e eu nunca mais a vi. Talvez a última lembrança que ela tenha de mim seja a menina que foi a sua casa e brincou com seu filho ou talvez seja a menina que a decepcionou por faltar na escola no dia da foto. Difícil dizer, mas estive me perguntando sobre isso recentemente.

Decepcionar não é algo saudável e que não deva ser praticado com frequência, mas é verdade também que sem ela não aprenderíamos com nossos erros e aquele famoso ditado "não faça aos outros o que você não gostaria que fizessem para você", afinal se não quer ser decepcionado basta não decepcionar. Isso, obviamente, não quer dizer que devemos abraçar o mundo, mas saber quando dizer não.

Isso me assombra, pois ainda estou aprendendo a dizer não. Confesso que é algo nada fácil, mas necessário. Contudo, ao julgar por hoje ser o dia dos mortos e depois das duas horas da tarde começar a surgir raios de sol e um céu azul, milagres realmente possam existir. Se em finados não está chovendo, somos todos capazes de dizer não e amadurecer no ramo da decepção, basta viver um dia após outro.

"[...]
Espero que você enterre a nossa promessa
De estarmos juntos para sempre, querida eu rezo por você

Não olhe para trás e saia
Não me encontre de novo e viva
Pois eu não lamento ter te amado tanto
Tenho apenas boas memórias
Posso suportar isso de alguma forma
Posso me levantar de alguma forma
Se você é assim, deveria ficar feliz
Fico angustiado dia após dias
[...]"
(Haru Haru - BigBang)


domingo, 21 de agosto de 2016

Para um alguém muito estranhamente importante chamado...

Sua voz, tão doce como avelã
me soa tão doce e perfumada como o branco do teu sorriso.
O carinho e o cuidado que você me transmite te torna o meu precioso talismã,
justo eu, no meio dos grandes, medrosamente agindo de modo indeciso.

Ah cara! Isso é tão bom e inconsequente!
Você e eu ali sentados no meio da galera e um cartaz,
a esperança vai oscilando do inconsequente ao congruente,
a respiração pelo fato de você estar ao meu lado acaba se tornando veloz e sagaz.

Ei, rapaz, não brinca comigo não,
estou ficando apaixonada de novo, vê se pode!
Mas é foda, é escolha do coração,
e a gente sem escolha só de fode,
sabe o por quê?
Porque eu não sou o seu tipo,
uma criança tímida da própria pisque,
enquanto você, um admirável e apaixonante campo de maravilhas!

Te quero, não por capricho, mas por sincronia, sabe?
Sair de mãos dadas pela cidade e viver ao teu lado uma dessas velhas histórias de amor.
Vem cá, com flores e um sorriso no rosto,
acaba com essa minha triste insônia?
Vamos ser emancipados juntos, que tal, nesse mês de agosto?!
Vamos ser um conjunto, que louco, nessa colônia bizarra chamada vida...!

(Lis - 20/08/16 - 16:38)

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Vida coadjuvante

Nós mudamos rápido demais ao modo que nosso corpo e alma não conseguem se dar conta disso. Hoje, ou melhor, ontem foi dia dos pais. Ontem de ontem eu estava em um projeto da faculdade, ajudando em um espaço da criança. De repente, todos pintados e ao fundo um violão, alguns estudantes de ciências sociais organizaram a roda, o pessoal de letras estendia um varal de poemas e a galera de história nos surpreendia com uma rica cultura de rua.

Ao bando mais longe eu observava, pessoas tímidas e já outras que não pareciam felizes em me ver ali. Mas ao meu lado uma bela dama, amiga querida, fazendo ali seu intervalo de estudos. Um rap sobre a vida, um poema sobre machismo e uma música sobre relacionamento abusivo. Descubro ali, creio eu pelo calor do momento, a dor de minha amiga. Não vou julgar, não. Ajudar, sim, mas como? Minha cabeça voa, meu coração aperta. Em uma bela diagonal teus olhos encontram os meus, mas tenho medo em confiar de novo. As feridas que reforçaram as antigos não se curam, você não merece alguém assim. Para apenas oito meses de ano já tive provas o suficiente que pessoas traem, trair em diversos sentidos e em diversas cores.

Saio sem rumo. Esqueço criança, esqueço lápis e papel. O sol me encara, tiro uma foto. A noite, que noite, choro sem entender o porque e em um soluço de socorro ao qual desabafo tudo o que precisava para chegar no estase desse gozo momentâneo. Digo, repito, digo de novo como se soubesse o que falava, você compreende minha linguagem. Indico a solução, mas não influencio o caminho. Como e quando passei a ser tão segura de minhas palavras sobre a vida? Quando as pessoas te amam elas devem demonstrar. Se não há demonstração de mínimos detalhes então não há amor. Verdade nua e crua. Temos aquilo que achamos que merecemos ter, mas a verdade é que nem sempre o que achamos de fato é o melhor para nós. Aprendemos isso, infelizmente, tarde mais.

A noite amanheceu em um dia frio, boto um sorriso no rosto e lavo o corpo em água fria. A estrada passa em modo acelerado, o óculos me protege do sol. O vestido me incomoda constantemente, mas a maquiagem me ajuda a esconder a tristeza que nasceu em mim. Falsidade o tempo todo, desligo do mundo em um par de fone. O vento balançava meu cabelo recém cortado e aquela cidade me atraia de modo inteligivelmente intenso.

A praça é agradável. Pisei ali sem mendo de ser assaltada pela primeira vez. Meu coturno sujo de terra me fazia crer que seria possível seguir em frente ao modo que dois caras, cada um em seu momento, me para pedindo dinheiro a troco de seus produtos. Me recordo de você e dele, o meu passado e o meu distante. Um deles me lembrou você, ralando em um domingo ardente para se casar. Interessante, confesso. O segundo, o teu irmão, magrelo distante vendendo sua arte, belas poesias coladas agora em minha parede. Foto aqui, sorriso ali e uma raspadinha de uva para comemorar a ironia da vida. Um brinde ao céu e ao desconhecido de sempre.

Sou como plástico, sempre tentando imitar o vidro, sempre sem valor, porém mais resistente também. A vida é confusa, na verdade minha mente é que é confusa. Meu nariz não sangra mais, apesar de eu dar motivo dia após dia para que o mesmo exploda. O sagramento mudou de rota e de estado. Meu olho arde, dilata, a claridade sufoca e a irritação do shampoo me força o uso do colírio. Faço uso de algumas aspirinas para então poder dormir. Dormir para enfrentar mais uma semana qualquer de uma vida coadjuvante. Dormir para entrar no mundo dos sonhos, onde as coisas são descomplicadas e intensas, onde posso sorrir com o paraíso de um mundo onde tenha liberdade na tv e um amor para se equalizar....


sábado, 30 de julho de 2016

É uma escolha, sempre foi

As noites em julho são gélidas, sempre mostrando o quão somos vazios e sentimos saudades de memórias, memórias estas que não passam de memórias, de algo que se passou e nunca mais voltará ou viverá. Mas é verdade que naquela quarta-feira não havia tanto frio assim, na verdade sinto que a primavera está bem próxima e isso aqueceu minhas esperanças de um jeito triste.

No reflexo do carro pude observar a noite e as estrelas. Havia algumas nuvens, bem poucas, além de uma lua que pouco iluminava. As montanhas, ou melhor, as inúmeras ruas das montanhas gerais que se encontra na paisagem de Minas estava coberta por casas e prédios nesse ano. O relógio já marcava pouco mais que vinte e duas horas, o radio tocava um especial dos anos noventa. Foi legal, um momento realmente agradável com algumas televisões ligadas em inúmeras janelas que pude observar. Cortinas brancas balançavam por uma brisa e em outro momento havia um casal rindo em um das varandas, pareciam tomar uma espécie de vinho. A verdade da vida, pensei comigo mesma, é que tudo segue certo de um jeito bem incerto. Observar tantas janelas abertas e suas luzes acesas me fez pensar sobre isso. Não vale a pena viver do passado, ele não voltará, então não adianta procurar ou remoer, não é mesmo?! É uma escolha livre.

Naquela noite pude me deixar dormir tranquila com minha consciência, sem pesadelos ou medo. Mesmo com a brisa anunciando uma nova frente fria permaneci minha janela aberta e minha televisão ligada, servindo de companhia a tantas outras que pudessem sentir a mesma liberdade que minha alma agora possuía. Era um fardo que aos poucos não existiria mais. Por isso não me permiti chorar, apenas sorrir. Eu enfim te superei.

Já é tarde da noite e a ainda não consegui dormir
Lutando contra essas dores de cabeça que só pioram
Fico me revirando até estar imerso em meus pensamentos
Então volto a pegar a caneta
As letras que vou escrevendo sem qualquer nexo
Contém a minha filosofia
Mesmo tomada pela fumaça branca
Meu quarto é tão aconchegante quanto um lar, doce lar
(...)
Minha solidão só cresceu com o passar do tempo
A liberdade para viver do meu jeito
Era também meu maior fardo
Onde há uma subida
Há sempre uma descida
É muito tarde para voltar atrás
EU QUERO IR
Lembre-se daqueles dias...
Nós somos os woo woo